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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 40

“José Miguel”

O Matheus e eu passamos o dia separando itens e empacotando em caixas de doação, sacos de lixo e papéis a serem queimados. Cada coisa que eu joguei dentro de alguma caixa me dava a sensação de despedida, mas não uma despedida desesperada como foi no hospital quando ela morreu, mas uma despedida necessária e que me fez me questionar porque permiti que a Carmem me convencesse a manter tudo no lugar.

Havia coisa demais da Cora por toda a casa, não era apenas no closet e no criado mudo, era em cada cômodo e foi no quarto de hóspedes que eu encontrei o diário dela, muito por acaso, ao puxar uma gaveta emperrada e ele caiu da parte de baixo da gaveta aos meus pés. Estava trancado, mas eu tinha visto a chave na caixinha de jóias.

- O que é isso? – O Matheus se aproximou e eu virei o diário para ele ler a capa onde estava gravado na capa de couro o nome dela. – Nããoooo! O diário da morta! Será que eu quero ler?

- Você é um idiota! – Eu ri. – Vamos queimar, sem ler!

- Tá maluco! De jeito nenhum! Vai que a morta escreveu algum segredo cabeludo aqui, um daqueles que vai fazer você odiá-la e despachar a megera do inferno para o diabo carregar. Não, nós vamos ler! – Ele pegou o diário das minhas mãos.

- Não foi você quem disse que eu preciso me livrar das coisas da Cora? Agora quer que eu fique logo com o diário, onde ela escreveu que me amava e que sofria imensamente porque tinha certeza que eu tinha amantes por aí? Não, eu não preciso ler isso.

Eu peguei o diário de volta e atirei na caixa com itens para a “fogueira santa” como o Matheus estava chamando a churrasqueira, lugar onde queimaríamos tudo aquilo. Eu dei as costas e saí do quarto. Nós continuamos recolhendo itens pela casa e quando terminamos já era fim do dia.

- Rossi, só falta a tumba da bruxa. – O Matheus se jogou no sofá.

- Já falei que no quarto da Carmem nós não vamos mexer, Matheus. Ela tem o direito de ter o que quiser lá. É a privacidade dela que eu não vou invadir.

- Você nunca entra lá?

- E pra quê eu entraria lá?

- Sei lá, ela pode ter um altar satânico lá com um bonequinho seu todo espetado com alfinetes.

- Mas é um palhaço mesmo! – Eu ri e olhei em volta. – O que nós vamos fazer com todas essas caixas?

- Como eu te disse, as jóias eu vou mandar para o meu joalheiro avaliar e vender, o lixo, nós vamos deixar na lixeira da rua para ser recolhido, itens de doação eu já encontrei um lugar e o resto, meu amigo, é “fogueira santa”! – Ele deu um grnde sorriso.

- Matheus, o pessoal já chegou para recolher a doação. – A Candinha entrou na sala toda animada. A Candinha estava tendo um dia muito feliz com aquele movimento na casa, ela tinha até ligado o rádio!

- Recolher? – Eu olhei sem entender.

- Ah, é, o Enzo que conseguiu pra mim esse lugar, um lar de idosos que tem muitos velhinhos e um bazar que ajuda a manter a casa. Parece um lugar muito legal. Acho que ele conhece alguém que faz trabalho voluntário lá. Enfim, é o Enzo, sabe cada coisa que até me choca.

- E o que você falou para o Enzo? – Só faltava a minha vida pessoal virar assunto. Eu adorava o Enzo, mas ele era jovem demais para ser puxado para a morbidez em torno da minha vida.

- Relaxa, só falei que um tio distante queria doar as coisas da tia morta! – O Matheus riu e fixou o olhar na tela do celular. Ele tinha mandado mensagens o dia todo e para o trabalho eu tinha certeza que não era.

- O que tem tão interessante nessas mensgens que você está recebendo hoje, Matheus?

- Ãnh? – Ele levantou a cabeça e sorriu. – Ah, é uma gatinha nova!

- Já esqueceu a Gabriele? – Eu estava torcendo para que ele tiresse a Gabriele da cabeça, não precisava do meu amigo mulherengo aprontando com a amiga da minha assessora.

- Aquela peste? Claro que não! A peste eu só esqueço depois que eu der o troco.

- Ai, ai, ai! O que você está planejando?

- Você me conhece, então não vou negar, eu vou fazê-la se arrepender do que fez. Eu vou ser o Sr. Perfeito pra ela, vou fazê-la se encantar e ficar muito interessada em mim e quando ela quiser usar o meu corpinho, eu vou deixá-la na vontade.

- Você está brincando com fogo! – Eu avisei. – Esquece isso e não me arruma problema com a Srta. Sanchez! Agora vamos entregar as caixas. – Eu me levantei e fui em direção a porta.

- Você não precisa de mim para arrumar problema com a Evita, você já fez isso sozinho! – Ele riu e eu abri a porta para os dois homens que esperavam junto a um veículo utilitário.

Os homens recolheram as caixas com grandes sorrisos e agradeceram tantas vezes que eu tive até mais um motivo em ficar feliz por seguir o conselho do Matheus e me livrar das coisas da Cora, com certeza aquilo tudo seria útil para outras pessoas. Eles também nos ajudaram a colocar todo o lixo para fora, o que também foi uma grande ajuda.

- Pronto, hora da “fogueira santa”! – O Matheus bateu nas minhas costas ao ver o veículo se afastar.

Capítulo 40: Queime sem ler 1

Capítulo 40: Queime sem ler 2

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