"Carmem"
Eu entrei no prédio onde o Leon trabalhava e ali era muito menos organizado do que a Lince. Bastou que eu dissesse a recepcionista queme u procurava que ela me indicou como encontrá-lo e me forneceu um chachá de visitante. No terceiro andar, numa salinha bem no fundo eu encontrei o Leon, que dividia a pequena sala com mais dois homens.
- Ah, finalmente você apareceu, Cora! - Ele falou assim que eu entrei, todo irretadinho.
- Ai, garoto! Eu não tenho culpa se você é idiota e ficou encarando a casa da vizinha. - Eu respondi.
- Vamos sair daqui. Estou indo tomar um café pessoal. - Ele me pegou pelo braço e me levou pelo caminho de onde eu tinha vindo. Quando entramos no elevador, ele bufcou, me encarou e depois de um tempo finalmente falou. - Sério, seu nome nem é Cora, o policial foi até a casa e disseram que lá não tinha nenhuma Cora.
- Pois ele foi na casa errada e você é um idiota. Agora vê se fica calminho porque eu já tenho a solução para os nossos problemas. - Eu avisei e o elevador abriu as portas no térreo.
- Nossos problemas? Você não sabe o quanto esses problemas cresceram? - Ele falou enquanto caminhávamos para fora do prédio.
- Do que você está falando? - Eu estava há tantos dias sem poder agir, naturalmente aquela mulher tinha se enredado mais e mais no meu José Miguel.
- Tem uma cafeteria do outro lado da rua, vamos nos sentar lá. - Ele me puxou pelo braço a passos apressados. - Anda, eu não tenho muito tempo.
Nós entramos na pequena cafeteria. Estava vazia, tinha apenas três mesas rentes ao balcão e nós nos sentamos na mesa dos fundos. Eu olhei em volta, era um lugar sem atrativos, não era de se admirar que estivesse às moscas. Apenas um homem de boné e jeans, parecendo mais um desocupado, estava sentado no balcão, perdido nos próprios pensamentos.
- Por onde você andou, Cora? - O Leon perguntou depois de fazer um gesto para a garçonete e fazer o pedido.
- Eu tenho meus próprios problemas, não tenho tempo sobrando para ficar te paparicando. - Eu respondi irritada.
- Você é uma chata ranzinza, mesmo. - Ele deu uma risada seca.
- Vamos ao que interessa, Leon, eu não estou aqui para fazer social. O que você quis dizer com nossos problemas cresceram? - Eu perguntei impaciente.
- Simples, a Eva está grávida! - Ele falou como se não fosse nada demais.
- O que você disse? - O sangue parecia ter sido drenado do meu corpo e um calafrio percorreu a minha espinha. - Grávida? Como você sabe disso? Quem é o pai.
- Eu é que não sou! - Ele falou com ar debochado. - Descobri hoje. Uma mulher que frequenta a igreja que a minha mãe e a mãe da Eva vão, viu a mãe da Eva comprando lãs e comentando com a vendedora o quanto estava feliz porque a filha está grávida.
- Você tem certeza disso? - Eu não podia acreditar, agora é que o José Miguel não largaria aquela mulher.
- Absoluta! A mulher que deu a notícia é a maior e mais confiável fofoqueira da região. Ela contou tudo para a minha mãe. Então, Cora, meu plano já era, porque eu nao vou criar filho dos outros.
- Não seja idiota, garoto! Quem disse que você precisa criar filho dos outros? - Eu comecei a pensar e o meu plano precisava ser impecável, aquele idiota não podia abandonar o barco agora.
- Ah, não? e como vai ser então? - Ele perguntou como a criatura limitada que era.
- Você vai reconquistar aquela mulher e ela vai sofrer um aborto, coitada. - Eu já sabia o que fazer e ele arregalou os olhos pra mim. - Não me venha com falsos purismos. Você quer aquela mulher porque descobriu que ela não é mais uma pobre coitada, mas não quer criar o filho de outro. Então você fica com a mulher e fazemos com que ela perca o bebê, mas você pode criar o rebento se preferir. - Eu sorri falsamente.
- Você não vale nada! - Ele atirou para mim.
- Você menos ainda! - Eu respondi.
- Qual o seu plano? Mas vê se agora dá uma dentro, porque você só dá bola fora. - Ele reclamou e em outra situação eu já teria deixado esse chato falando sozinho.
- Nós vamos armar para o José Miguel pegar você na cama com aquela vagabunda. Você vai fazê-lo acreditar que o filho é seu, que todo esse tempo ele foi enganado e traído. Imagino que você seja bom de conversa fiada.
- Sou ótimo! Não é à toa que sou o melhor vendedor da equipe no escritório onde trabalho. - Ele se gabou. Ele era um convencido ridículo isso sim. - Mas como eu vou levar a Eva pra cama eu não sei, ela nem me deixa chegar perto mais.
- Eu tenho que fazer tudo? - Eu olhei para ele irritada.
Ainda bem que eu tinha pensado que poderia precisar do meu novo amigo o "remedinho para bons sonhos" e o coloquei na bolsa. Eu tirei o frasco da bolsa e entreguei a ele.
- Minha nossa, parece que o "alien" lutou com o "predador" aqui até se matarem e desintegraram aqui dentro. - Um outro funcionário estava levantando o carpete do porta malas e sob ele tinha uma gosma preta fedorenta.
- Quanto vai custar e quantos dias? - Eu perguntei.
- Cinco mil, pagamento antecipado, preciso de cinco dias e não dou garantia de tirar esse cheiro. Jesus! Parece que o próprio diabo morreu ali! - O homem que estava me atendendo apontou para o porta malas que parecia a origem do mal.
- Mas isso é um roubo! Pago mil e você me dá garantia. - Eu reclamei.
- Madame, vou ter que pagar adicional de insalubridade para os meus funcionários que mexerem nessa latrina. Meu preço está dado e eu não negocio, se não quiser, pode levar a carniça com a senhora. - Ele respondeu irredutível.
- Está bem! - Eu tirei o cartão da bolsa e entreguei a ele. - Quando foi que a criadagem ficou tão atrevida?
- O que disse, madame?
- Não, nada, nada...
Depois de ser assaltada descaradamente por aquela estética automotiva, eu peguei um taxi e fui pra casa. Quando cheguei, não tinha nenhum sinal de ninguém. Eu subi, bem devagar até o meu quarto e encontrei a Berta ainda dormindo, mas foi o tempo de me sentar e fechar os olhos e ela acordou toda estrondosa, se esticando como um gato e me deu um safanão que quase me derrubou da poltrona.
- Urtiguinhaaa! Nós tiramos o cochilinho da tarde de novo! Nem aquele café forte te manteve acordada! - Ela parecia radiante e eu fingi ainda estar acordando. Mal sabia aquela praga que o café fez milagres!
N.A.:
Olá, queridos... como estão?
Genteeem vocês viram ontem que eu deu uma escorregada e me lembrei da Magda? rs... Quem leu "contrato para o caos" sabe que a Magda foi muito especial, né?! Mas, me desculpem, foi resultado de um cochilinho sobre o teclado. Mas para me redimir, olha de quem vocês mataram a saudade hoje, diva master Melissa. Claro que ela ia dar um jeitinho de ajudar por aqui. Mas será que os planos da cobra de aplique vão dar certo?
Beijo no coração, meus lindos!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...