"Carmem"
Eu parei em frente ao portão, ainda bem que eu não havia perdido a minha defuntinha de vista durante todo esse tempo. Ela vivia fechada nessa casa, praticamente não saía, mas pelo menos tinha cumprido muito bem o nosso acordo e ficado calada. Ela e o tratamento dela haviam levado uma boa parte do meu dinheiro, mas ela não era como aqueles irmãos ladrões de carteirinha que haviam me extorquido todos esses anos, ela se conformou com o nosso acordo e desapareceu.
- Se veio fazer alguma encomenda perdeu a viagem, não tem ninguém em casa. - A vizinha da frente atravessou a rua e parou atrás de mim. Eu me virei e olhei bem para a senhora.
- Sei. E você vai me dizer que ele foi para o interior e que só atende com hora marcada. - Eu ri. Eu conhecia o truque dele, o acordo dele com a vizinha, que na verdade era uma parente. - Minha senhora, eu sei que eles estão aí e que a senhora é uma tia velha que banca o cão de guarda. Mande eles me receberem, é importante.
- Como se a senhora fosse jovem. - Ela bufou. - Não sei do que a senhora está falando, ele não está em casa. - Ela mentia com uma desfaçatez que eu admirava, mas o detetive que eu tinha contratado anos atrás para ficar de olho descobriu o esqueminha "espanta curiosos" deles.
- Olha aqui, criatura, eu não tenho muita paciência. É melhor ele me atender se não quiser que a polícia venha atrás dela. - Eu avisei.
Ela deu as costas e voltou para a casa dela sem dizer mais nada. Eu apenas esperei e dois minutos depois o portão foi aberto e eu entrei. Ele estava me esperando na porta.
- Você tem um negócio interessante. Ficou bonito. - Eu comentei, vendo que ele estava quase rosnando. Ele me odiava e eu adorava irritá-lo.
- O que você quer? Nós cumprimos a nossa parte no acordo, nos deixe em paz. - Ele falou entre os dentes.
- Ora, o que é isso? Seja gentil, me convide para um café e vamos conversar como pessoas civilizadas. - Eu sorri cinicamente, parada bem na frente dele.
- Você é um demônio e demônios não são civilizados. - Ele me encarou com os olhos injetados de raiva.
- Olha, com toda essa raiva, vai desandar seus preciosos doces. - Eu respondi e ele continuou me encarando, pronto para me arrastar para fora. - Presta atenção, Dimas, eu tenho uma boa oferta para vocês e vocês vão aceitar ou a sua amada esposa sai daqui presa ainda hoje. Agora sai da frente! Vá chamá-la e me sirva um café.
- Você não tem direito de continuar nos ameaçando. Isso também te afeta. - Ele grunhiu.
- Mas eu não vou ser presa. - Eu respondi e vi a porta no fundo ser aberta.
- Deixe entrar, Dimas. Vamos ouvir o que essa mulher quer. - Ela apareceu empurrando as rodas da cadeira, o cabelo cobrindo quase todo o rosto.
Ele deu um passo para o lado e eu entrei e me sentei em uma das mesas junto a janela. Ele empurrou a cadeira dela até o lado oposto e se sentou entre nós. Ele me olhava como se fosse me atacar a qualquer momento. Ela parecia fazer um enorme esforço para não parecer assustada.
- Você não mudou nada, Caridade. - Eu ri, sempre achei esse nome uma piada.
- Já você envelheceu muito, Carmem. - O Dimas respondeu, sempre desagradável.
- Dimas o meu assunto não é com você. - Eu avisei e ele deu um riso sem humor.
- Se o seu assunto é com ela, então o seu assunto também é comigo. - Ele respondeu friamente.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...