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Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito romance Capítulo 2

Damon

Deslizei os dedos suavemente pelo cabelo de Violet, sentindo a maciez dos fios entre meus dedos enquanto a observava despertar. Sua respiração já havia mudado, um indicativo claro de que estava acordada, mas ela ainda mantinha os olhos fechados, como se quisesse prolongar aquele momento de tranquilidade.

Aproximei meus lábios de sua cabeça e sussurrei baixinho, o calor da minha respiração se misturando ao perfume familiar de seu cabelo.

— Você vai me contar?

Ela se remexeu lentamente, como se quisesse fugir da pergunta, mas acabou se virando para me encarar. Seus olhos, ainda pesados de sono, me analisaram por alguns segundos antes de ela soltar um suspiro baixinho.

— O que, amor?

A ponta dos seus dedos deslizou preguiçosamente pelo meu braço, mas eu sabia que era um gesto inconsciente, um reflexo da intimidade que compartilhávamos.

— Aquilo que vem te incomodando — falei baixo, mantendo meu olhar fixo no dela. — E que você insiste em colocar a culpa no casamento toda vez que eu pergunto.

Violet piscou algumas vezes, como se estivesse tentando ganhar tempo para formular uma resposta. Mas eu já a conhecia bem o suficiente para saber que ela estava escondendo algo. Algo que a vinha perturbando há dias e que ela evitava falar.

Deslizei a mão até sua cintura, puxando-a um pouco mais para perto, meu olhar tentando alcançar aquilo que ela relutava em dizer.

— Fala comigo, amor — murmurei. — Você sabe que eu não vou deixar isso passar.

— Eu... eu não sei explicar — sua voz saiu baixa, hesitante, como se estivesse reunindo coragem para transformar sentimentos confusos em palavras.

Estávamos deitados, seu corpo aquecido sob os lençóis, mas a inquietação em seus olhos mostrava que sua mente estava longe dali.

— Tenta mesmo assim — murmurei, deslizando meus dedos por sua bochecha em um carinho suave, incentivando-a a continuar.

Ela fechou os olhos por um instante, como se buscasse dentro de si a melhor forma de me fazer entender. Então, se sentou na cama, segurando o lençol contra o peito como um escudo.

— Às vezes, sinto como se estivesse vivendo uma vida que não é bem a minha — sua voz soou frágil, e meu coração apertou. — Estou feliz ao seu lado, é claro que sim, mas... às vezes...

Ela suspirou, desviando o olhar para o nada, seus dedos inquietos apertando o tecido entre eles.

Não a pressionei. Deixei que tomasse o tempo que precisasse.

— Não quero que pense mal de mim — sussurrou, quase como um pedido.

Levei minha mão ao seu queixo, guiando seu olhar de volta para mim. Seus olhos azuis estavam levemente marejados, refletindo uma tempestade de sentimentos.

— Nunca pensaria, amor — assegurei, minha voz carregando toda a sinceridade que sentia. — Me diz, se abre comigo. O que está pesando no seu coração?

O silêncio se instalou entre nós, pesado, carregado de palavras não ditas. Eu sentia o peso daquilo em seu olhar, no brilho úmido que se acumulava em seus olhos, na maneira como seus dedos apertavam o lençol contra o peito, como se precisasse de algo para se segurar.

Me endireitei na cama, me aproximando um pouco mais, sem quebrar o contato visual. Queria que ela soubesse que eu estava ali, presente, ouvindo cada palavra, cada dúvida, cada receio.

— Amor… — comecei, mas ela balançou a cabeça, como se precisasse dizer tudo antes que a coragem lhe escapasse.

— Eu amo você, Damon. Eu amo nossa vida juntos. Mas, por tanto tempo, minha identidade esteve atrelada a outra pessoa. Primeiro ao Eathan, depois a você. Sempre estive vivendo para agradar, para preencher espaços, para me encaixar… e agora me pergunto se algum dia vivi para mim.

Minha mandíbula ficou tensa, não por raiva, mas porque odiava saber que ela sentia aquilo. Odiava saber que, de alguma forma, mesmo sem intenção, eu podia ter feito parte dessa sensação de sufocamento.

O quarto parecia menor de repente, como se as paredes tivessem se fechado ao nosso redor, forçando-nos a encarar essa conversa inevitável. O sol filtrava-se pelas cortinas, projetando sombras suaves em sua pele, mas nem mesmo a luz da manhã foi capaz de suavizar a dor que se refletia em seus olhos.

— Eu entendo — murmurei, deslizando os dedos pelo seu braço. — Você sente que nunca teve a chance de descobrir quem realmente é, sem precisar ser a metade de alguém.

Ela olhou para mim, como se não esperasse essa resposta. Como se estivesse pronta para um discurso de negação, para palavras que tentassem apagar seus sentimentos.

— E isso te assusta — continuei, observando atentamente sua reação.

Ela assentiu lentamente, mordendo o lábio, o peito subindo e descendo de forma irregular. Meu peito apertou ao vê-la assim, tão vulnerável, e a vontade de puxá-la para meus braços era quase irresistível. Mas eu sabia que essa não era a resposta. Não era disso que ela precisava.

— Assusta — ela sussurrou. — Porque eu não sei como mudar isso sem machucar ninguém.

Engoli em seco. Eu poderia dizer que ela já era suficiente, que sua vida ao meu lado não a impedia de ser quem era. Mas não era o que ela precisava ouvir. Não era sobre mim. Era sobre ela.

Então, tomei sua mão entre as minhas, apertando levemente, oferecendo todo o apoio que ela precisasse.

— Então, vamos descobrir juntos — falei, apertando levemente, transmitindo todo o apoio que ela precisasse. — Você não precisa fazer isso sozinha.

Ela piscou, deixando uma única lágrima rolar por sua bochecha. Não a limpou, não escondeu. Apenas me olhou, como se tentasse decifrar se minhas palavras eram verdadeiras.

— E se… e se eu me perder no meio do caminho?

Inclinei-me para frente, encostando minha testa na dela, nossos narizes quase se tocando.

— Então eu te ajudo a se encontrar.

Ela soltou uma risada curta, trêmula, que era metade alívio, metade incredulidade.

— Você sempre tem uma resposta para tudo, não é?

— Não para tudo — passei o polegar por sua bochecha, afastando a lágrima que ainda brilhava ali. — Mas para isso, para nós, eu sempre vou ter.

Violet fechou os olhos por um instante, como se estivesse absorvendo cada palavra. Quando os abriu novamente, algo em sua expressão parecia mais leve. Como se, pela primeira vez, ela não estivesse carregando aquele peso sozinha.

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