Damon
Fiquei ali, sentado no sofá da nossa suíte, observando Violet sair pela porta sem olhar para trás. Algo dentro de mim se contraiu ao vê-la atravessar o corredor do hotel, como se, de alguma forma, ela estivesse escapando por entre meus dedos.
Ela queria sair sozinha. Experimentar estar por conta própria. E eu tinha concordado.
Eu precisava concordar.
Apoiei os cotovelos nos joelhos, passando as mãos pelo rosto, sentindo a tensão se acumulando nos meus músculos. Não era sobre um simples passeio. Não era apenas um momento de independência passageira. Era sobre algo muito maior.
Violet estava se afastando.
Sutilmente, sim. Mas estava.
Pela primeira vez, ela estava tomando decisões sem me incluir nelas, e por mais que eu soubesse que isso era algo saudável, algo que ela precisava, não conseguia impedir a insegurança de se infiltrar dentro de mim como uma m*****a sombra.
E se essa busca por independência a fizesse perceber que não queria mais isso? Que não queria mais nós?
Me levantei e caminhei até a janela, olhando para a cidade viva abaixo de mim. Vegas nunca dormia, mas pela primeira vez, toda aquela energia parecia distante. Como se nada daquilo realmente importasse.
Eu queria dar a Violet tudo o que ela precisasse. Queria apoiá-la, queria que ela fosse feliz — comigo ou sem mim. Mas e se, no final das contas, minha presença fosse mais uma corrente do que um alicerce?
Soltei um suspiro pesado, sentindo uma pressão no peito que não costumava estar ali.
Eu sempre fui um homem de controle. Nos negócios, na vida, nas minhas próprias emoções. Mas Violet… ela bagunçava tudo. Ela me fazia sentir coisas que eu nunca tinha sentido antes.
E agora, pela primeira vez, eu sentia medo.
Medo de não ser suficiente.
Medo de que, quando ela finalmente descobrisse quem era sem as influências que a moldaram, eu não fizesse parte dessa versão dela.
Fechei os olhos por um instante, tentando me convencer de que tudo ficaria bem. Que isso era apenas um momento.
Mas a verdade era que eu não sabia.
E essa incerteza estava me matando.
Andei de um lado para o outro da suíte, tentando ignorar a sensação de vazio que a ausência de Violet deixava para trás. Era ridículo me sentir assim por causa de um simples passeio. Eu sabia que ela voltaria. Sabia que não estava me deixando — pelo menos não ainda. Mas a ideia de que, em algum momento, ela pudesse perceber que não precisava mais de mim… isso me corroía por dentro.
Eu sempre me orgulhei de ser um homem racional. Objetivo. No controle. No entanto, quando se tratava de Violet, o controle sempre parecia escapar pelas minhas mãos. Desde o começo, ela havia bagunçado tudo. Entrou na minha vida em um momento em que eu não estava procurando por nada além de conveniência, e, sem aviso, se tornou tudo o que eu nem sabia que precisava.
Mas, agora… agora, eu não tinha certeza se estava conseguindo segurá-la.
Dei um gole no uísque que havia servido mais cedo, o líquido quente descendo pela garganta, mas nem isso ajudou a aliviar o nó apertado no meu peito. Meu reflexo no espelho mostrava a verdade que eu tentava ignorar: eu estava tenso. Preocupado. Com medo.
E eu odiava me sentir assim.
Talvez fosse egoísmo da minha parte. Ela precisava desse espaço. Eu sabia disso. Eu via nos olhos dela a luta interna, o desejo genuíno de se encontrar. E como poderia culpá-la? Por mais que eu a amasse, eu não queria que ela se perdesse em nosso relacionamento — não queria que ela sentisse que estar comigo significava abrir mão de quem era.
Mas a questão que me atormentava era simples e brutal: e se, ao descobrir quem realmente é, ela perceber que não quer mais estar comigo?
Balancei a cabeça, tentando afastar esses pensamentos, mas eles estavam sempre lá, persistentes e incômodos.
Parte de mim queria correr atrás dela. Dizer que ela não precisava mudar nada, que para mim ela já era perfeita. Mas outra parte, a parte mais honesta, sabia que isso não resolveria nada. Porque não se tratava de mim. Era sobre ela. Sobre algo que eu não poderia consertar, não importava o quanto quisesse.
Me apoiei no batente da janela, observando as luzes de Vegas brilharem abaixo de mim. A cidade continuava pulsando, indiferente ao caos silencioso que acontecia dentro de mim. Carros passando, turistas rindo, música alta ecoando pelas ruas — tudo seguia em movimento, como se o mundo inteiro não estivesse prestes a desmoronar em minha cabeça.
Eu sabia que poderia segurá-la aqui, se quisesse. Eu conhecia Violet. Bastaria um toque certo, uma palavra no momento exato, e ela ficaria. Mas a questão era… eu não queria que ela ficasse por obrigação. Eu queria que ela quisesse ficar. Queria que ela escolhesse estar comigo, não porque era confortável, mas porque, mesmo tendo o mundo inteiro diante de si, ela ainda me escolheria.
E se eu a pressionasse agora, se tentasse controlá-la ou fazê-la sentir que sua busca por si mesma era uma ameaça ao nosso relacionamento, eu acabaria perdendo-a mais rápido do que imaginava.
Meu peito apertou ao pensar nisso.
Eu podia lidar com concorrência nos negócios. Podia lidar com o peso de decisões complicadas, com expectativas impossíveis. Mas perder Violet? Isso era a única coisa que eu não sabia como enfrentar.

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