"José Miguel"
Depois que o Mauro deixou claro para a Carmem que ela não o controlava mais, eu continuei contando sobre como a Carmem chegou ao meu pai. Eu contei sobre as investidas frustradas dela e sobre as vezes que a minha mãe a colocou para correr. E então chegou na parte em que deixava de ser apenas a Carmem sendo exposta como uma mulher vulgar.
Eu peguei os dois diários da Cora e exibi diante dos olhos da Carmem. Na parede atrás de mim, um projetor começou a exibir alguns trechos daquele diário.
- Estes são os diários da Cora, minha nada distinta e falecida esposa. A mulher com quem eu me casei e a Carmem prega aos quatro cantos que era boa, nobre, honrada, que me amava e foi fiel, a mulher que a Carmem diz que eu matei covardemente. Eu gostaria de ler para vocês alguns trechos da obra literária que minha falecida esposa deixou para trás. - Eu respirei fundo, essa seria uma parte bem difícil.
Eu expliquei como havia encontrado os diários e contei sobre a juventudo da Cora, sobre o envolvimento dela com homens mais velhos para arrancar dinheiro deles e contei sobre o plano maquiavélico que ela e a mãe engendraram para chegar a mim. Então veio o primeiro golpe, a falsa gravidez e todo o drama com a Carmem me forçando a casar com ela. Eu já tinha explicado antes que eu não conheci a Carmem no passado porque os meus pais a mantiveram longe de mim.
- Chega, José Miguel, não tem porque você expor a sua esposa morta! - A Carmem reagiu, mas continuou de braços atados à Tatiana e à Berta. Eu simplesmente a ignorei.
- "Minha mãe me lembrou hoje que cada beijo que eu dou no José Miguel é um passo mais perto de vingar o que o pai dele fez com ela, todo o desprezo que ela sofreu. Apesar de lindo, o José Miguel é um chato e o que me interessa mesmo é o dinheiro e o poder que ele tem. Às vezes acho que a minha mãe me olha com inveja quando me vê com ele." E isso foi no dia do meu casamento.
Um murmúrio de choque percorreu os convidados. As pessoas criaram um círculo ao redor da Carmem, só a Berta e a Tatiana permaneciam próximas a ela, mas apenas para segurá-la até o final. Eu olhei para o lado e vi o olhar da Eva me dando força para continuar. Eu continuei lendro trechos dos diários que iam surgindo na projeção atrás de mim, trechos que contavam da falsa gravidez e como elas debocharam de mim quando eu acreditei que a Cora tinha perdido o bebê. Eu li sobre os muito amantes, as várias crises de ciúme sem sentido que ela inventava, sobre a desconfiança dela de que a Carmem queria me roubar dela, sobre a gravidez dos gêmeos, a dúvida da paternidade, os exames de DNA, a remédio que matou os bebês e de como a Cora planejava forjar um acidente e depois se livrar da própria mãe e nesse momento os olhos da Carmem saltaram das órbitas, ela não sabia dessa parte.
- Me permite, José Miguel? - O Mauro pediu a palavra e eu entreguei o microfone a ele. - É, fui eu quem deu o remédio para a Cora abortar, por vários motivos que você já imagina, não é Carmem, eu gostava dela e nós estávamos de caso. Mas, numa coisa a Cora estava certa, a Carmem pretendia se livrar dela para ficar com você, José Miguel. A Carmem planejava fazer você acreditar que a Cora estava sofrendo de depressão pós parto e era um perigo para os próprios filhos. Ela internaria a Cora no hospital em definitivo, a Cora ficaria cada vez mais desequilibrada através de remédios e seria declarada incapaz. A Carmem tinha certeza que com o tempo, com o amor que ela dedicaria a você e usando os seus filhos, você logo seria convencido a se divorciar da Cora e se casar com ela, se não porque estaria apaixonado, pelo bem dos seus filhos. Uma loucura, né?! Mas a Carmem é assim, fria, calculista e só pensa no próprio benefício.
- Vocês estão inventando isso! Tudo isso não passa de invenção e armação. - A Carmem gritou descontrolada.
- Não, Carmem, eu não tive o trabalho de trazer todas essas pessoas aqui à toa. Além do mais, o seu caderninho com a sua contabilidade da extorsão tem a sua letra e os diários da Cora têm a letra dela. Você não tem como negar o que eu estou provando aqui. - Eu declarei. - E pra quem está se perguntando de quem eram os gêmeos, eles eram meus. A Cora fez um teste de DNA que confirmou, mas ela morreu sem saber, porque a Carmem fez o Mauro se calar. A Carmem, essa mulher que vive dentro da igreja com o terço na mão, apontando os pecados dos outros, esteva usando a dúvida da paternidade para enlouquecer a própria filha. Por isso a Cora decidiu matar os bebês, pelo medo de que eu descobrisse a infidelidade dela.
As imagens no projetor mudaram para o exame de DNA. Eu dei um passo em direção a Carmem.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...