"Giovana"
O calor do beijo do Anderson selou definitivamente a paz entre nós, preenchendo o meu coração com a certeza de que ele estava de volta. Eu nunca mais queria sentir o vazio da sua ausência. Nunca mais eu queria experimentar a sensação de quase perdê-lo, porque doeu demais.
Nós ficamos ali, abraçados no meio da sala por longos minutos, ouvindo apenas o som da respiração um do outro. Eu conseguia sentir os ombros dele relaxando sob os meus braços, na mesma medida em que o meu coração se acalmava.
- Eu passei a noite sentada nesse sofá, enquanto você estava sentado no corredor frio do outro lado da porta. - Eu comentei, pensando nas horas que poderíamos ter estado juntos.
- Por que você estava no sofá? - Ele perguntou baixinho, dando um beijo na lateral da minha cabeça.
- Por que eu ainda tinha um restinho de esperança que você ia entrar pela porta. Você deveria ter usado a sua chave, teria nos poupado dehoras de sofrimento. - Eu coloquei para fora o que estava na minha cabeça.
- Eu não podia, Ferinha. Você estava chateada comigo.
- Não importa o quanto eu esteja chateada, Anderson, você tem a chave, você entra e conversa comigo. Ou toca a campainha. Sabia que esse dispositivo sonoro maravilhoso que consiste em apertar um botão que emite um sinal sonoro para avisar que tem alguém na porta já foi inventado?! - Eu tentei soar leve.
- Nossa, que coisa moderna! - Ele riu e passou os dedos pelo meu cabelo.- Eu não toquei a campainha porque eu não queria te acordar. Eu já rinha sido um idiota com você, não tinha o direito de acordá-la no meio da noite.
- Eu não dormi. Eu estou exausta! Nós precisamos descansar, Gracinha. - Eu sussurrei contra o peito dele, acariciando os seus cabelos. - Você passou metade da noite no trabalho e a outra metade em claro no chão frio.
- Eu não conseguiria dormir sem resolver isso com você. Eu estou cansado, mas eu preciso de um banho primeiro, Ferinha. - Ele respondeu, a voz abafada contra o meu pescoço, soltando um suspiro longo. - Preciso tirar a fumaça do bar, o suor e o peso de tudo o que aconteceu ontem. Parece que eu passei por uma guerra.
- Nós passamos. - Eu sorri de leve, afastando-me o suficiente para olhar o seu rosto cansado. - Vai tomar um banho, eu vou preparar o café da manhã.
- Você não vem comigo?
- Não, Gracinha, nós precisamos de café.
- Eu acho que eu preciso do meu moletom. - Ele olhou para o meu corpo, segurando o meu queixo delicadamente.
- Sinto muito, não vou devolver. Ele é quente, confortável e tem o seu cheiro. Foi tudo o que eu tive de você enquanto você estava longe. - Eu expliquei e ele riu e me puxou de volta para o seu peito.
- Ferinha, você teve e sempre terá mais do que esse moletom, porque o meu corpo estava longe, mas o meu coração sempre esteve com você... e sempre estará!
- Eu não quero sentir esse desespero que eu senti nunca mais, Gracinha.
- Nunca mais. - O Anderson assentiu. - Eu vou tomar um banho, ainda tem uma coisa que eu preciso te contar.
- Se você disser que deixou aquela galinha da Maya te... - Eu tentei me afastar, mas ele me puxou de volta.
- Eu já disse, Ferinha, ela é menos que nada e ela me pegou desprevenido, foi só isso e nunca mais vai acontecer.
- Ela sempre te pega desprevenido, Anderson Cavalcante. - Eu reclamei, sentindo uma pequena irritação.
- Eu vou ficar mais esperto. Agora esquece aquela garota. O que eu tenho para te falar é sobre o Felipe. Mas a gente conversa daqui a pouco tomando um café. - Ele deixou um beijo rápido na minha testa antes de caminhar em direção ao banheiro.
