"Giovana"
Eu senti o calor das mãos do Anderson segurando o meu rosto, a delicadeza do seu toque contrastando com a intensidade do seu olhar. Aquilo apagou qualquer rastro do cansaço que o meu corpo acumulava. Ele não estava mais me afastando, ele estava me chamando para dentro do mundo dele, dividindo o peso que passou a vida inteira carregando sozinho.
- Você vem comigo, Gi? Eu sei que é pedir demais depois de tudo o que o Felipe fez, depois de tudo o que a minha mãe te disse... depois de tudo o que eu te fiz passar ontem, mas... eu preciso de você ao meu lado. Eu não quero mais lutar sozinho, Gi. Não quero resolver mais nada sozinho. Não quero carregar o peso todo sozinho. Eu preciso de você.
Eu olhei para aqueles olhos que agora me imploravam por parceria, não por distância. O orgulho que nos separava havia sido enterrado e agora ele tinha entendido que podia se apoiar em mim.
- É claro que eu vou, Gracinha. - Eu respondi, colocando as minhas mãos sobre as dele. - Nós vamos juntos e vamos enfrentar isso juntos. Eu sempre vou estar com você para o que der e vier.
O Anderson fechou os olhos por um segundo, soltando um suspiro longo que pareceu liberar o resto de tensão que ele ainda guardava. Ele colou a testa na minha, um gesto silencioso de agradecimento, antes de me dar um beijo rápido e carinhoso nos lábios.
- Obrigado, Ferinha. De verdade.
- Você não precisa agradecer. Eu vou tomar um banho e me trocar rápido e nós vamos.
Eu corri para o quarto, sentindo o meu coração bater em um ritmo diferente agora. Não era mais a angústia sufocante da noite anterior, mas a adrenalina de quem sabe que está prestes a entrar em um campo de batalha, porque eu sabia que enfrentar o Felipe e a mãe do Anderson não seria fácil, mas era preciso, eles eram família.
O caminho até a delegacia foi silencioso. O Anderson dirigia com uma mão firme no volante e a outra agarrada a minha, como se precisasse me tocar para ter certeza de que eu estava ali, que eu estava com ele.
Assim que entramos na delegacia encontramos o Flávio, debruçado sobre o balcão da recepção, conversando com o Bonfim. Ao nos ver chegar, de mãos dadas, um sorriso nada discreto e muito satisfeito surgiu nos rostos dos dois.
- Olha só, meu delegado, o casal prodígio está de volta. - O Flávio comentou, se erguendo e nos encarando.
- Ah, mas isso era óbvio que aconteceria, Moreno. Esses dois aí, podem até brigar, mas nunca vão se desgrudar. - O Bonfim riu. - Como a minha patroa e eu, a gente tem nossos probleminhas, mas rapidinho se resolve.
- Bonfim, sinceramente, eu espero não ter com o Anderson a quantidade de problemas que você tem com a sua mulher. - Eu comentei, já que o Bonfim estava sempre precisando se desculpar.
- Ah, Gigi, quê isso?! Não são tantos assim. E a recompensa da reconciliação vale a pena, às vezes eu até apronto só para ela brigar comigo, aí depois eu peço desculpas e vem a recompensa. Ou será que o Gracinha não fez as coisas direito? - O Bonfim olhou para o Anderson com um sorriso malicioso.
- Recompensa? - Eu olhei do Bonfim para o Flávio sem entender muito bem, mas tendo certeza de que tinha algo subentendido ali.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Por que o livro da Giovana e do Anderson está ficando em meio ao livro do Jose Miguel e da Eva. Ficou muito bagunçado isso...
Faltou apenas os três últimos capítulos completos, poderiam liberar ne?...
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...