"Tatiana"
A feira gastronômica com o Elias tinha sido bastante divertida. Ele não rosnou para ninguém e até ajudou um garotinho a amarrar o cadarço do tênis. Eu sabia que ele tinha se esforçado para me fazer aquela gentileza e eu achei fofo. Ele era uma companhia agradável, não tinha agitação nele, era como se ele fosse um lago escuro, mas que irradiava uma quietude e silêncio confortáveis.
- Tati! - Uma voz do outro lado do balcão me puxou dos meus pensamentos. - Tati, posso falar com você? - A Val pediu tocando o meu braço. Ela parecia aflita.
- O que foi, Val?
- Sabe as informações que te dei do Dimas? - Ela me olhava suplicante e eu fiz que sim. - Será que você pode esquecer e não procurá-lo?
- Por que, Val? - Eu franzi as sobrancelhas.
- Ele me ligou e está muito bravo comigo, disse que eu não deveria ter dado o endereço e o telefone dele para ninguém. Por favor, Tati, me diz que você não passou para o Dr. Molina. - A Val suplicou e eu cruzei os braços e a encarei.
- Não, eu não passei para ninguém. - Era uma mentira, mas ela não precisava saber, afinal eu começava a desconfiar que ela também poderia mentir pra mim.
- Então esquece que eu te dei aquilo. Esquece o Dimas. Por favor. - Ela pediu e juntou as mão na frente da boca, os olhos como de um gatinho suplicante.
- O que está acontecendo, Val? Por que eu tenho que esquecer? Por que o Dimas, que foi injustiçpado, não quer que a gente o encontre para desfazer a injustiça? - Eu perguntei séria.
- Ele seguiu em frente, Tati. Não quer nenhum vínculo com nada e nem ninguém do hospital. Comigo... comigo... - Ela fungou. - Nós tínhamos um lance, terminamos numa boa e de vez em quando ainda ficamos, mas agora ela acabou comigo porque eu te dei o telefone e o endereço dele.
- Mas porque você contou que me deu? Eu nunca ia citar seu nome.
- Eu não contei, mas ele te reconheceu e ele me ligou me acusando e eu mal tive chance de me explicar, acabei me enrolando e contando que vocês estão remexendo nas demissões injustas e... por favor, Tati.
Eu pensei que ela estava a ponto de se ajoelhar para implorar, mas eu também me dei conta de que o Dimas não estava viajando. Mas eu não entendia porque ele estava se escondendo.
- Val, fica calma, tá?! Eu não vou procurar o Dimas. Se ele não quer mais saber desse assunto, tudo bem, vamos deixar pra lá. - Eu garanti, outra mentira. eu não gostava de mentir, mas eu também não gostava que mentissem pra mim e ali tinha uma mentira das grandes.
- Vai mesmo, Tati? - Ela me olhou quase aliviada.
- Menina, você me conhece há quanto tempo? Se eu estou dizendo que eu não vou procurar o Dimas, é porque eu não vou. E nem o Dr. Molina. Fica tranquila. - Eu a observei e vi o alívio passando pelos olhos dela. - Val, só entre nós duas, não foi só uma demissão injusta, foi?
- Tati, te juro que eu não sei de mais nada. - Ela até parecia não saber mesmo, mas, pelo visto, ela era fiel ao Dimas e eu não podia confiar nela. Então eu respirei fundo.
- Ah, esquece. Nenhuma de nós vai ganhar nada com isso e o Dr. Molina já desistiu de encontrar o pessoal que sumiu. Vamos deixar o Dimas cair no esquecimento. - eu sorri confiante e ela suspirou de alívio.
- Obrigada, Tati!
Assim que a Val sumiu da recepção eu peguei o celular e liguei para o Zangadinho.
- Lady Agulha! Já está com saudade da minha adorável companhia? - Ele falou bem humorado.
- Não seja convencido, antes que eu decrete que a sua companhia é adorável eu ainda preciso te levar a pelo menos mais três lugares divertidos.
- Pelo amor de Deus, que isso não inclua um circo e um parque de diversões! - Ele gemeu do outro lado da linha.
- Ei, todo mundo ama circo e parque de diversões! - Eu protestei e ele grunhiu.
- Eu odeio, Lady Agulha! Sério, por favor, qualquer coisa, menos esses dois lugares. - Ele pediu e eu fiquei curiosa, ali tinha história.
- E por quê? - Eu era curiosa mesmo.
- Isso não vem ao caso. - Ele foi rígido como uma pedra.
- Não deveria ser eu a trazer flores? - Ele provocou.
- Você está ficando engraçadinho! - Eu respondi. - São para a sua mãe. Se eu vou brotar no jantar dela como uma erva daninha não convidada ao jardim, então o mínimo que posso fazer é levar flores.
- Ah, que gentileza! Ela vai ficar encantada. - Ele olhou para o arranjo em minhas mãos, havia uma suavidade nos olhos dele ao falar da mãe. - Vamos!
Ele pegou o arranjo em minhas mãos e abriu a porta para que eu entrasse. Depois de colocar o arranjo cuidadosamente no banco de trás ele deu a volta e se sentou ao meu lado.
- Músicas ridículas? - Ele perguntou e eu ri.
- Você realmente as adora! Mas hoje não, quero te contar o que acontecedu.
Enquanto ele dirigia, eu fui contando a conversa estranha da Val e por fim ele concordava comigo, tinha algo errado, algo que não fazia sentido. Nós conversamos e pensamos em várias teorias até chegar a casa dele, mas quando ele estacionou e abriu a porta do carro pra mim, meu coração estava descompassado e a minha boca estava seca.
- Relaxa, Lady Agulha, você já conhece o zangado da família e se sai muito bem com ele. - Ele falou no meu ouvido quando passei pelo portão.
De dentro da casa vinham risos e a conversa parecia animada. Eu conhecia alguns ali, outros não. Uma senhora com um sorriso amplo que parecia muito acolhedor veio em minha direção. Claro que era a mãe e eu sabia disso porque a Eva se parecia muito com ela.
- Tatiana! Que bom que você aceitou vir! Eu sou a Marta. - Ela abriu os braços e me envolveu num abraço gentil. Ela realmente me fez sentir bem vinda.
- É um prazer conhecê-la, D. Marta. São para a senhora. - Eu entreguei as flores e os olhos dela brilharam.
- É apenas Marta. Ai, que flores lindas! Obrigada!
Ela me puxou pela mão e me apresentou ao Julio, um amigo da Eva e ao Dr. Romeu, um amigo da Marta que estava na cara que era mais que amigo. Mas eu já o conhecia de vista, já o tinha visto inúmeras vezes no hospital e provavelmente a cidade inteira sabia quem era o melhor advogado da região. Foi como se eu já tivesse estado ali com aquelas pessoas inúmeras vezes, eu me senti acolhida e à vontade, as risadas fluíam e aquela casa era um reduto de afeto e conforto. O jantar de família dos Sanchez parecia ser um evento muito animado e daqueles que você não quer perder nenhuma edição.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...