"Elias"
No momento em que a Tatiana fez aquela provocação para o médico eu quis beijá-la na frente dele e não era para marcar território ou provar nada para ele. Eu queria beijá-la para que ela soubesse que todas as vezes que nós passamos a noite juntos, mesmo tendo sido só como amigos e cercados por outras pessoas, eu tinha estado inteiramente com ela, atento a ela. Mas eu também queria beijá-la porque eu já queria fazer isso há muito tempo, só que não seria ali, no local onde ela trabalhava, parecendo que era só para provocar o ex qualquer coisa dela.
- Entendeu, Capitão Gelatina, a diferença que faz aguentar a pressão de estar com uma mulher espetacular como a Tati e não derreter? - Eu o encarei vitorioso.
- Golpe baixo, hein, Tati?! - O Dr. Michel choramingou.
- Golpe baixo foi você se agarrar com outra e depois vir dizer para a Tatiana que foi seduzido! Cresce, Michel! Vacilou e perdeu! - Eu o encarei, já meio sem paciência para a insistência dele.
- Perdi, Tatiana? Pra esse mau humorado que parece ter nascido com noventa anos? - O médico perguntou e encarou a Tatiana. Eu também olhei para ela, que tinha um sorriso malicioso no rosto.
- Ah, Michel, você nem imagina o que tem por trás dessa cara de bravo do meu Zangadinho. - Ela piscou pra mim e passou o braço na minha cintura. - Vamos, Zangado, já perdi muito tempo do meu intervalo aqui. Tchau, Michel.
Eu passei o braço nos ombros da Tatiana e nós saímos caminhando em direção a lanchonete que ficava do outro lado da rua do hospital.
- Você foi má com ele. - Eu comentei enquanto caminhávamos.
- E você estava com ciúme. - Ela retrucou certeira.
- É, eu estava mesmo. - Eu admiti sem rodeios. - Nós temos passado um tempo juntos, Lady Agulha, e tem sido um bom tempo.
- Tem sido divertido! Você é um ótimo amigo, Zangadinho. Mesmo sendo assim, todo bravinho. - Ela deu uma risadinha.
- Aí é que está, Lady Agulha, eu não gosto de ser seu amigo. - Eu confessei no momento em que pisamos na calçada da lanchonete e vi o sorriso sumir do rosto dela.
- Puxa, Elias, eu pensei que estávamos nos dando bem. - Ela falou num tom magoado.
- Vamos entrar e nos sentar. - Eu a puxei comigo para dentro da lanchonete e nós nos sentamos numa mesinha do fundo.
Ela se sentou no canto e eu me sentei ao lado dela, como já estávamos habituados, já que geralmente saíamos com os meus irmãos e eu sempre me sentava ao lado dela, mas dessa vez eu também queria evitar que ela fugisse enquanto conversávamos. Eu precisava que ela me ouvisse.
Eu estava sendo um convarde há algum tempo. Sempre que eu queria vê-la eu arranjava uma desculpa para ir a algum lugar e ficava incomodando alguém para que a convidasse por mim, geralmente o Érico, que me disse, depois do aniversário do Romeu, que se eu o fizesse convidar a Tatiana por mim mais uma vez, ele mesmo contaria tudo para ela, como se eu fosse um moleque covarde e eu não era um moleque, talvez um pouco covarde.
Eu ensaiei na minha cabeça milhares de vezes o que eu queria dizer a ela e quando eu soube do ultrassom da Eva eu tinha a desculpa para ir ao hospital para vê-la. Não que eu não me importasse com o bebê, mas não era necessário que eu participasse da consulta.
Agora ela estava cabisbaixa ao meu lado, aquele sorriso bonito tinha sumido e tudo porque eu disse que não queria ser amigo dela. Eu começava a ter mede de ser descartado por ela. Nós fizemos o pedido e enquanto aguardávamos eu me virei para ela.
- Lady Agulha, porque você ficou chateada?
- Você ainda pergunta, Zangado? Eu pensei que você fosse meu amigo, aí você me diz assim, como se não fosse nada demais, que não quer ser meu amigo. O que você esperava?
- Eu esperava que você entendesse que tem muito mais que amizade nas minhas intenções. - Eu falei e observei a reação dela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...