"Gabriele"
Nós já estávamos em Cancun há três dias, para cima e para baixo atrás do médico charlatão. Nós já sabíamos tudo o que ele fazia e com quem ele se encontrava, mas o Matheus ainda estava esperando a confirmação sobre os sócios da tal clínica de estética. Essa informação não deveria ser tão difícil, mas parecia guardada sob sete chaves.
- O que foi, carrapato? Você está muito calado desde que falou com o Rossi essa manhã. - Eu o encarei, não estava acostumada com aquele jeito introspectivo dele.
Nós estávamos sentados dentro do carro que ele havia alugado, esperando o Mauro sair de dentro da tal clínica, ele estava lá há horas.
- É que o Rossi me falou uma coisa. - Ele falou simplesmente. - O que a Evita falou com você?
- Ela me contou que aquele filho da puta do Leon a drogou. Ai, como eu odeio aquele idiota! - Eu me lembrei da conversa que tive com a Eva. - Tomara que ele tenha se ferrado! É por isso que você está com essa cara? Pode ficar tranquilo, nosso afilhadinho está bem.
- Eu sei. Mas... - Ele parou de falar e olhou para o horizonte, como se contemplasse os próprios pensamentos materializados. - Eu estou pensando no que a concubina do demo falou para a Eva.
- O quê, aquela sugestão de que a vadia morta está viva? Aquilo é delírio, Carrapato! Ou você não foi no enterro?
- Aí que está, eu fui. - Ele me encarou.
- Qual o problema, o caixão estava lacrado? - Eu perguntei rindo, não estava entendendo a preocupação do Matheus.
- Não, o caixão não estava lacrado, o Rossi queria que fosse, mas a nascida do inferno proibiu, disse em alto e bom som, para todos escutarem que os caixões estavam abertos para que o Rossi encarasse o que ele fez. Nossa, aquilo foi muito cruel! Aqueles bebês tão pequenininhos. - A voz dele embargou e eu não precisava que ele tirasse os óculos escuros para que eu soubesse que a emoção estava brilhando nos olhos dele.
- Em que nível de maldade está uma criatura para fazer e dizer algo assim? Essa mulher não é humana. - Eu comentei e percebi o Matheus erguendo os óculos e esfregando os olhos com as pontas dos dedos.
- Não, ela não é humana, ela é o diabo encarnado! - Ele falou e suspirou. - Ela é tão diabólica que eu chego a pensar que... - Ele pensou antes de falar e então se virou para mim. - Peste, essa conversa vai ficar entre nós, porque eu acho que o Rossi não quis preocupar a Evita.
- Ai, ai, ai, lá vêm vocês de novo! - Eu estalei a língua começando a me irritar. - Da última vez que você me pediu para não contar nada ela brigou comigo. - Eu o lembrei.
- Eu sei, Peste, mas isso é só uma doideira na minha cabeça. Acho que o Rossi nem cogita essa hipótese.
- Do que você está falando, Carrapato?
- Pode ser, pensando bem fora da caixinha, que, por uma dessas reviravoltas do destino, que a vadia morta ressucite. - Eu olhei para ele e talvez os meus olhos tenham pulado das órbitas. - Ela foi arremessada para fora do carro e bateu o rosto numa árvore. O rosto dela estava completamente desfigurado e para o velório, eles enfaixaram o rosto dela.
- Puta que pariu! Vocês não têm certeza de que era a vadia morta. - Meu queixo caiu.
- Tínhamos... agora não temos. - Ele abaixou a cabeça no volante. - Mas isso nao pode ser. O Dr. Molina garantiu, ela estava quase morta quando ele terminou o parto. Eu vi o carro, o local do acidente, fui eu quem resolveu tudo para o Rossi acompanhá-la na ambulância, por isso eu não estava no hospital. E quando eu cheguei no hospital ela já tinha morrido e o corpo estava no necrotério. Aí eu fui cuidar dos trâmites, o Rossi estava em choque e invocação do mal estava... ela estava vociferando que o Rossi havia matado a filha dela.
- Isso é uma merda muito grande! - Eu sibilei. - O Rossi mandou cremar os ossos.
- Pois é, e um DNA das cinzas... as chances de sucesso são muito baixas. Mas nós vamos fazer, nem que precise usar aquele pote inteiro de cinzas, mas nós vamos ter que fazer. - Ele se inquietou.
Foi justo naquele momento que o Mauro saiu da clínica e saiu sozinho. Nós precisávamos focar no que estávamos fazendo ali, mas enquanto eu via o Mauro entrar no próprio carro, eu tive uma idéia.
- Carrapato, foca no aqui e agora. Segue o Dr. Fake News. - Eu avisei e ele ligou o carro. Assim que entramos no trânsito eu comecei a expor a minha idéia. - Carrapato, se a vadia morta tivesse saído daquele hospital viva, ela precisaria de cuidados médicos, não precisaria?
- Com certeza. E ela... - Ele parou e me deu uma olhada rápida com um sorriso surgindo no rosto. - Ah, Peste delícia, essa cabecinha linda não é só enfeite! Se ela está viva o Dr. Virose sabe! Porque ele é um charlatgão, mas ele teria meios de cuidar dela.
- Exatamente e se conseguirmos conquistá-lo, ele vai nos contar tudinho. Principalmente se nós soubermos todos os podres dele. - Eu sugeri.
- Eu já sei vários. - Ele brincou.
- É, mas eu vou arrancar os que faltam.
- Não estou gostando. - Ele me olhou.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...