"Gabriele"
Eu estava parada na recepção da clínica esperando pelo Mauro. Eu dei uma boa olhada no lugar e tirei umas fotos discretamente, especialmente dos muitos certificados na parede. Era um lugar bem montado, tinha luxo e refinamento.
- Gabi! Que bom que você veio.
O Mauro apareceu sorridente, acompanhado de uma mulher mais ou menos da altura dele, cabelos pretos abaixo dos ombros, bem magra e com aquele rosto que parecia moldado numa linha de produção com o básico obrigatório da padronização, preenchimento labial excessivo, botox que congela até o cérebro, nariz fininho de ponta elevada e bochechas afinadas com maçãs do rosto saltando.
- Mauro, eu não perderia isso por nada! - Eu sorri e fui ao encontro deles.
- Que bom! Essa é a Ximena, minha namorada e sócia aqui na clínica, te falei dela. E não se preocupe, ela fala o nosso idioma. - Ele respondeu muito atencioso.
- Ai, que alívio! É um prazer conhecê-la, Ximena. - Ela pareceu simpática, mas desconfiada.
Eles me levaram para conhecer a clínica. Eles faziam de tudo um pouco ali, em matéria de tratamento estético não faltava nada, desde massagens até alguns procedimentos que eu não me arriscaria a fazer fora de um hospital.
- O que você acha de vestir o avental e nós damos uma olhada em você e no que podemos fazer para melhorar a sua aparência? O Mauro disse que você quer se sentir bonita. - A Ximena sugeriu num português perfeito e sem nenhum sotaque. A essa altura ela já estava mais relaxada, mas também perguntou discretamente vários detalhes da minha vida.
- Que mulher não quer? - Eu sorri e já estava pronta para me trocar quando os gritos irromperam de fora.
Eram vozes masculinas, discutindo por uma dívida. O constrangimento no rosto da Ximena e a irritação nos olhos do Mauro eram notáveis.
- 'Estoy harto de tus excusas, Poncho. Quiero el pago completo, incluyendo los intereses de la semana.' - Uma voz grossa falava alto como um trovão, parecia vir da recepção, exigindo um pagamento com juros e sem disposição nenhuma para dar mais prazo.
- 'Solo veinticuatro horas más.' - A voz trêmula de outro homem denotava que ele estava sendo acuado. Pelo jeito que o outro homem estava nervoso, eu tinha a impressão que vinte e quatro horas não faria a menor diferença para o devedor se ele já não tivesse o dinheiro.
- 'Tienes doce horas. O esta clínica será mía.' - O primeiro decretou e então se fez silêncio.
No minuto seguinte a porta da sala onde estávamos foi aberta abruptamente.
- Preciso da sua ajuda, Mo... Ah, não sabia que você estava atendendo. - Ele olhou para mim, mas foi como se não desse importância a minha presença, ele estava atordoado.
- 'Estoy ocupada, Poncho.' - Ela respondeu e eu não entendi porque ela tinha falado em espanhol, afinal o homem entrou falando em português.
- 'Tengo prisa, Nana. Es urgente.' - O homem insistiu.
- Gabi, querida, me desculpe por isso, o Poncho é um tanto desatento, mas é da família, sabe como é?! - O Mauro sorriu, mas estava claro que queria se livrar de mim rapidamente.
- Família? Ele trabalha com vocês? - Eu perguntei curiosa.
- Sou sócio e a alma desse lugar. - O Poncho respondeu convencido.
- Ah, é um grupo de médicos então, pensei que a clínica era sua Mauro? - Eu perguntei com ar inocente.
- Na verdade é de nós três apenas. - O Mauro sorriu, nitidamente desconfortável, mas tentando manter a pose.
- E você também tem as mãos mágicas? - Eu sorri para o tal Poncho, um homem da estatura do Mauro, que usava barba e bigode, mas tinha a cabeça raspada e não é que ele fosse careca, ele raspava o cabelo.
- As minhas mãos são as melhores e eu faria maravilhas no seu rosto. E talvez você deva pensar em tirar essa gordurinha que sobra nas suas pernas. - Ele sorriu e eu senti um calafrio subir pela minha coluna.
