"Giovana"
Mas o que me chamou mesmo a atenção foi a reação da D. Fátima. Ela não sabia daquilo. Ela fechou os olhos e enxugou as lágrimas enquanto o Sr. Ary ainda falava.
- Pois é, Anderson. Seu irmão usou essa mentira para convencer a sua mãe a vender a casa de vocês e dar metade do dinheiro para ele, usando a desculpa de compraria um lugar para morar. - O Sr. Ary contou.
- Ele usou o dinheiro para jogar. - O Anderson constatou decepcionado, enquanto eu observava a D. Fátima balançando a cabeça em silêncio.
- Exato. Ele perdeu tudo no jogo. E continuou tirando cada centavo que podia da sua mãe e de você. Não tem emprego em outra cidade, não tem apartamento. Eu não sei como ele ainda não vendeu o carro. - O Sr. Ary contou.
- Porque ele tem horror a pegar um ônibus. - A Bianca respondeu irritada.
- Pelo menos à faculdade existia, Felipe? - O Anderson perguntou, a decepção na voz dele era de cortar o coração. O Felipe abaixou a cabeça, as lágrimas começando a cair dos seus olhos.
- Sim, a faculdade ele terminou e como um ótimo aluno. Eu chequei. E paguei as mensalidades atrasadas e as despesas da formatura, Felipe. Você vai se formar, vai para a reabilitação, vai encontrar um trabalho e vai se tornar um homem digno. - O Sr. Ary falou com uma autoridade de pai que deu orgulho de ver. - Nós vamos te apoiar, Felipe, mas você terá que andar na linha.
- Eu não acredito, seu moleque, que você mentiu tanto assim pra mim. - A D. Fátima se levantou devagar, aumentando a voz e se virando para o Felipe como uma leoa. Ela agarrou as duas orelhas dele como se fosse arrancá-las e o sacudia enquanto falava. - Aquela casa, Felipe, era tudo o que nós tínhamos e você me fez vender e gastou cada centavo com jogo? Você me fez sangrar o seu irmão, que trabalha como um burro de carga, pra te dar vida boa e você gastar cada centavo numa mesa de jogo?
- Mãe, Não. - O Anderson se levantou e segurou as mãos da mãe. - Solta ele mãe. Não é assim que nós vamos resolver.
A D. Fátima se sentou outra vez com a ajuda do Anderson. Ela sentia raiva, decepção, tristeza, frustração. Eu tinha certeza que ela se perguntava onde tinha errado, exatamente como a minha mãe se perguntou muitas vezes.
- Querida, calma, nós vamos resolver. Ele está doente, precisa ser tratado. - O Sr. Ary se abaixou diante dela e falou com carinho. - Nós vamos superar isso juntos.
- O que ele precisa é de uma boa lição. Mas o problema é que você sempre teve tudo muito fácil, não é, Felipe?! E a culpa é minha! - A D. Fátima encarou o filho que ela considerava perfeito, no auge da sua decepção.
- Mãe, eu não queria. - O Felipe nem conseguia erguer a cabeça, as lágrimas pingavam no chão e a voz dele estava carregada de tristeza e arrependimento. - Eu só achei que eu ia conseguir, que eu ia ganhar o dinheiro de volta... eu ganhei muito dinheiro no início...
- E você pensou que a sorte ia voltar e você ia conseguir todo esse rombo antes que descobríssemos. - O Anderson falou com tristeza. - Como você entrou nessa, Felipe?
O Sr. Ary tocou o braço da D. Fátima e a fez se sentar com gentileza. O Felipe olhou para o Anderson, a vergonha estampada no rosto dele.
- Os caras do trabalho faziam um pôquer semanal, apostas razoáveis. No começo eu comecei a ganhar, ninguém era páreo para mim, eu ganhei uma grana deles. Mas depois de um tempo eu comecei a perder, perdia muito, mas não podia mais sair, eu tinha entrado e sair seria morte social. Eu queria entrar no grupo, queria me destacar. Eu só... - Ele não sabia como dizer, mas eu sim.
- Você só queria ser como eles. - Eu suspirei e ele me encarou. - Mas você nunca seria um deles, porque nada que você fazia era suficiente. As roupas caras e o carro não foram suficientes. As baladinhas caras não eram suficientes. Nada era suficiente porque você nunca seria como eles, porque você poderia ser melhor que eles e eles te destruiram porque sabiam disso. - Eu conhecia aquele roteiro tão bem.
- Mais ou menos. Eu comecei com as apostas online para ter dinheiro para jogar com eles toda semana. Depois eles acharam que só a mesa de pôquer semanal que fazíamos era pouco e começaram a marcar em cassinos clandestinos. Eu fui a vários...
- E o roteiro é sempre o mesmo. Nas primeiras vezes você ganha e depois que já não consegue parar você perde, mas se ilude que na próxima rodada vai ganhar e quebrar a banca. - O Anderson comentou sem encarar o Felipe.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Por que o livro da Giovana e do Anderson está ficando em meio ao livro do Jose Miguel e da Eva. Ficou muito bagunçado isso...
Faltou apenas os três últimos capítulos completos, poderiam liberar ne?...
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...