"Brandão"
Eu concordei em ajudar no plano da Melissa não apenas porque ela era como uma força da natureza e você não resistia a ela, apenas deixava que ela te levasse. Mas eu concordei também porque depois do que aconteceu com a Salma eu precisava recuperar a minha credibilidade profissional e a Melissa sabia exatamente como fazer isso. Além do mais, o plano parecia divertido e, gostando ou não, eu sentia que devia ao Rossi e a Eva, como um pedido de desculpas e uma oferta de paz.
Contudo, eu não pensei que a descrição que o Julio fez da mulher tivesse sido tão exata. Não é que ela era feia, ela era o resultado de uma experiência científica desastrosa! O rosto realmente não tinha nem uma linha de expressão, nenhuma mesmo, parecia congelado, com maçãs do rosto preenchidas excessivamente que saltavam como se fosse uma deformidade. Ninguém tinha naturalmente maçãs do rosto tão proeminentes! Era tão bizarro que quando ela sorria parecia que ela estava fazendo careta, não havia uma flexão muscular no rostom era impossível compreender como uma pessoa fazia aquilo consigo mesma.
E aí eu me atentei ao aplique e fiquei uns bons minutos pensando que parecia que ela tinha cortado o cabelo de uma boneca e colocado na cabeça, era a mesma textura de nylon, não parecia cabelo e me parecia altamente inflamável. E aquele tom de loiro era desastroso, ficava bom na boneca a quem aquele cabelo devia ter pertencido, mas naquela mulher ficava estranho.
Mas, tentando ser menos visual eu tentei prestar atenção ao que ela falava, afinal eu gostava de boas conversas também, pessoas que tinham assuntos interessantes e que conseguiam transitar por vários temas, até porque a gente conversa em algum momento. Mas a Carmem era chata! Ela começou a falar sobre futilidades e eu fui ficando entediado. Mas eu tinha um tempo claro estabelecido, meia hora, foi o que a Melissa disse e eu segurei a Carmem por meia hora, mesmo pensando que eu poderia sofrer um derrame por sentir tanto tédio.
E ainda tinha o remedinho pra dormir que eu tinha que colocar na bebida, mas como eu conhecia muito bem o restaurante e o bar daquele hotel, essa parte foi até fácil. Depois de pedir as bebidas eu pedi licença a Carmem e fui até o garçom, uma nota deslizada às escondidas e ele me entregou a bandeja para que eu me "pavoneasse" servindo a dama que me acompanhava, um gesto de gentileza exagerado que me permitiu colocar o remedinho no percurso até a mesa. E depois disso eu cuidei para que o copo dela fosse trocado assim que esvaziasse. Foram três "bloody mary's" em meia hora, ela cairia rápido.
E quando chegamos ao quarto, eu pensei que ela já estaria se arrastando, mas não, aquilo era um tanque de guerra. Ela começou a arrancar a roupa e partiu com tudo para cima de mim. Não era possível que aquele mamute com peitos artificiais tão grandes quanto um balão inflado não fosse cair antes de me traumatizar.
Mas entre se esfregar em mim, me beijar e tentar me despir, ela finalmente dormiu. Eu respirei aliviado, aquilo tinha sido a realização do meu pior pesadelo. E quando ela ainda murmurou que após o cochilinho ela ainda me pegaria, eu tive um calafrio.
- Arg! Deus me livre! - Eu me sacudi e saí da cama.
- Isso foi épico! Talvez eu coloque no vídeo institucional da empresa. - O Enzo saiu do banheiro rindo como se tivesse assistido a um espetáculo de humor.
- Não fode comigo, "Junior"! Isso aqui, morre aqui! - Eu apontei para a cama.
- Lamento, Pipoqueiro, mas a nossa diva quer ver se você fez a sua parte direitinho. - O Enzo estava rindo. - Eu gravei tudo! - Ele ergueu o celular orgulhoso, estava se divertindo mais do que criança no recreio.
- Pelo amor de Deus, Enzo! - Eu reclamei.
- Relaxa, só vou mostrar para os íntimos. Agora vai lá no banheiro se recompor, tem um batonzinho aí no canto da boca. - Ele sugeriu, mas tirou uma foto do meu rosto. Moleque atrevido! Igualzinho ao tio.
O que eu queria mesmo era um banho desinfectante, demorado e que removesse os vestígios dessa tarde não só da minha pele, mas da minha memória.
- Quem diria, hein, Pipoqueiro, que você gosta de um dragão raro. - O Julio me provocou enquanto saía do banheiro com o irmão da Eva, arrastando um sujeito desmaiado só de cueca. Os dois estavam às gargalhadas.
- Pipoqueiro não, agora é docinho! - O irmão da Eva me provocou com ar de deboche. Eu estava acabado, minha reputação seria arruinada!
- Esse é o babaca ex da Eva? - Eu perguntei e eles fizeram que sim. Eu dei uma boa olhada. - É, tenho que reconhecer, o Rossi é bem melhor que isso.
Eu fui ao banheiro e o meu rosto e o meu pescoço estavam completamente marcados de batom, estava explicado porque o Enzo tirou uma foto. Eu precisava de álcool e talvez um bisturi para me livrar da baba do dragão-de-komodo. Eu tirei a camisa, abri a torneira da pia, peguei um sabonete e comecei a me limpar. Aquele batom não saía facilmente, parecia tinta! Quando eu finalmente consegui remover as marcas eu saí do banheiro recomposto.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...