"Giovana"
A placa sobre a minha mesa com o nome Delegada Cavalcante brilhava com o reflexo da luz da tarde que entrava pela jenela, mas para a equipe inteira daquela delegacia eu continuava sendo a Delegada Ferinha. E eu gostava de ser a Delegada Ferinha!
Havia se passado pouco mais de um ano desde que eu ocupei a vaga de delegada aqui e o Bonfim tomou posse como Delegado-Geral. Um ano em que a nossa rotina tinha se estabilizado de forma perfeita: eu comandava as investigações e aprendia tudo o que o Flávio podia me ensinar, e o Anderson brilhava no Ministério Público, seu trabalho sendo reconhecido cada vez mais, o que me dava um orgulho absurdo.
Nós éramos perfeitos juntos, nos entendíamos no olhar e ele era sempre tão atencioso as menores coisas que me emocionava. Ontem mesmo eu caí no choro quando cheguei em casa exausta e ele me carregou da porta até o sofá, tirou os meus coturnos e massageou os meus pés, beijando cada um com reverência. Droga, eu estava ficando molenga e chorona.
Eu suspirei com a lembrança da noite anterior e voltei ao trabalho. Eu estava terminando de revisar um relatório de inquérito quando uma batida na moldura da porta da minha sala, que já não existia mais, me fez erguer a cabeça. O Bonfim entrou, vestindo um de seus ternos impecáveis, segurando uma caixa de papelão com o cheiro inconfundível de croissants quentinhos da padaria central.
- Licença, chefe. - Ele brincou com aquele sorriso fanfarrão de sempre, colocando a caixa em cima das minhas pastas. - Vem cá, essa sala agora vai ficar sem porta também?
- Ah, Bonfinzinho, acredite, eu entendio bem porque o Flavinho tirou a porta da sala dele. - Eu comentei e ele deu uma gargalhada.
- Ah, Gigi, você não precisava tirar a porta. Depois que correu pelas delegacias a notícia de que a Delegada Ferinha foi quem quebrou o braço daquele delegado merdinha da tóxicos e o deixou de olho roxo, ninguém mais vai tentar se engraçar com você.
Eu ri ao me lembrar daquele delegado idiota que achou que podia entrar na minha sala e me assediar livremente.
- Aquele idiota! É melhor deixar sem porta, Bonfim, assim fica o lembrete para todo mundo. Aquele idiota já foi removido?
- Ah, já... vai cumprir o castigo dele lá na delegacia de campanário, a cidade do Flávio e da Mel. Lá é um marasmo. Há anos não acontece nada de interessante lá. - O Bonfim gargalhou.
- Meu delegado! Não tem um servicinho lá na chefia nao? Tá sempre por aqui. Não que eu ache ruim. - O Flávio entrou rindo e me entregou uma pasta.
- Ah, eu tenho muito serviço por lá. Mas eu fico com saudade das minhas crianças e passei para fazer uma vistoria de rotina no café da delegacia e trouxe um lanchinho. - O Bonfim respondeu e abriu a caixa.
O aroma de manteiga e massa folhada invadiu a sala e, no mesmo milissegundo, o meu estômago deu uma reviravolta tão violenta que eu precisei tapar a boca com a mão. Empurrei a caixa para longe, sentindo um suor frio brotar na minha nuca.
- Tira isso daqui, Bonfim, pelo amor de Deus. - Eu resmunguei, engolindo em seco e me encostando na cadeira. - Estou com uma indisposição horrível. Acho que foi a maionese que eu comi no almoço.
- Uma indisposição, é? - Ele soltou uma risada baixa, balançando a cabeça. - Engraçado... me lembrei da Jujuba. Ela passava o dia reclamando exatamente desse mesmo tipo de indisposição com cheiro de comida no início da gravidez.



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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque o livro do Anderson e da Giovanna não foi finalizado?...
Pq está travado, não consigo ler os próximos capítulos, depois do 265 Que inclusive é a parte da giovana...
Por que o livro da Giovana e do Anderson está ficando em meio ao livro do Jose Miguel e da Eva. Ficou muito bagunçado isso...
Faltou apenas os três últimos capítulos completos, poderiam liberar ne?...
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...