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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 207

"Gabriele"

Eu estava parada na recepção da clínica esperando pelo Mauro. Eu dei uma boa olhada no lugar e tirei umas fotos discretamente, especialmente dos muitos certificados na parede. Era um lugar bem montado, tinha luxo e refinamento.

- Gabi! Que bom que você veio.

O Mauro apareceu sorridente, acompanhado de uma mulher mais ou menos da altura dele, cabelos pretos abaixo dos ombros, bem magra e com aquele rosto que parecia moldado numa linha de produção com o básico obrigatório da padronização, preenchimento labial excessivo, botox que congela até o cérebro, nariz fininho de ponta elevada e bochechas afinadas com maçãs do rosto saltando.

- Mauro, eu não perderia isso por nada! - Eu sorri e fui ao encontro deles.

- Que bom! Essa é a Ximena, minha namorada e sócia aqui na clínica, te falei dela. E não se preocupe, ela fala o nosso idioma. - Ele respondeu muito atencioso.

- Ai, que alívio! É um prazer conhecê-la, Ximena. - Ela pareceu simpática, mas desconfiada.

Eles me levaram para conhecer a clínica. Eles faziam de tudo um pouco ali, em matéria de tratamento estético não faltava nada, desde massagens até alguns procedimentos que eu não me arriscaria a fazer fora de um hospital.

- O que você acha de vestir o avental e nós damos uma olhada em você e no que podemos fazer para melhorar a sua aparência? O Mauro disse que você quer se sentir bonita. - A Ximena sugeriu num português perfeito e sem nenhum sotaque. A essa altura ela já estava mais relaxada, mas também perguntou discretamente vários detalhes da minha vida.

- Que mulher não quer? - Eu sorri e já estava pronta para me trocar quando os gritos irromperam de fora.

Eram vozes masculinas, discutindo por uma dívida. O constrangimento no rosto da Ximena e a irritação nos olhos do Mauro eram notáveis.

- 'Estoy harto de tus excusas, Poncho. Quiero el pago completo, incluyendo los intereses de la semana.' - Uma voz grossa falava alto como um trovão, parecia vir da recepção, exigindo um pagamento com juros e sem disposição nenhuma para dar mais prazo.

- 'Solo veinticuatro horas más.' - A voz trêmula de outro homem denotava que ele estava sendo acuado. Pelo jeito que o outro homem estava nervoso, eu tinha a impressão que vinte e quatro horas não faria a menor diferença para o devedor se ele já não tivesse o dinheiro.

- 'Tienes doce horas. O esta clínica será mía.' - O primeiro decretou e então se fez silêncio.

No minuto seguinte a porta da sala onde estávamos foi aberta abruptamente.

- Preciso da sua ajuda, Mo... Ah, não sabia que você estava atendendo. - Ele olhou para mim, mas foi como se não desse importância a minha presença, ele estava atordoado.

- 'Estoy ocupada, Poncho.' - Ela respondeu e eu não entendi porque ela tinha falado em espanhol, afinal o homem entrou falando em português.

- 'Tengo prisa, Nana. Es urgente.' - O homem insistiu.

- Gabi, querida, me desculpe por isso, o Poncho é um tanto desatento, mas é da família, sabe como é?! - O Mauro sorriu, mas estava claro que queria se livrar de mim rapidamente.

- Família? Ele trabalha com vocês? - Eu perguntei curiosa.

- Sou sócio e a alma desse lugar. - O Poncho respondeu convencido.

- Ah, é um grupo de médicos então, pensei que a clínica era sua Mauro? - Eu perguntei com ar inocente.

- Na verdade é de nós três apenas. - O Mauro sorriu, nitidamente desconfortável, mas tentando manter a pose.

- E você também tem as mãos mágicas? - Eu sorri para o tal Poncho, um homem da estatura do Mauro, que usava barba e bigode, mas tinha a cabeça raspada e não é que ele fosse careca, ele raspava o cabelo.

- As minhas mãos são as melhores e eu faria maravilhas no seu rosto. E talvez você deva pensar em tirar essa gordurinha que sobra nas suas pernas. - Ele sorriu e eu senti um calafrio subir pela minha coluna.

Eu poderia até não ser uma beleza estonteante, mas eu estava satisfeita como o meu rostinho original de fábrica. Mas falar das minhas pernas foi sacanagem, eu olhei para elas com um pouco de mágoa, eu sabia que elas eram mais grossas que o "padrão estabelecido" e já tinha ouvido muita coisa depreciativa como o comentário dele, que me pegou de surpresa, porque eu não perguntei e ele estava olhando descaramente.

- Não seja convencido, Poncho. - O Mauro chamou a atenção dele. - Desculpe, Gabi, mas meu cunhado se acha o rei da cirurgia plástica e às vezes ele é inconveniente. O que você acha de remarcarmos a nossa avaliação?

- Ah, para mim tudo bem, Mauro. - Eu forcei um sorriso, me despedi dos outros dois e o Mauro me acompanhou até a porta de saída, como se quisesse ter certeza de que eu estava indo embora.

- ¿Tiene otros clientes en la clínica? Cierre todo y cancele todas las citas de hoy y mañana. - Eu ainda pude ouvir a ordem do Mauro de fechar a clínica por dois dias antes de chegar ao portão.

Eu entrei num taxi que estava passando e vi o Matheus piscar os faróis em sinal. Alguns quarteirões depois, numa região mais movimentada, eu pedi que o motorista parasse, paguei a corrida e desembarquei. Olhando para todos os lados eu entrei no carro do Matheus.

Assim que eu me sentei o Matheus tirou os meus óculos escuros e virou o meu rosto de um lado para o outro e depois observou lentamente o meu corpo, soltando um suspiro aliviado.

Capítulo 207: Quem o Mauro esconde 1

Capítulo 207: Quem o Mauro esconde 2

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