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Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito romance Capítulo 2

Violet.

O sofá macio da suíte parecia me engolir enquanto eu afundava nele, as pernas dobradas sob o corpo, os braços envoltos ao redor de mim mesma. O luxo ao meu redor era quase sufocante, cada detalhe daquela suíte gritava requinte e extravagância. As paredes de vidro ofereciam uma vista deslumbrante de Las Vegas, com suas luzes vibrantes piscando incessantemente contra o céu escuro. Era como se a cidade inteira estivesse viva, chamando por mim, tentando me arrancar desse torpor. Mas, por mais que tentasse me distrair com o brilho lá fora, minha mente continuava presa na conversa com Damon.

Eu não conseguia afastar o peso daquela discussão, nem as perguntas que ela havia despertado em mim. Pela primeira vez em muito tempo, me permiti questionar algo que sempre aceitei como certo: quem eu realmente era?

Minhas mãos deslizaram pela seda do meu robe, sentindo a suavidade do tecido contra a pele. Foi Damon quem escolheu. Assim como escolheu os restaurantes onde jantamos nos últimos dias, o vinho que brindamos na primeira noite, as atrações que visitamos. Não que ele fizesse isso por controle ou imposição – não, Damon não era assim. Ele era atencioso, sempre desejando me proporcionar o melhor, sempre me poupando da necessidade de decidir. E eu? Eu deixava. Sempre deixei.

Fechei os olhos por um momento, recordando quantas vezes na minha vida fui conduzida por escolhas que não eram minhas. Antes de Damon, foi Eathan. Antes de Eathan, foram meus pais. Nunca precisei tomar decisões porque sempre havia alguém para tomá-las por mim. Era confortável, eu admitia. Mas agora essa comodidade pesava.

Soltei um suspiro longo e deixei meu olhar vaguear pela suíte. O quarto espaçoso estava impecável, um reflexo da perfeição com que nossa lua de mel havia sido planejada, mesmo que fosse de última hora, por ele. A mesa ao lado ainda tinha a garrafa de champanhe pela metade, e os lençóis da cama king-size estavam bagunçados dos momentos que passamos ali mais cedo. Tudo parecia perfeito… mas por que, então, eu sentia esse vazio?

Passei os dedos pelos fios soltos do meu cabelo, tentando dissipar a inquietação que me consumia. Amar Damon nunca esteve em questão. Eu o amava – disso eu tinha certeza. Ele era minha segurança, minha paz. Mas talvez esse fosse o problema: eu sempre procurei segurança nos outros, como se não fosse capaz de encontrar em mim mesma.

Levantei-me do sofá e fui até a janela. A cidade abaixo de mim pulsava com vida. Pessoas indo e vindo, vivendo suas próprias histórias, tomando decisões, mudando suas trajetórias. O que me impedia de fazer o mesmo? O que me impedia de ser a protagonista da minha própria vida?

O que aconteceria se, pela primeira vez, eu escolhesse algo por mim? Algo que não girasse em torno de ninguém além de mim mesma?

Eu não sabia a resposta. Mas, pela primeira vez, queria descobrir.

Damon havia sido atencioso, compreensivo, exatamente como eu esperava que fosse. Ele segurou minha mão e disse que iríamos descobrir juntos. Mas como? Como se descobre quem se é quando se passou tanto tempo vivendo pelos outros?

Passei a mão pelo rosto, frustrada. Esperava me sentir melhor depois de colocar meus sentimentos para fora, mas, se alguma coisa, a conversa apenas intensificou minha inquietação. Eu queria respostas. Queria clareza. Mas tudo o que tinha era uma confusão esmagadora na minha cabeça.

Andei pela suíte, meus pés afundando no carpete macio enquanto minha mente girava. Eu não sabia nem por onde começar. Será que precisava me afastar um pouco? Encontrar um espaço só meu? Ou era uma questão de pequenas mudanças, de aprender a tomar decisões por mim mesma, mesmo nas coisas mais simples?

