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Amor irresistível: O segredo do chefe romance Capítulo 52

"Giovana"

Eu estava a um quarteirão de distância do estúdio de fotografia da tia Rúbia e já era possível ver o enorme painel com o nome do estúdio e da fotógrafo e uma foto gigante do meu pai e da Hana abraçados, meu pai só de calça jeans e com as costas expostas e a Hana com os braços em seu pescoço e a cabeça sobre o ombro, como se encarasse quem atrevesse a olhar para ele e dissesse "ele é meu". Meu pai era um gato e a Hana também era muito linda, e eles terem aceitado ser o portifólio da minha tia foi muito legal.

Quando eu parei o carro em frente ao estúdio de fotografia da tia Rúbia, eu nem precisei buzinar. Ela já estava do lado de fora agitando os cabelos louro morango longos e voumosos e dois homens quase caíram ao passar por ela e virar a cabeça para trás para admirá-la. Assim que entrou no carro, ela franziu o nariz de leve e me encarou com aqueles olhos que parecem ler a alma.

- Gi, você está exalando ódio? — Ela riu, deixando a bolsa no banco de trás. — O que aconteceu? Você geralmente cheira a alegria e curiosidade.

- Me ensina, tia, como ser essa mulher que faz os homens se virarem para olhar duas vezes? - Eu pedi ainda olhando para os homens que já estavam bem à frente.

- Ué, só o gracinha te olhando o tempo todo não é suficiente? - Minha tia me encarou. - Vai me conta o

- Mas eu quero que ele me olhe como mulher, não como uma princesinha indefesa. - Eu respondi meio emburrada.

- Sobrinha, indefesa é uma coisa que você não é! - Minha tia me encarou. - Vai, me conta o que te irritou tanto que você me ligou como quem precisasse de ajuda para esconder um corpo.

- Ai, tia, você me ajudaria com isso? - Eu a encarei esperançosa e ela caiu na gargalhada. - Tá, eu sou mais o tipo que quebra ossos e menos o que manda para o necrotério. Mas eu vou acabar matando aquela Maya! - Eu fiz um gesto no ar com uma das mãos como se torcesse um pescoço.

Enquanto eu acelerava em direção ao shopping que tinha as lojas mais exclusivas da cidade, eu contei tudo para a minha tia. A ideia do Flávio sobre o juri simulado na faculdade, a ousadia da Maya, o perfume copiado, a tentativa da Maya de enganar o Anderson com o meu cheiro e, principalmente, a minha sensação de ter tido a minha identidade roubada à partir do momento que a Maya começou a usar o meu perfume para seduzir o meu namorado.

A tia Rúbia ouviu tudo em silêncio, apenas assentindo, até que eu terminei com a minha decisão final: o algodão doce tinha morrido.

- Você está certa, Gi. O perfume é a primeira impressão que a gente deixa quando chega. - Ela baixou a voz para um tom de confissão. - E é a memória que a gente deixa quando sai do quarto, porque o cheiro gruda na pele, no nariz e na memória.

- Parece bem importante deixar o cheiro na memória, hein?! - Eu apontei o fato dela ter falado "memória" duas vezes e ela respirou fundo.

- Sabe o que é... eu ando pensando muito em memórias ultimamente. E em começos. - Ela brincou com um ponto invisível na calça.

Eu olhei para ela pelo canto do olho. A tia Rúbia e o tio Rubens, estavam entre os meus casais perfeitos, eles eram o meu ideal de relacionamento maduro, loucos um pelo outro, sempre juntos e nunca brigavam.

- Você não está pensando de novo em voltrar para a Austrália, está? Ah, não tia Rúbia! Desencana! O tio Rubens não precisa que você o deixa para que ele encontre "uma mulher jovem que possa dar filhos a ele". - Eu a imitei com uma careta.

- Ah, isso foi um processo longo, começou com um cabelo verde mal cortado e eu voltando da Irlanda como uma louca rebelde que só gritava. - Nós rimos juntas de um tempo que já havia ficado para trás, que tinha sido difícil, mas que agora tinha virado a piada da família.

- Mas e você? Essa mudança de perfume... é só por causa da Maya ou tem a ver com esse processo longo de amadurecimento? A borboleta vaiu sair do casulo e dar aquele passo a mais?

Eu senti meu rosto esquentar. A cumplicidade entre nós me dava coragem para falar. Aquele canal aberto entre a minha família e eu, sempre me orientando e me ensinando, me permitindo perguntar e me informar, era muito precioso e eu sabia que nem todas as garotas tinham esse privilégio.

- Era para ter a ver só com a Maya, mas acho que você está certa, mesmo que inconscientemente tem mais a ver com todo o resto, atingir a idade adulta, sar esse passo com o Anderson... não sei, é como se o cheiro de algodão doce fosse confortável demais, gostoso demais, mas me mantivesse presa aquela fase de garota. Eu não sou mais uma garota.

Eu parei o carro numa vaga próxima a porta no estacionamento do shopping, mas não tirei as mãos do volante e não olhei para a minha tia, apenas continuei falando:

- E... eu não sei se espero mais, tia. Eu amo o Anderson. Ele me respeita tanto que chega a ser como um balde de água fria. Mas eu tenho medo de que a "primeira vez" mude tanta coisa... a nossa dinâmica, de que eu perca esse controle que eu sinto que tenho agora, que aquela parte de mim desapareça e eu deixe de ser a garota por quem ele se apaixonou... que ele perca o interesse.

Eu abaixei a cabeça, eu tinha declarado o meu medo mais profundo, aquele que eu nunca tinha contado para ninguém, que eu nunca havia tido coragem de falar em voz alta. Mas a verdade era essa, eu tinha medo que o Anderson perdesse o interesse em mim, que depois de fazer sexo comigo ele chegasse a conclusão de que eu não era nada demais e que nós dois não era algo tão bom assim.

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