"José Miguel"
Eu voltei para o salão a tempo de ver a Eva correndo para a saída. Ela tinha fugido de novo! Eu poderia ir atrás dela, mas ela disse "não posso", eu entendi que aquele era o limite dela, eu entendi que não bastava ela querer e eu respeitei a vontade dela de se afastar. Mas eu não pensei que respeitar a vontade dela me custaria tanto!
Eu me recostei no bar e pedi um wiskhy. Eu virei a dose de uma vez e pedi outra que eu tomei mais devagar, sentindo o álcool queimar a minha garganta e a Eva queimar o meu peito. Quando eu estava começando a terceira dose a anfitriã da festa apareceu ao meu lado, ela estava radiante!
- Dizem que você é perfeito. – Eu ouvi a Melissa brincar comigo e ri, ela não tinha idéia do quão longe da verdade ela estava.
- Não acredite em tudo o que ouve, Sra. Molina! – Eu sorri para ela, tentando, como sempre, esconder a escuridão que havia na minha vida.
- Ai, como eu gosto de ser chamada assim! – Ela me fez dar uma gargalhada, porque a Melissa era assim divertida e observadora e, como o Enzo dizia, ela sabia das coisas. – Porque você está tão sozinho? - Como eu disse, observadora!
- Não me leve a mal, sua festa está linda, mas eu não gosto muito de casamentos. – Eu tomei mais um gole do whisky, revelando apenas uma parte da verdade.
- Eu sabia, você não é perfeito! – Ela me fez rir de novo e agora ela estava perto da verdade.
- Ah, não sei não, parece que príncipes têm um pouco de medo de casamento. – Eu brinquei, porque ela merecia leveza e gentileza, principalmente no dia mais importante da vida dela, o dia em que ela se casava com o seu amor de uma vida inteira.
- Tá, você tem o benefício da dúvida. Mas posso te pedir um favor? – Eu a observei intrigado, a Melissa pedindo um favor era tão raro quanto o cometa Halley!
- Claro! O que for, hoje é o seu dia.
- Está vendo aquela moça bonita ali naquele canto? Aquela vestida de vermelho? – Quando ela apontou para o outro lado do balcão e eu vi a Eva lá, meu coração acelerou. Ela não tinha ido embora, mas parecia tão desolada ali sozinha que a única coisa que eu queria fazer era abraçá-la e tirar aquela tristeza dela.
- O que tem a desastrada? – Eu fiz o meu melhor para que a Melissa não percebesse o turbilhão de sentimentos se desenrolando em mim.
- Ela é nova na empresa, conhece pouco as pessoas aqui, mas é uma convidada especial e você a conhece. Será que você pode ser gentil e lhe fazer um pouco de companhia? Ou talvez ela te faça um pouco de companhia também. Ah, vai, Perfeito! Ela trabalha com você.
Talvez o Enzo estivesse certo e a Melissa soubesse mesmo das coisas e o meu esforço para que ela não percebesse a minha situação com a minha assistente não tivesse valido de nada, porque o que ela me disse estava cheio de intenção e foi dito com a segurança de quem sabia mais do que eu pudesse imaginar.
- Está bem! – Eu virei o resto do wiskhy do meu copo, como se virasse uma dose de coragem. – Mas você me deve uma!
- Mas que atrevido! Melissa Lascuran Molina não deve nada a ninguém, são vocês quem ficam me devendo! – A reclamação dela era muito divertida.
- Ah, princesa, sinto muito, mas eu não te devo nada. – Eu a lembrei que nunca havia pedido nenhum favor, pelo menos até aquele momento.
- Deve sim, eu facilito a sua vida na empresa!
- E eu te dei um par de sapatos por isso e até já te levei o jantar. Aceita que você me deve uma e eu vou ser a babá da sua amiguinha. - Eu me sentia ridículo por tentar enganar a Melissa.
- Você não vai ser a babá dela, mas faça companhia a ela e quando eu voltar da lua de mel nós conversamos. – E era dessa conversa que eu tinha medo.

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