"José Miguel"
Eu estava sentado no bar do outro lado da rua, acompanhado do Elias e da Tatiana, de onde podíamos ver com clareza as grandes portas do hotel e boa parte do seu loby. O Julio e o Érico estavam na livraria da esquina do outro lado e o Edson e o Enzo já estavam dentro do hotel em algum lugar.
- O que foi, Julio? - Eu atendi apressado o celular. Aquela situação estava me deixando tenso, eu não gostava da Eva lá dentro com aqueles dois e eu queria entrar lá e arrancá-la daquela armadilha.
- Rossi, tivemos um problema... - Só pelo fato dele me chamar de Rossi e não de perfeito eu já sabia que era sério.
- Eu estou indo tirá-la de lá! - Eu declarei, encerrei a chamada sem nem querer saber de mais nada e me levantei.
Quando eu me aproximei da calçada do hotel, o Julio me segurou com força e me puxou para o canto.
- Espera! - Ele falou baixo e me encarou com autoridade. - Eu tenho onze homens capazes de derrubar uma manada de elefantes lá dentro e uma mulher sagaz demais que pode arrancar o coração do Leon com as próprias mãos, além do irmão mais velho dela e um moleque inteligente demais para o próprio bem. Então para e me escuta. Eu não arriscaria a vida dela.
- O que está acontecendo com a minha irmã, Julio? - O Elias perguntou bruscamente e a Tatiana o segurou.
- Zangado, menos! Escuta primeiro, reage depois. - Ela intimou o Elias, que olhou para ela por um momento e respirou fundo, como se encontrasse equilíbrio, um equilíbrio que eu não tinha porque a fonte do meu equilíbrio estava dentro daquele hotel.
- O que houve, Julio? - Eu tentei manter a calma.
- A Sandra me enviou uma mensagem. Ela era a que estava sentada mais próxima da Eva, com a melhor visão da mesa. Ela percebeu algo estranho na forma como o Leon colocou o remédio no copo da Eva e desconfiou. Ela sinalizou para a Eva não beber, mas a Eva não percebeu e tomou um gole da bebida, mas antes que ela tomasse o segundo gole a Sandra armou uma cena, esbarrou na mesa e derrubou o suco na Eva.
- Como ela está? - Eu estava quase enlouquecendo, ela estava grávida, o que aquele louco tinha dado a ela?
- Ela colocou o remédio na bebida do Leon, recusou a ajuda da Sandra claramente e seguiu o plano. Rossi, ela tomou um gole, Ela saiu do bar com o Leon meio trôpega, eu não sei se ela está seguindo o plano ou se está sofrendo algum efeito. Os seguranças estão seguindo de perto. O Enzo e o Edson já estão dentro do quarto esperando por eles. O Enzo tinha a chave extra que conseguiu Deus sabe como, mas aquele garoto consegue tudo o que quer e a Eva vai sair de lá bem.
- Ótimo! Eu estou entrando! - Eu tentei me virar.
- Entramos juntos. - O Julio me segurou e afundou um chapéu na minha cabeça. Ele já estava com um também. - Depois do risco que a Eva está correndo, nós não vamnos estragar isso, por ele! - Ele justificou e tinha razão. - Elias, você e o Érico entram tentando nos proteger da vista da Carmem, ela está no restaurante com boa visão do loby, nós vamos nos esgueirar entre as colunas. Tati, fica aqui, mantenha o carro ligado e pronto para sair direto para o hospital com a Eva. - O Julio entregou a chave do carro dele para a Tatiana, mas o Elias recusou e colocou as chaves dele na mão dela.
- Meu carro está logo ali. - Ele justificou.
- Vamos logo! - Eu os puxei para dentro.
Quando chegamos ao andar o Edson estava saindo do quarto com a Eva nos braços e eu corri em direção a eles a tirando dos braços dele.
- Amorzinho? - Eu chamei com cuidado e ela balbuciou qualquer coisa, com os olhos quase fechando. Ela não estava inconsciente, mas estava mole como uma boneca de pano. - O que ele fez com ela?
- Nada, Rossi, o Enzo e eu estávamos no banheiro vigiando, ele desmaiou assim que chegou ao quarto, a fala dela está desconexa e enrolada e ela está letárgica, eu a segurei antes que ela caísse. - O Edson tentou parecer calmo, mas os olhos pingavam preocupação.
- Vou levá-la ao hospital agora. Isso foi longe demais. Eu nunca deveria ter concordado! - Eu estava irritado, frustrado, com medo. - O que esse moleque deu pra ela?
- Aqui, Rossi, leva isso e entrega ao Vini, ele já está esperando vocês no Santè, seja o que for que ela tomou estava nesse saquinho que eu encontrei nas roupas dele. Diz para o Vini que ela tomou um gole de uma taça de suco de limão de cerca de trezentos e cinquenta mililitros. Eu já avisei ao vô Álvaro também. - O Enzo surgiu na porta e me entregou um pacotinho sem nenhuma identificação, mas que tinha resquícios de um pó branco. - Agora corre!
- Acho bom um de vocês dar uma lição nesse moleque. Se acontecer alguma coisa com ela ou com o meu filho... - O gosto amargo subiu pela minha boca, eu nem podia pensar.
- Ela vai ficar bem. Apertem os cintos rapazes, eu tenho permissão para dirigir ambulância! - A Tatiana falou firme, ligou o pisca alerta e saiu para o trânsito buzinando em alta velocidade, enquanto gritava com alguém no celular sobre a condição da Eva.
Eu protegi a Eva nos meus braços enquanto a Tatiana rasgava o trânsito em alta velocidade como se fosse a coisa mais normal do mundo, buzinando loucamente, gritando para os outros motoristas e subindo nas guias de meio fio quando necessário, sem se preocupar com nada além de chegar rápido ao hospital. Nós chegamos ao Santè tão rápido que eu estava meio nauseado.
Assim que o carro parou na porta da emergência tinha uma maca e uma equipe nos esperando. O Dr. Molina já estava lá e o olhar que ele lançou para mim dizia muito mais que qualquer palavra. Outro médico colocou a mão no meu ombro de forma tranquilizadora.
- Vai ficar tudo bem, nós vamos tirar isso do organismo dela e ela vai ficar bem. Eu sou o Vini, o que o Enzo mandou pra mim? - A voz clara e calma dele me lembrou do pacotinho que o Enzo me deu. Eu entreguei, ele agradeceu e correu atrás da maca.
- Rossi, vem, tem uma salinha ali. Daqui a pouco você vai poder ver a Eva. - A Tatiana nos guiou até a sala de espera, colocou o Edson, o Elias e eu sentados e depois trouxe um café para cada.
Na minha cabeça eu comecei a repetir "foi só um gole", como se isso me garantisse que não tinha sido nada demais. Eu só queria sair dessa espera logo e que a Eva e o meu filho estivessem bem.
N.A.:
Olá, queridos... como estão?
Repararam que teve mimo hoje? Capítulo grandão!
Só quero saber se tem muita cabecinha aí se contorcendo com o que a cobra de aplique falou pra Eva. Será gente? Será que tem alguém escondendo a morta? Ainda não descobri quem está lá em Cancun. Alguém aí já sabe? Vou dar um spoiler pra vocês, amanhã ainda vai ter um rebu no hotel. O que será que o Brandão vai aprontar com a cobra de aplique? Melhor ainda, o que o Enzo vai aprontar com o leso do Leon? Eu já conheço os planos da diva master Melissa, só digo que vai ser digno da assinatura dela.
Beijo no coração, meus lindos!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...