Eu poderia até não ser uma beleza estonteante, mas eu estava satisfeita como o meu rostinho original de fábrica. Mas falar das minhas pernas foi sacanagem, eu olhei para elas com um pouco de mágoa, eu sabia que elas eram mais grossas que o "padrão estabelecido" e já tinha ouvido muita coisa depreciativa como o comentário dele, que me pegou de surpresa, porque eu não perguntei e ele estava olhando descaramente.
- Não seja convencido, Poncho. - O Mauro chamou a atenção dele. - Desculpe, Gabi, mas meu cunhado se acha o rei da cirurgia plástica e às vezes ele é inconveniente. O que você acha de remarcarmos a nossa avaliação?
- Ah, para mim tudo bem, Mauro. - Eu forcei um sorriso, me despedi dos outros dois e o Mauro me acompanhou até a porta de saída, como se quisesse ter certeza de que eu estava indo embora.
- ¿Tiene otros clientes en la clínica? Cierre todo y cancele todas las citas de hoy y mañana. - Eu ainda pude ouvir a ordem do Mauro de fechar a clínica por dois dias antes de chegar ao portão.
Eu entrei num taxi que estava passando e vi o Matheus piscar os faróis em sinal. Alguns quarteirões depois, numa região mais movimentada, eu pedi que o motorista parasse, paguei a corrida e desembarquei. Olhando para todos os lados eu entrei no carro do Matheus.
Assim que eu me sentei o Matheus tirou os meus óculos escuros e virou o meu rosto de um lado para o outro e depois observou lentamente o meu corpo, soltando um suspiro aliviado.
Nós voltamos direto para o hotel e assim que chegamos ao quarto a mensagem da Tatiana chegou com as duas fotos. Eu não precisei olhar duas vezes.
- São eles! Certeza! - Eu apontei e abri o laptop e numa pesquisa rápida eu encontrei uma foto dos irmãos num evento da cidade.
- Então agora vamos correr contra o tempo. Vou ligar para o Romeu e ele vai saber como agir. Peste, algum sinal da vadia morta? - Ele perguntou meio tenso.
- Não. Eu espero que ela esteja mesmo bem morta. - Eu respirei fundo. - Vai, Carrapato, vamos pegar quem nós já encontramos, eles vão ter muitas respostas e nós vamos dar um jeito de conseguí-las. Eu preciso voltar para o outro hotel, preciso ficar de olho no Mauro.
- Se eu disser pra você não ir...
- Eu vou assim mesmo.
- Então eu vou com você, coloco um boné e óculos, entramos separados, mas você não vai sozinha.
- Está bem, então vamos. Mas ele não pode te ver.
Meia hora depois nós estávamos no quarto que eu havia alugado no outro hotel, bem ao lado do quarto do Mauro, mas ele ainda não tinha voltado.
N.A.:
Olá, queridos... como estão?
Genteee, eu estou impressionada com as vozes nas cabecinhas de vocês, uma melhor que a outra! E as apostas estão rolando, será que a vadia morta virou pó mesmo ou será que é morta viva? E a Carla, será que dessa vez passa pano para o Leon? Eu acho que o Leon precisa de um corretivo mais denso, mas eu não sei se ele tem jeito. Mas tem uma pergunta muito mais interessante para vocês me responderem porque eu ouvi uma voz por aí dizer que o Brandão merece um amor pra chamar de seu, será? Eu amo quando um personagem começa sendo odiado e vai aprendendo a lição até que se torna um querido, tipo a Magda (quem leu "contrato para o caos" sabe do que eu estou falando). Eu sou uma grande fã de segundas chances! Quem nunca precisou de uma segunda chance? Somos humanos, não é mesmo?! Ah, e não percam amanhã a encomenda do bolo de aniversário.
E falando em aniversário... pessoal de janeiro, se apresente! Esse mês eu volto a canbtar os parabéns todos os dias para vocês. Confesso que nos dois últimos meses foi complicado. E alguns perguntaram, então, sim, o meu aniversário é dia 5, convido todos vocês a comer um brigadeiro por mim! rs... E obrigada pelos votos de Feliz Ano Novo!
Meus lindos, fim de semana está aí, aproveitem, se divirtam e, muito importante, sempre deixem as pessoas que vocês amam com palavras de afeto e positividade.
Um beijo no coração, tropa linda!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...