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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

Eu senti o calor das mãos do Anderson segurando o meu rosto, a delicadeza do seu toque contrastando com a intensidade do seu olhar. Aquilo apagou qualquer rastro do cansaço que o meu corpo acumulava. Ele não estava mais me afastando, ele estava me chamando para dentro do mundo dele, dividindo o peso que passou a vida inteira carregando sozinho.

- Você vem comigo, Gi? Eu sei que é pedir demais depois de tudo o que o Felipe fez, depois de tudo o que a minha mãe te disse... depois de tudo o que eu te fiz passar ontem, mas... eu preciso de você ao meu lado. Eu não quero mais lutar sozinho, Gi. Não quero resolver mais nada sozinho. Não quero carregar o peso todo sozinho. Eu preciso de você.

Eu olhei para aqueles olhos que agora me imploravam por parceria, não por distância. O orgulho que nos separava havia sido enterrado e agora ele tinha entendido que podia se apoiar em mim.

- É claro que eu vou, Gracinha. - Eu respondi, colocando as minhas mãos sobre as dele. - Nós vamos juntos e vamos enfrentar isso juntos. Eu sempre vou estar com você para o que der e vier.

O Anderson fechou os olhos por um segundo, soltando um suspiro longo que pareceu liberar o resto de tensão que ele ainda guardava. Ele colou a testa na minha, um gesto silencioso de agradecimento, antes de me dar um beijo rápido e carinhoso nos lábios.

- Obrigado, Ferinha. De verdade.

- Você não precisa agradecer. Eu vou tomar um banho e me trocar rápido e nós vamos.

Eu corri para o quarto, sentindo o meu coração bater em um ritmo diferente agora. Não era mais a angústia sufocante da noite anterior, mas a adrenalina de quem sabe que está prestes a entrar em um campo de batalha, porque eu sabia que enfrentar o Felipe e a mãe do Anderson não seria fácil, mas era preciso, eles eram família.

O caminho até a delegacia foi silencioso. O Anderson dirigia com uma mão firme no volante e a outra agarrada a minha, como se precisasse me tocar para ter certeza de que eu estava ali, que eu estava com ele.

Assim que entramos na delegacia encontramos o Flávio, debruçado sobre o balcão da recepção, conversando com o Bonfim. Ao nos ver chegar, de mãos dadas, um sorriso nada discreto e muito satisfeito surgiu nos rostos dos dois.

- Olha só, meu delegado, o casal prodígio está de volta. - O Flávio comentou, se erguendo e nos encarando.

- Ah, mas isso era óbvio que aconteceria, Moreno. Esses dois aí, podem até brigar, mas nunca vão se desgrudar. - O Bonfim riu. - Como a minha patroa e eu, a gente tem nossos probleminhas, mas rapidinho se resolve.

- Bonfim, sinceramente, eu espero não ter com o Anderson a quantidade de problemas que você tem com a sua mulher. - Eu comentei, já que o Bonfim estava sempre precisando se desculpar.

- Ah, Gigi, quê isso?! Não são tantos assim. E a recompensa da reconciliação vale a pena, às vezes eu até apronto só para ela brigar comigo, aí depois eu peço desculpas e vem a recompensa. Ou será que o Gracinha não fez as coisas direito? - O Bonfim olhou para o Anderson com um sorriso malicioso.

- Recompensa? - Eu olhei do Bonfim para o Flávio sem entender muito bem, mas tendo certeza de que tinha algo subentendido ali.

- Seja firme, ofereça ajuda, imponha condições e não economize no sermão. Você tem todo o direito de dar uma lição de moral nele. Tire as mordomias, exige compromisso e mantenha os olhos abertos, se ele pisar fora da linha de novo, a gente enquadra ele. - O Bonfim aconselhou e o Anderson fez que sim, endireitando os ombros.

- Ele está na sala de triagem ali no fundo, esperando você para assinar a liberação "extraoficial". Vamos lá? Você está pronto ou precisa de mais um minutinho? - O Flávio perguntou.

O Anderson olhou para mim, respirando fundo, e apertou a minha mão com força. Eu assenti com a cabeça.

- Estamos prontos! - O Anderson respondeu e eu sorri por ser incluída.

- É assim que se fala. - O Bonfim sorriu daquele jeito alegre que fazia a gente se perguntar se ele era delegado mesmo, porque ele quase nunca estava sério ou estressado.

O Bonfim e o Flávio nos levaram até a salinha dos fundos da delegacia. Eles não colocaram o Felipe na carceragem porque ele não estava preso de verdade, mas o efeito de estar confinado em uma sala fechada sem poder ir e vir quando quisesse era praticamente o mesmo.

Lá dentro, sentado em uma cadeira de plástico sob a luz branca do teto, estava o Felipe. Ele estava sem o cinto, sem os cadarços dos sapatos - o procedimento padrão de segurança que o Flávio fez questão de aplicar para dar o máximo de realismo ao susto, com a camiseta amassada, desgrenhado e com os olhos vermelhos de medo e exaustão. Quando a porta se abriu e ele levantou a cabeça assustado, esperando ver o policial que o conduziria para o presídio, mas o seu olhar cruzou com o do Anderson e eu vi ali mais do que confusão, eu vi vergonha.

Eu entrei e parei bem ao lado do Anderson, cruzando os braços. O Felipe deslizou os olhos entre o Anderson e eu, um lampejo de compreensão cruzou o seu olhar, como se ele se desse conta de que eu estava ali para garantir que ele não enrolaria o Anderson. Era hora de o Felipe enfrentar a verdade, aceitar que estava errado e que a ajuda que ele precisava não era a que ele vinha tirando da mãe há tanto tempo.

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