Violet.
O ronco suave do motor do carro se silenciou assim que Damon estacionou na frente de casa. Suspirei, ainda perdida nas lembranças dos últimos dias. A lua de mel em Vegas foi intensa, reveladora, e, de certa forma, libertadora. Não só porque me permiti questionar quem eu era fora das expectativas alheias, mas porque Damon, com toda a sua paciência, me deu o espaço para isso sem jamais soltar minha mão.
— De volta à realidade — ele murmurou, virando-se para mim com um sorriso cansado, mas sincero.
— É — concordei, deslizando os dedos sobre a aliança reluzente na minha mão esquerda. Por mais que eu estivesse descobrindo partes de mim que antes ignorava, essa era a única certeza que não precisava ser questionada: eu queria estar com ele.
Destranquei o cinto e estava prestes a abrir a porta quando avistei três figuras paradas na calçada, duas delas com braços cruzados, expressões carregadas. Edgar e Megan.
À terceira estava tirando um cochilo de barriga para cima no gramado. Pulga.
— Ah, não — murmurei, apertando os olhos como se isso pudesse fazer a imagem desaparecer.
Damon seguiu meu olhar e soltou uma risada baixa.
— Eu sabia que isso ia acontecer.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Edgar já estava caminhando em nossa direção, com Megan logo atrás, ambos balançando a cabeça em reprovação exagerada.
— Vocês só podem estar brincando! — Edgar disparou, apontando para nós como se estivéssemos prestes a ser presos. — Fugiram pra casar? Sem avisar ninguém? Sem festa, sem drama, sem dar tempo pra gente fazer um discurso embaraçoso na frente de todo mundo?
Megan bufou, jogando os braços para o alto.
— Eu me senti traída! Como você pôde, Violet? Eu, sua melhor amiga, abandonada enquanto você se casava em Vegas como se estivesse numa comédia romântica de baixo orçamento!
Desci do carro, tentando segurar o riso.
— Vocês estão exagerando.
— Exagerando? — Megan arregalou os olhos, teatral como sempre. — Eu passei os últimos dias imaginando como seria minha entrada triunfal na sua festa de casamento, e você simplesmente me roubou isso!
— Ah, claro — Damon entrou na conversa, saindo do carro com um sorriso divertido. — Porque o casamento era sobre a sua entrada, não sobre nós.
— Exatamente! — ela respondeu sem hesitar, apontando um dedo para ele. — Finalmente, algo em que concordamos, Damon.
Edgar bufou, cruzando os braços como uma criança contrariada.
— E eu? Preparei um terno impecável. Fiz dieta, malhei, tudo pra ficar bem nas fotos. E vocês me deixam de fora?
— Como ousamos? — falei, sarcástica, andando até ele e lhe dando um abraço apertado. — Desculpa por termos cometido o crime hediondo de casar sem aprovação prévia.
Ele riu, finalmente cedendo, e Megan veio logo atrás, me abraçando forte.
— Tá, tá, eu perdoo — ela murmurou. — Mas só porque você parece feliz.
— Eu estou — respondi, sentindo Damon se aproximar atrás de mim.
Quando me virei, ele estava lá, com aquele olhar que prometia mais do que palavras poderiam dizer.
Edgar pigarreou.
— Ok, apaixonados. Vamos entrar antes que eu tenha uma overdose de romantismo.
E, assim, voltamos à realidade. Não mais como duas pessoas tentando se encontrar, mas como um casal pronto para enfrentar o que viesse — com amigos reclamando no caminho, é claro.
Mal atravessamos o portão quando um vulto peludo se ergueu no gramado da frente. Pulga bocejou preguiçosamente, esticando as patas dianteiras antes de levantar a cabeça e me encarar, confusa.
— Olha só quem tá aí! — falei, abrindo os braços.
Ela pareceu levar um segundo para processar, como se estivesse decidindo se minha presença era real ou um sonho canino. Mas, no instante seguinte, suas orelhas se ergueram e ela disparou na minha direção, com a língua de fora e o rabinho abanando como um ventilador descontrolado.
— Vem cá, minha bolinha de pelos! — me abaixei para recebê-la e fui imediatamente atacada por lambidas no rosto.
— Abandonou a coitada pra casar em Vegas — Edgar zombou, observando a cena com um sorriso no canto dos lábios.
— Eu sei, eu sei — falei, rindo enquanto afagava as orelhas macias da Pulga. — Fui uma péssima mãe. Mas prometo que não vou viajar tão cedo de novo, tá bom?
Pulga respondeu com um latido animado, como se entendesse cada palavra.
Damon se aproximou, abaixando-se ao meu lado para fazer carinho nela.
— Pelo menos alguém aqui tá feliz em nos ver — brincou, lançando um olhar divertido para Megan e Edgar, que ainda fingiam indignação.
— Bom, se você trouxer um saquinho de biscoitos na próxima viagem, talvez eu também te receba assim — Megan retrucou, cruzando os braços.

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