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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

Era como se a mulher a minha frente fosse alguém totalmente diferente, mais discreta, mais elegante e certamente mais agradável. Eu não via a Maya há muito tempo. Tudo o que eu soube foi que ela tinha trancado a faculdade faltando poucas matérias para se formar e nunca mais voltou.

- Ah, qual é Giovana, sua língua é mais afiada que isso. Vai, pode mandar, fala o que você está pensando. - Ela sorriu e abriu os braços mostrando que estava pronta para receber as minhas implicâncias.

- Tá... mas depois não reclama. Eu sempre quis saber, o que aconteceu com o trabalho de conclusão de curso. Você agarrou a posse e propriedade? - Eu sorri, me lembrando da última vez que tinha falado com ela.

- Ridícula! - Ela riu. - Eu fiz melhor. Enquanto eu estava olhando para aquele quadro e tentando engolir aquele tema, a caloura mais abusada e irritante que eu já vi na vida resolveu aparecer para pegar no meu pé. Mas, eu não sei se foi sem querer... ou se foi querendo... acontece que ela me deu um tema melhor.

Eu estreitei os meus olhos, eu sabia que ela falava de mim, claro, então eu tentei me lembrar do que tinha dito a ela.

- Você me disse que às vezes é preciso recalcular a rota. - Ela me lembrou. - Eu levei um mês pensando sobre aquilo, Giovana. Muitas pessoas já tinham me dito que talvez eu estivesse insistindo em algo que não era para mim, mas quando a garota prodígio, o ser mais irritante da face da terra me falou aquilo, pareceu uma afronta. Afinal, o que você sabia sobre recalcular a rota? Você tinha uma vida perfeita, fazia as coisas acontecerem e olha só onde chegou, conseguiu tudo o que queria, se formou, se casou com o gatinho, se tornou delegada. Aliás, parabéns por tudo isso.

- Obrigada, Maya. Mas você nem imagina o que eu vivi antes de chegar a faculdade. As coisas nem sempre estiveram muito claras para mim. - Eu respondi.

- Foi exatamente a essa conclusão que eu cheguei. Você tinha certeza demais de tudo o que queria. - Ela fez uma pausa. - E eu pensei tanto sobre isso que eu cheguei a uma conclusão: eu não tinha certeza nenhuma do que eu queria, não como você. A faculdade não me dava um propósito como dava para você ou para o Anderson.

- Então você trancou. - Eu falei.

- Tranquei! - Ela deu de ombros. - Meu pai ficou uma fera, mas eu queria fazer um intercâmbio e ele disse que concordaria desde que ele escolhesse o lugar, porque ele não ia bancar um intercâmbio de festas e compras na Europa. - Ela deu uma risada tão divertida, tão leve, que eu ri com ela. - Eu concordei e ele me mandou para a África. Um ano lá. Sem turismo safari, sem hotel chique, sem "turistar". Um ano para conhecer a gente, a cultura e aprender a me virar.

- Você não durou uma semana. - Eu brinquei e ela deu uma gargalhada.

- É, eu quase voltei. Mas o meu pai disse que não ia pagar a passagem para que eu voltasse antes do combinado. Foi aí que eu comecei a fazer pequenos trabalhos lá... garçonete, essas coisas. Os primeiros seis meses foram horríveis, mas aí eu conheci algumas pessoas e me juntei a uma organização humanitária e fiquei dois anos por lá. - Ela falou com naturalidade e eu quase caí sentada. - Aí eu descobri a minha vocação, Giovana. Voltei da África e terminei as matérias que faltavam do curso... você já não estava mais na faculdade, claro. Aí eu fiz uma especialização, me casei com o ex-estagiário puxa-saco do meu pai e, enquanto ele e o meu pai tocam o escritório, eu uso o meu sobrenome para arrecadar donativos e promover outras ações de arrecadação de fundos.

- Tá, a sua vocação é ajudar a quem precisa? Isso é estranho. - Eu brinquei e ela riu.

- A minha vocação é dar festas e arrancar dinheiro do meu pai, caloura. - Ela deu uma gargalhada. - E agora eu faço isso em larga escala, dou festa e arranco dinheiro de gente rica para enviar para quem precisa.

- Eu estou chocada! - Eu admiti.

- Eu sabia! Por isso eu precisava falar com você. Só para te deixar assim uma vez na vida. - Ela riu de novo, parecia mesmo feliz e mais leve. - Obrigada, Giovana. A sua ideia de recalcular a rota deu muito certo pra mim. Eu só queria mesmo te agradecer e me desculpar pelas idiotices na faculdade.

CASAL  2 - Capítulo 163: A verdadeira vocação 1

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