Meus olhos pousaram no telefone do quarto. E se eu simplesmente saísse sozinha? Escolhesse um lugar qualquer para ir, sem consultar Damon, sem perguntar o que ele achava? A ideia me deixou ansiosa e, ao mesmo tempo, estranhamente animada.

Talvez fosse um bom começo.

Respirei fundo, tentando organizar meus pensamentos. Era estranho perceber que eu, uma adulta casada, me sentia hesitante diante da simples ideia de sair sozinha. Mas talvez esse fosse o problema. Eu sempre estive atrelada a alguém, sempre fui parte de um “nós”, nunca apenas “eu”.

Olhei para o espelho na parede oposta. O reflexo que me encarava parecia familiar, mas ao mesmo tempo, distante. Quem era Violet sem um relacionamento para definir suas escolhas? Sem um noivo para decidir onde morar, sem um marido para escolher onde jantar, sem uma família esperando que ela seguisse um caminho pré-determinado?

Apertei os olhos, sentindo a frustração crescer no peito.

Eu não queria fugir de Damon. Deus, eu o amava. Mas e se o amor não fosse o suficiente? E se, para realmente estar com ele, eu precisasse primeiro me encontrar?

Peguei o telefone e disquei para a recepção.

— Olá, senhorita, como posso ajudá-la?

Molhei os lábios, meu coração acelerando de uma forma quase ridícula para o que estava prestes a fazer.

— Vocês têm recomendações de passeios para quem está sozinha? Quero explorar a cidade um pouco… por conta própria.

A recepcionista foi rápida em listar algumas opções: museus, galerias, cafés charmosos escondidos entre os cassinos. Fiz anotações mentais, agradeci e desliguei.

Pela primeira vez em muito tempo, eu estava prestes a tomar uma decisão que era inteiramente minha.

Mordi o lábio, sentindo um aperto no peito enquanto encarava meu reflexo no espelho do banheiro. A pergunta ecoava na minha mente como um sussurro incômodo: será que estou sendo injusta com ele?

Damon sempre foi atencioso, sempre me deu espaço quando precisei. Ele nunca me impôs nada, nunca tentou me prender ou moldar. Então, por que eu sentia que algo estava faltando?

Passei as mãos pelos cabelos, tentando dissipar a tensão. Talvez o problema nunca tivesse sido ele, mas sim a forma como eu me enxergava dentro desse relacionamento. Desde sempre, eu me adaptava, me moldava, me encaixava no que as pessoas esperavam de mim. Não porque me obrigavam, mas porque eu simplesmente fazia isso, como se fosse a única opção.

Mas e agora?

Agora eu era casada. Agora eu tinha um marido que me amava e que, ao contrário de tudo que já vivi, queria me ver feliz, mesmo que isso significasse me perder um pouco para me encontrar.

Um suspiro escapou dos meus lábios, e eu terminei de me trocar, escolhendo um vestido leve e confortável. Vegas era quente, movimentada, barulhenta. Um contraste perfeito para a tempestade silenciosa que eu sentia dentro de mim.

Ouvi a porta da suíte se abrir, seguida do som familiar de Damon entrando com as sacolas de comida.

Fechei os olhos por um instante e me preparei. Talvez, antes de qualquer coisa, eu precisasse ser honesta com ele.

Saí do banheiro e encontrei Damon organizando o almoço sobre a mesa da suíte. Ele tinha tirado o paletó, as mangas da camisa estavam dobradas até os cotovelos, e ele parecia completamente à vontade naquele ambiente luxuoso.

Quando ergueu os olhos para mim, um sorriso suave surgiu em seus lábios.

— Pedi seu favorito — ele disse, puxando uma cadeira para mim. — Mas, se quiser outra coisa, podemos pedir de novo.

Meu peito apertou. Ele sempre fazia isso. Sempre antecipava o que eu gostava, o que me fazia feliz. E, de repente, eu me perguntei: eu teria escolhido isso se fosse por mim mesma?

Engoli em seco e me sentei, sentindo minhas mãos suarem.

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