Ele deu um sorriso amargo e contou tudo o que tinha acontecido. Cada detalhe. Eu ouvi em silêncio imaginando como tudo tinha sido pesado e difícil.
- A Bianca falou tudo o que estava entalado sobre o Felipe e sobre como a minha mãe estava sendo cega. E depois ela me detonou, porque eu estava sendo um monstro com você e porque pareço querer ser um mártir. E ela estava certa em cada palavra. Principalmente, ela estava certa em defender você com unhas e dentes, mas era eu quem devia ter feito isso, eu deveria cuidar de você.
- A Bianca é maravilhosa. - Eu comentei, sentindo um aperto no peito ao imaginar a cena. - Mas, nós devemos cuidar um do outro, Anderson. E eu estava tentando cuidar de você.
- Eu sei... agora eu sei. - Ele falou com a voz embargando. - É, a Bianca foi a voz da razão que eu me recusava a ouvir. Mas o que me acordou mesmo foi o Flávio. - O Anderson largou a caneca e segurou a minha mão sobre o balcão. - Ele me contou que você pediu ajuda para o Felipe justamente porque viu o perigo antes de todo mundo. Ele me fez entender que se você tivesse me contado no calor do momento, eu teria largado as minhas provas, teria ido atrás dos agiotas e, provavelmente, teria estragado o meu semestre ou coisa pior. Ele me disse que eu não sei ser protegido... e que você se jogou na frente das balas por mim.
Eu olhei para as nossas mãos unidas, engolindo o nó na garganta.
- Eu só não queria que você abrisse mão dos seus sonhos de novo por causa dele, Anderson. Eu sei que vocês são irmãos e que você sempre vai ajudá-lo, mas o Felipe está se afundando de um jeito... e eu achei que se eu, o Rubens, o Flávio e o meu pai cuidássemos disso, você terminaria o semestre em paz e depois, sem as preocupações da faculdade, teria clareza de pensamento para entender como agir sem se prejudicar. Eu nunca quis te afastar do seu irmão, ou deixá-lo se afundar sozinho. Eu só estava tentando puxá-lo de volta por você.
- Eu sei, meu amor. Me desculpa por ter sido tão cego e orgulhoso. - Ele apertou os meus dedos. - Mas eu pedi um favor ao Flávio e eu acho que isso pode sossegar o Felipe. O Bonfim e o Flávio armaram uma "prisão de mentirinha". Tiraram o Felipe de uma casa de pôquer clandestina ontem e o trancaram na carceragem da delegacia para dar um susto oficial. A minha mãe ficou desesperada, mas eu dei um ultimato nela. Falei que ou a gente cuidava disso agora, ou ela iria reconhecer o corpo dele no necrotério mais cedo ou mais tarde.
Eu arregalei os olhos, surpresa com a dureza dele, mas reconhecendo que era exatamente o choque de realidade que a Dona Fátima precisava.
- E ela aceitou?
- Aceitou. Ficou sem chão, mas aceitou. E para piorar, descobri que o Ary não sabia de nada. Minha mãe estava escondendo dele também. O Rafael levou a minha mãe para casa para abrir o jogo com o Ary e colocar ordem naquela casa. Eu pedi para o Flávio prender o Felipe para ele sentir o peso de onde as escolhas dele o levaram. - O Anderson olhou para mim. - Eu preciso ir até à delegacia buscar o meu irmão e levá-lo para casa para encarar o Ary e a minha mãe. Para encarar que ele precisa de ajuda. E, eu sei que você está cansada, mas eu gostaria que você viesse comigo.
O Anderson se levantou e segurou o meu rosto com as duas mãos, me olhando com uma seriedade profunda e suplicante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque o livro do Anderson e da Giovanna não foi finalizado?...
Pq está travado, não consigo ler os próximos capítulos, depois do 265 Que inclusive é a parte da giovana...
Por que o livro da Giovana e do Anderson está ficando em meio ao livro do Jose Miguel e da Eva. Ficou muito bagunçado isso...
Faltou apenas os três últimos capítulos completos, poderiam liberar ne?...
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...