"José Miguel"
Eu me recuperei do impacto que aquele rosto me causou, mas não a tempo suficiente para que ela não percebesse o impacto. Eu dei uma olhada rápida para a Eva que apertava a minha mão, como se toda a reação dela estivesse ali e não no rosto que se mantinha estóico.
- Isso é o que você fez comigo! Você deformou o meu rosto e eu tive que pássar por várias cirurgias. Mas adivinha? Meu corpo rejeitou todas! E as cada vez que eu tentei consertar de novo, ficou pior. Até que eu desisti e aceitei esse rosto. - A Cora apontou para o rosto com frieza e depois jogou uma pasta no meu colo. - Aí está a prova do que eu estou dizendo. Todos os documentos médicos assinados pelo Dr. Aroldo, o médico que me atendeu no hospital. O documento de transferência que ele assinou, me transferindo para outro hospital e acompanhando a minha transferência. Claro, como você vai ver aí eu mudei de nome para dar entrada no outro hospital.
Eu abri a pasta e verifiquei os documentos. Havia um documentop do hospital assinado, autorizando a transferência da paciente Cora Carvalho Rossi para o Hospital Central, que ficava em outra cidade. Depois, havia a entrada da paciente Caridade Pereira no mesmo Hospital Central.
- Como isso aconteceu? Como é possível? Como você saiu daquele hospital sem a minha autorização? - Eu tinha muitas perguntas e estava fazendo uma após a outra, mesmo duvidando que eu fosse ouvir alguma verdade daquela mulher.
- A Carmem fez tudo. Ela me convenceu. Ela disse que se eu ficasse deformada, você me rejeitaria. Aí ela me convenceu de que seria melhor manter você preso a uma promessa enquanto eu me recuperava. Mas eu não me recuperei e você não conseguiu manter a promessa que me fez. Como você foi capaz? Quase me matou, me deixou deformada e inválida e ainda por cima voltou a me trair. Você é incapaz de honrar a sua palavra! - A mulher em minha frente chorava e atirava as palavras contra mim.
- Me diz, por que? Se você é a Cora, por que voltar depois de tanto tempo? E se você não é a Cora, por que entrar nisso? É questão de tempo até que eu descubra quem você é. Sendo a Cora ou não, isso não termina bem pra você. Então, por que?
- Olha pra mim, José Miguel. Isso nunca vai terminar bem pra mim! - Por um momento ela pareceu atormentada, mas rapidamente isso deu lugar a frieza e rancor. - Olha para o meu rosto! Eu virei um monstro! Deformada, inválida... isso realmente nunca terminará bem pra mim.
- Belo teatro! - A Eva aplaudiu de repente. - Olha só, piranha ressuscitada, seu drama não me comove. Não é porque você se acha a cidadã mais ilustre da coitadolândia que eu vou fingir que você não era uma vadia escrot@. Um monstro você sempre foi, porque você nunca teve caráter e isso não tem nada a ver com aparência. Outra coisa, esses papéis não provam absolutamente nada. Quer saber o que prova? Um exame de DNA. Então, se você é mesmo a Cora, um exame pode provar, coisinha boba, faz rapidinho e nem dói.
- Mas eu não tenho que te provar nada, vadia do comércio popular! Você não tinha nem que estar se metendo nisso. - A Cora reagiu. - Além do mais, a minha mãe pode...
- A sua mãe não pode nada! Eu não acredito em nada que sai da boca daquela mulher e a Eva tem razão, se você é a Cora, basta fazer um exame de DNA. - Eu a interrompi. - Se bem, que eu tenho uma idéia ainda melhor, porque eu não duvido que a Carmem tente subornar alguém para fraudar um exame de DNA. Eu vou falar com o meu advogado e você vai se submeter a uma perícia datiloscópica. Digitais são únicas, Cora. É isso ou eu chamo a polícia agora.
- É realmente uma ofensa, José Miguel, que você insista nisso. Depois de ser casado comigo, como você ainda se nega a acreditar que sou eu? - A Cora insistiu.
- Ah, essa é fácil! Eu me nego a acreditar porque eu li o seu diário, eu descobri todas as suas mentiras, cada maldita mentira contada para mim para me prender a um casamento que eu não queria. - Eu a encarei, a raiva subindo pela minha garganta e uma vontade de torcer o pescoço daquela mulher com as minhas próprias mãos.
- Acontece que você se casou e a sua obrigação é continuar casado! - Ela me respondeu com a empáfia de sempre, a mesma arrogância e prepotência de cada discussão que tivemos.
- Ah, mas você pode apostar que continuar casado com uma vagabunda infiel e mentirosa é coisa que eu não vou fazer. Se você é a Cora, escute bem... o nosso divórcio é tão certo quanto você ser presa pelos crimes que cometeu ou pelo crime que está cometendo, caso não seja a Cora mesmo. - Eu sustentei o olhar dela com a mesma raiva e com muito desprezo.
- Você não sente remorso, José Miguel? - Ela me encarou friamente.
- Mas é o cúmulo! - A Eva bufou ao meu lado. - Não, piranha ressuscitada, remorso ele não sente não, mas arrependimento por ter se casado com você ele sente bastante. E quer saber, cansei de bater papo com defunto. Vamos ser práticos. Deixa o seu endereço, o seu telefone de contato e nós vamos providenciar a perícia, assim que for marcada nós avisamos.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...