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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 233

"José Miguel"

Quando as portas do elevador se abriram no térreo, o silêncio indicava que a recepção estava calma, mas a figura em nossa frente estava fora de lugar. O Julio estava parado com as mãos nos bolsos e a expressão carregada, ele com certeza estava esperando por mim.

- Onde ela está? - Eu perguntei com a voz baixa.

- Eu a deixei esperando na cadeiras mais ao fundo do outro lado, lá é mais discreto. - O Julio olhou para a Eva e tornou a me encarar. - Isso não me parece bom. - Era um aviso claro.

- Não é bom, mas não muda nada. Esteja por perto, o que quer que aconteça, proteja a Eva. - Eu pedi.

- Sempre! - Ele declarou firme, sem precisar pensar. - Rossi, só pra vocês saberem, ela está numa cadeira de rodas e usa uma daquelas máscaras para tratar cicatrizes.

- Obrigado por avisar. - Eu falei no instante em que senti a Eva apertar a mão na minha.

Nós atravessamos o hall e caminhamos até o canto indicado pelo Julio, de costas para nós, estava uma mulher numa cadeira de rodas, os cabelos loiros caindo soltos pelas costas, mais compridos do que a Cora usava. Eu senti a mão da Eva tremer levemente, mas não soltei, a puxei para mais perto de mim.

Nós passamos pela cadeira e paramos em frente a mulher que estava de cabeça baixa. Gradualmente ela ergueu os olhos para mim, como se não tivesse visto a Eva ao meu lado, ou a estivesse ignorando deliberadamente como a Cora certamente faria.

O impacto de ver aquele rosto coberto pela máscara, a possibilidade de estar frente a frente com a Cora cinco anos depois de tê-la enterrado me atingiu como um soco, mas eu não vacilei, engoli o nó que subia pelo meu estômago e o deixava revirado e a enfrentei. A mulher abriu um sorriso que não chegou aos olhos, parecia milimetricamente calculado para ser colocado no rosto naquele momento e eu não pude deixar de me lembrar que era o modo como a Cora sorria, sem expontaneidade, sem realmente sorrir, quase como se fosse obrigatório.

- José Miguel... - Ela girou as rodas da cadeira para se aproximar, a voz carregada de uma falsa emoção, e eu dei um passo atrás puxando a Eva comigo. - Eu imaginei que a recepção seria... diferente.

- Recepção. - Eu a encarei. - Uma mulher aparece do nada no meu local de trabalho, se apresentando com a identidade de uma falecida e ainda espera uma recepção? O que você esperava? Que eu fosse me jogar aos seus pés comovido com a suposta volta de um fantasma do passado? Ah, desculpe te decepcionar. - Eu respondi com o sarcasmo escorrendo na voz.

- José Miguel?! O que é isso? Sou eu, a sua Cora! - Ela esboçou outro sorriso falso. - Olha, vamos para a nossa casa, vamos conversar, só nós dois. Eu vou te explicar tudo, você vai entender o que...

- Eu vou entender? - Eu perguntei com o tom beligerante. - Minha nossa, eu nao sei o que é pior, você ser uma impostora ou ser de fato a Cora. Olha, independente de quem você seja, não existe mais nós, por muitos motivos.

- José Miguel, dispense a sua secretária, vamos conversar, eu tenho como provar que sou eu. - Ela me encarou séria, a voz contida, muito mais baixa do que a Cora costumava falar.

- Cora, vou te chamar assim, já que você vai manter a mentira, ela não é minha secretária e você sabe muito bem, se não porque você é esperta, porque a sua mãe te contou. Esta é a Eva, minha noiva, e qualquer coisa que você tenha a dizer para mim, dirá na presença dela. Agora. - Eu respondi com autoridade e ela riu com desdém.

- Noiva?! Até parece! Acontece que você já é casado e não pode se casar de novo. - Então ela se virou para a Eva, com um ar cínico. - Sinto muito, querida, mas este homem é meu!

