"Eva"
Depois que saímos do hospital, o José Miguel me levou para a casa da minha mãe, mas só para que ela visse que eu estava bem, e depois do jantar nós fomos para o apart.
A paciência dele parecia infinita. Ele não saiu do lado da cama do hospital até que eu recebi a alta, esteve atento a mim e a cada necessidade minha o tempo inteiro, segurou a minha mão e me ofereceu os sorrisos mais doces. Ele teve a consideração de me levar até a casa da minha mãe sem que eu precisasse dizer nada, mas também não abriu mão de cuidar de mim. E quando chegamos ao apart ele entrou no chuveiro comigo e me deu banho como se eu fosse muito preciosa e devesse ser cuidada com muito zelo.
- Como você está se sentindo? - Ele perguntou baixinho quando nos deitamos e ele me puxou para os seus braços.
- Cansada. - Eu confessei. - Eu poderia ter ficado em casa, você não precisa ter tanto trabalho cuidando de mim.
- Que trabalho, amorzinho? Cuidar de você não é trabalho, é um prazer e é algo que eu quero e gosto de fazer, então não seja boba. - Ele deu um beijo na minha testa. - Além disso, Eva, nós estamos juntos, você agora mora comigo! Ou não foi isso que combinamos?
- Na verdade foi isso que você decidiu. O que nós combinamos é que eu não vou fugir de novo. - Eu brinquei e ele ergueu o meu queixo para que eu olhasse para ele.
- Você está mudando de idéia? - Ele perguntou sério.
- Não! Eu não estou mudando de idéia. Eu disse que eu não vou mais fugir e não vou embora. Isso é sério, Rossi. - Eu falei e passei a mão pelos cabelos dele.
- Ótimo! Porque eu gostaria que você desse uma olhada numa casa que está disponível no condomínio do Matheus. É ao lado da casa dele, na verdade. - Ele falou com os olhos fechados enquanto eu passava a mão em seus cabelos.
- Uma casa? - Eu olhei para ele surpresa, eu não esperava por aquilo.
- O quê? Você não pensou que criaríamos nosso filho nesse apart, né?! - Ele me olhou como se estgivesse dizendo o óbvio.
- Eu não me importo com o lugar, eu me importo que você esteja nele comigo. - Eu declarei em tom alto e claro para que ele tivesse certeza de que eu estava falando sério.
- E eu estarei! Mas eu quero colocar o mundo aos seus pés e quero que o nosso filho cresça num lugar espaçoso e que tenha um quintal, talvez um cachorro ou dois... além do Matheus, claro! - Ele me fez rir. - E eu estava pensando em procurar uma casa, mas o Matheus sugeriu que fôssemos vizinhos e ele fez contato com o corretor antes de viajar e está insistindo que a gente veja essa casa.
- O Matheus nos quer morando ao lado da casa dele? - Eu achei graça, era bem a cara do Matheus ter essas idéias.
- Ele disse que "nossas garotas iriam gostar de morar perto", com estas palavras. - Ele contou.
- Espera! Ele está fazendo planos com a Gabi? - Eu perguntei animada.
- Sim, mas ele ainda não se deu conta disso. Eu conheço o Cachorrão, ele está completamente apaixonado pela Gabi, mas não entendeu isso ainda. Então ele fala que eles estão tendo um lance, um evento exclusivo e que por enquanto ele não consegue ficar longe da Peste dele. - Ele deu uma risada curta. - Ele a ama e eu espero que ele entenda isso logo.
- Que bom pra eles, porque ela está igual, caidinha de amores por ele, mas morrendo de medo de admitir e quebrar a cara. - Eu contei e pensei por um momento. - Acho que sermos vizinhos vai ser ótimo, nós podemos ajudar esses dois a entenderem que não são temporários um para o outro.
- O que acha de irmos ver a casa amanhã?
- Acho que eu vou gostar. - Eu sorri e aninhei a minha cabeça no peito dele. - Obrigada por pensar nisso e não querer me enfiar naquela casa que a cobra de aplique habita.
- Atrapalhei o seu sono? - Eu perguntei e ele pegou a minha mão.
- Vem cá! - Ele me puxou para o seu colo com carinho e deu um beijo na base do meu pescoço. Depois ele puxou o meu prato para mais perto. - Você não me atrapalha, mas eu não consegui dormir e observei que você parecia estar tendo um sonho ruim. Eu queria te acordar, mas não sabia se devia.
- Da próxima vez, por favor, me acorde. - Eu pedi e o abracei.
- Combinado. Agora abra a boca.
Ele pegou a torrada com ovos do meu prato e me ofereceu. Eu fiz uma careta, mas ele insistiu. Eu precisava comer, pelo meu filho, então eu mordi a torrada. E com a paciência infinita dele, ele me alimentou, colocou cada bocado na minha boca seguido de beijinhos pelo meu rosto e pelo meu pescoço, até no meu ombro, sussurrando elogios e palavras doces.
Depois daquele café que me fez esquecer a noite mal dormida, nós saímos para visitar a casa que ele tinha falado no dia enterior. Quando ele parou em frente a casa, eu sabia que não precisava ver o interior. As grandes portas duplas e janelas de vidro já indicavam que a casa recebia muita luz natural e a grama verde pelo pátio da frente salpicado de flores contrastava lindamente com o tom marfim das paredes externas. O grande sorriso no meu rosto enquanto eu olhava para aquela casa de dois andares com varanda dispensava qualquer comentário.
- Acho que quando o Cachorrão voltar ele terá vizinhos. - O José Miguel comentou com um sorriso quando eu saí do carro segurando a mão dele.
- Eu sou tão óbvia assim? - Eu perguntei com um sorriso que cortava o meu rosto ao meio.
- Com esse brilho nos olhos e esse sorriso? - Ele perguntou e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. - É, você é óbvia, amorzinho! Vamos!
Nós entramos na casa de mãos dadas com o coração cheio de alegria e ansiedade. Um mundo inteiro se abria diante dos meus olhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...