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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 2

"Giovana"

Eu tateei procurando o celular sobre a mesinha de cabeceira. O alarme estava tocando como se fosse um "clarinete de guerra", claro, alto e agudo. Eu me sentei na cama e abri os olhos, peguei o celular e desativei o despertador que eu, não por acaso, tinha programado para as sete e dezoito da manhã, não só porque eu estava acostumada a acordar cedo, mas porque o número dezoito tinha especial importância para mim hoje. Era esse o número que estaria nas velas sobre o bolo mais tarde.

- Finalmente dezoito! - Eu murmurei e fui em direção ao espelho.

Eu observei o meu reflexo atentamente. Meu cabelo era o mesmo, nada no meu rosto havia mudado, nem meus peitos estavam maiores, continuava tudo exatamente igual. Eu franzi as sobrancelhas pensando que alguma coisa naquela experiência de atravessar a "porta mágica" que me transformaria em uma jovem de dezoito anos havia falhado, porque eu era exatamente a mesma garota. Eu me sentia exatamente a mesma garota!

Eu confessei para mim mesma que eu estava me sentindo um pouco frustrada, porque quando eu fiz quinze e minha avó disse que eu era uma mocinha, eu me senti diferente, mas agora, aos dezoito, parecia tudo igual, como se o tempo estivesse congelado e eu tivesse ficado presa entre ter dezessete e fazer dezoito.

E a minha decepção residia no fato de que eu sempre achei que os dezoito anos chegariam como a trombeta da liberdade, ressoando alto, forte e cheio de mudanças. Que eu me sentiria mais mulher e menos menina. Mas chegou mesmo com aquele toque do despertardor, soando como a realidade batendo na minha porta com a sutileza de um elefante numa loja de cristais.

E não bastava eu olhar para o meu reflexo e me sentir uma menina, meu pai e a Hana entraram no meu quarto com os gêmeos no colo, chapéuzinhos coloridos na cabeça, balões coloridos e cantando uma versão desajeitada de "parabéns pra você".

- Finalmente dezoito, Gi! Que seja muito melhor do que você planejou. - A Hana me abraçou alegremente e o Bento já estava esticando os bracinhos para vir para o meu colo.

- Ah, meu bebê! - Eu segurei meu irmãozinho e enchi de beijos as suas bochechinhas rosadas.

Eu devolvi o meu irmão para a Hana, que o colocou no carrinho e peguei a minha irmãzinha, que estava agitando os bracinhos e sorrindo feliz com as cores dos balões. Depois de apertar e beijar a minha irmã, eu a coloquei no carrinho junto com o nosso irmão e olhei para o meu pai.

- Maior de idade! - Ele sorriu pra mim. - Agora você pode fazer o que quiser da sua vida e eu não posso mais te proibir.

- Ah, pai, você sabe que não é bem assim. Não dá pra fazer o que eu quiser sem ter dinheiro, você continua sendo o cara da grana, então você ainda me controla. - Eu brinquei e ele deu aquela gargalhada jogando a cabeça para trás.

- Você tem razão! Como é bom ter poder! - Ele brincou, me fazendo rir e me puxou para um abraço. - Eu te amo, filha! Desejo que todos os seus sonhos se tornem realidade, que você continue crescendo como essa moça incrível e responsável que eu estou vendo você se tornar e que você sempre possa tomar as melhores decisões, mas quando tiver dúvida, pergunte para o papai. Aliás, pergunte para o papai mesmo quando não tiver dúvida. - Ele me soltou, olhou bem nos meus olhos e sorriu. - Você está completando dezoito, mas você sabe como funciona, você ainda segue as minhas regras, não muda nada, ainda que um advogado diga que muda.

Ele deu um grande sorriso e uma piscadinha pra mim, deixando claro que o seu tom era de brincadeira. Mas na prática, o meu pai não poderia estar mais certo, nada tinha mudado, era só um novo dia.

- Agora vai se arrumar para não chegar atrasada na escola. - Ele me deu um beijo na testa e se virou com o carrinho dos gêmeos. Realmente nada tinha mudado.

- Pai, hoje é domingo! - Eu o lembrei e ele riu.

Eu saí da mesa suspirando, chateada porque quem eu mais queria ver não tinha me mandado uma mensagem sequer ainda. Meu namorado deveria estar desmaiado na cama como um leão que recebeu um dardo tranquilizante. Eu abri a porta e o mensageiro do prédio, um homem jovem que estava sempre sorrindo, segurava um buquê de rosas vermnelhas entremeadas por bembons embalados em papel dourado.

- Bom dia, Giovana! - Ele sorriu para mim e me entregou o buquê, me indicando para assinar o livrinho de protocolo. - Soube que é seu aniversário. Parabéns, que você seja muito feliz!

- Muito obrigada!

Eu sorri para ele genuinamente, porque ele era aquele tipo de gente que te dava "bom dia" sorrindo, como se todos os dias dele fossem dias bons e só isso já melhorava o dia de quem o encontrava, pelo menos melhorava o meu.

Eu devolvi a caneta e peguei o cartãono meio das flores onde eu li "para a minha ferinha" e instantâneamente eu soube que o meu namorado até poderia estar dormindo, mas ele não tinha se esquecido. Mas no momento em que eu comecei a fechar a porta uma única rosa vermelha, sem nenhum adorno, foi colocada diante de mim por alguém atrás da parede.

- Não é possível que você pensou que eu perderia o seu café da manhã! - O Anderson apareceu na minha frente, com aquela camiseta branca e os jeans desbotados que o deixavam parecendo ainda mais jovem do que era.

Meus olhos se encheram d'água, eu coloquei o buquê sobre o aparador ao lado da porta e pulei no pescoço dele. Ele me segurou pela cintura e me tirou do chão, imediatamente capturando a minha boca em um beijo que me roubou o fôlego.

- Eu não perderia isso por nada, Ferinha! - Ele me deu mais um beijo rápido e tão doce quanto um torrão de açúcar. - Feliz aniversário, minha linda! Que sua vida seja intensa e incrível como você.

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