- Ah, eu é que sinto muito, querida, mas quem foi à feira perdeu a cadeira. - A Eva respondeu no mesmo tom de cinismo e a força e determinação que surgiram no rosto dela me surpreenderam. - Veja bem, vadia zumbi, você "se morreu" há cinco anos e agora resolve ressurgir das trevas que te carregaram para pesar na vida de quem nem lembrava que você um dia caminhou sobre a terra. Pra quê? Que prazer é esse em destruir a vida das pessoas?

- Destruir a vida das pessoas? - A suposta Cora encarou a Eva, o desprezo evidente nos seus olhos. - Olha, deixa eu te explicar, ele é casado comigo, se tem alguém aqui destruindo alguma coisa ṕe você que não passa de uma amantezinha vulgar.

- Não seja cínica, Cora! Ela não é minha amante! Você sim, é um demônio que deveria ter continuado morto! - Minha voz reverberou pela recepção e alguns olhares curiosos se direcionaram a nós, mas o Julio habilmente desviou toda a atenção em um segundo.

- Para de show, protagonista! Você disse que tem provas de quem você diz que é, então, antes de continuar com o seu número, comece tirando essa máscara e me mostre as provas. - Eu pedi irritado. Já não suportava mais ficar ali, queria me livrar logo daquela palhaçada.

- A máscara não! - Ela reagiu assustada.

- É melhor tirar essa máscara ou eu chamo a polícia. Aliás, você sabe, não é?! Forjar a própria morte é crime, usar uma identidade falda é crime, fingir ser alguém que você não é e dar um golpe, também é crime. De todo jeito você cometeu ou está cometendo um crime. Então você decide, resolvemos isso agora e você some da minha vida ou eu chamo a polícia e você sai daqui presa. O que você escolhe? - Eu a ameacei e ela estremeceu, como se mencionar a polícia lhe causasse horror.

Ela abaixou a cabeça e tirou a máscara. Quando ela me encarou de novo, as lágrimas rolavam pelo rosto cheio das marcas das cicatrizes, a pele tensionada, de um tom rosa pálido quase lembrava cera derretida, parecia ter sido submetida a enxertos sucessivos que não deram certo. Não havia expressão facial, apenas um rosto repuxado pelo tecido cicatricial. O trauma que aquele rosto sofreu foi certamente gravíssimo, quem quer que estivesse sob aquela pele era irreconhecível e foi impossível não sentir a dor daquela mulher em minha frente.

N.A.:

Olá, queridos... como estão?

E não é que a vadia morta foi ressuscitada?! E agora, será que ela prova mesmo quem é? Vamos vendo.

E hoje nós damos os parabéns, com muita alegria para a Magnólia Ramos Dourado. Minha linda, um novo ano começa para você e sabe o que te espera? Te espera tudo o que você estiver disposta a se permitir sentir, tentar, provar. Te espera aquela mulher incrível que você já é e se tornará ainda melhor. Te esperam todas as pessoas para as quais você se abrir. Não foi à toa que o poeta disse "quem sabe faz a hora", porque tudo o que somos, o que podemos alcançar, o que vamos construir depende do que estamos dispostos a ser e nos permitir, ser feliz depende unicamente de nós mesmos. Quando você se abre para você e se permite não há limite para o que você pode alcançar. Então, Magnólia, eu desejo que você se permita muito nesse novo ano de vida que se descortina à sua frente, se permita inclusive ser vulnerável, por que não?! Somos humanos, faz parte. Mas não deixe de sentir a intensidade da vida a cada respiração, siga sempre em frente confiando na beleza do que está por vir. A vida é uma viagem, aprecie o trajeto, porque no final, não se trata de onde você vai chegar, mas do quanto você aproveitou a paisagem. Obrigada por se permitir estar aqui e compartilhar conosco. Eu te desejo muitos anos de vida e muita vida nestes anos! Feliz Aniversário! Um beijo estalado no coração!

Meus lindos, sejamos luz e calor, sempre de braços abertos para doar o melhor de nós.

Um beijo no coração!

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