“José Miguel”
Eu ouvi o grito do Matheus e cooquei a cabeça entre as mãos, ele ia infernizar a minha vida pra sempre! Em poucos minutos ele tinha descoberto duas das poucas coisas que eu nunca contei a ele e não contei justamente porque sabia o quanto ele me infernizaria se soubesse.
- Ah, que merda! – Eu tinha esquecido completamente.
- Por que caralhos as coisas da morta ainda estão no seu closet? – O Matheus saiu do closet segurando alguns cabides com os vestidos da Cora.
- Matheus… droga! – Eu praguejei, porque ele nunca entenderia. – Eu prometi que seria como se ela ainda estivesse aqui. Eu só tirei as fotos, porque olhar para elas era doloroso demais.
- Ah, e olhar para um closet cheio das coisas da morta não te faz sofrer? Cara, isso é doentio! Rossi, definitivamente você precisa de ajuda profissional! – Ele jogou os cabides no chão e voltou para dentro do closet.
- Matheus, eu só preciso arrastar o meu corpo para o escritório todos os dias e depois voltar pra casa e aturar a Carmem, mais nada! Não preciso de ajuda, não preciso tirar as coisas da Cora do closet, não preciso de mais nada!
- Mais nada? Você não precisa de mais nada? Você precisa de muita coisa! Que raios são essas sacolas? – El apareceu na porta do closet de novo segurando algumas sacolas de presente.
- Ah, Matheus! Deixa isso quieto! – Eu pedi e me joguei na cama.
- O que são essas sacolas, Rossi? – Ele insistiu.
- Sao presentes. Presentes que eu compro para a Cora em todas as datas nos últimos cinco anos.
- Como é que é, Rossi? Você compra presente para a morta? Sério? Eu vou ligar para o hospício agora, você é caso de internação com camisa de força! Aqui tem um presente para cada data dos últi9mos cinco anos?
- Só falta um! – Eu fechei os olhos, não queria encarar o julgamento do Matheus, mas não ia ter jeito.
- Ah, jura?! Nossa, que coisa estranha, falta um! – Ele falou cheio de sarcasmo. – E porque falta um? Por favor, me diz que falta porque você dormiu com a Eva e não vai mais comprar presentes pra morta porque entendeu que ISSO É LOUCURAAAA!
- Na verdade falta um porque eu dei para a Melissa Lascuran, assessora do Heitor. Era um par de sapatos, uma coleção limitada de um tempo atrás. A Melissa tinha um, o dela estragou e eu levei o sapato de presente pra ela, porque a Melissa resolve todos os meus problemas naquela empresa, então eu quis fazer uma gentileza. – Eu expliquei.
- A Melissa que te indicou a Eva, né?! Santa Melissa! Olha aqui, Rossi, você precisa de ajuda! Você está tão doente quanto aquela doida da megera do inferno! – O Matheus estava agitado, ele soltou as sacolas no chão e voltou para o closet.
- Matheus, só pega um par de tênis e uma roupa e vamos correr, cara! – Eu estava choramingando como um moleque de doze anos que tem o quarto invadido pela mãe e ela começa a colocar pra fora as suas bagunças.
- PUTA QUE PARIU! – O Matheus gritou mais uma vez e saiu do closet segurando vários potes de creme, maquiagens e perfume. – Você guardou a porra do creme usado! – Ele jogou tudo no chão. – Não, pra mim chega!
Ele voltou para o closet e quando saiu de lá estava usando uma bermuda, uma camiseta e um par de chinelos.
- É o seguinte, Rossi, você vai se vestir, nós vamos tomar o café da manhã e você vai avisar para aquela linda assessora que você tem que você não vai trabalhar hoje! – O Matheus parou aos pés da cama.
- E por que eu não iria trabalhar hoje?
- Porque nós dois vamos esvaziar essa casa! Hoje nós vamos tirar dessa casa todos os pertences pessoais da morta! E nós vamos começar por esse closet! E eu vou revirar cada canto e tirar daqui tudo o que é da morta!
- E você quer que eu alugue um depósito para guardar tudo? – Eu perguntei, já me sentindo um pouco ansioso.
- Pra quê? Pra você se enfiar dentro de um depósito junto com as coisas da morta? Não! Manda doar pra qualquer lugar, manda até entregar pra ela lá no cemitério, mas essas coisas estão saindo da sua vida! – Ele colocou as mãos na cintura e bufou. – Isso explica muita coisa!
- Docinho, eu só não roubo você do Rossi porque ele precisa de alguém para defendê-lo da megera do inferno! – O Matheus segurou a mão da Candinha e deu um beijo, a fazendo rir.
- Bajulador! – Ela brincou e se virou pra mim. – Vamos ter mais um dia animado hoje?
- Por que mais um? – O Matheus perguntou.
- Você não sabe? Seu amigo fez uma bela fogueira com as fotos que a megera espalhou pela casa. – A Candinha contou com um belo sorriso. – E depois destruiu os porta-retratos com uma marreta.
- Não acreditooo! Você queimou as fotos da morta? Sério? Ah, mas finalmente você está se curando da loucura obssessiva de se enterrar com a morta! – O Matheus sorriu e colocou um pedaço da omelete na boca.
- Vocês dois são dois implicantes! – Eu apontei.
- Me conta, o que você sentiu queimando as fotos? – O Matheus perguntou.
- Me senti estranhamente bem! – Eu pensei e sorri. – Me senti bem demais!
- Então nós devemos fazer uma fogueira com as roupas? – Ele me encarou.
- Não, vamos doar tudo, pode ser útil pra alguém que ainda esteja vivo! – Eu sorri.
- É assim que se fala! Já liguei para a loja comprei caixas de papelão novinhas, pedi para entregarem com urgência! Comam, depois do café vocês terão muito trabalho a fazer! – A Candinha deu um belo sorriso, a idéia do Matheus a agradava muito também.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor irresistível: O segredo do chefe
Porque não liberaram mais capítulos depois do 251?...