Damon
O barulho da porta se fechando atrás de Megan e Edgar ecoou pela casa silenciosa. Violet soltou um suspiro cansado, como se finalmente pudesse relaxar depois de um longo dia. Eu entendi o sentimento. Por mais que gostasse da companhia dos dois, minha cabeça estava em outro lugar — mais especificamente, na mulher ao meu lado.
— Enfim sós — brinquei, puxando-a pela cintura enquanto caminhávamos para a sala.
Ela sorriu, mas foi aquele tipo de sorriso automático, como quem responde por reflexo, sem realmente sentir.
— Enfim sós — repetiu, com a voz baixa.
Nos jogamos no sofá como dois soldados voltando da guerra. Pulga, sempre atenta ao menor sinal de sossego, pulou entre nós, rodopiou três vezes e se acomodou no colo de Violet. O silêncio que se instalou foi confortável por alguns instantes, até que comecei a perceber as pequenas coisas.
Violet estava ali, fisicamente presente, mas mentalmente em outro lugar. Seus dedos acariciavam o pelo de Pulga de forma distraída, os olhos fixos em algum ponto indefinido da sala. Ela costumava comentar algo sobre o jantar, fazer alguma piada sobre Edgar, qualquer coisa. Mas dessa vez, nada.
— Cinquentinha por seus pensamentos — disse, tentando quebrar a bolha invisível que parecia envolvê-la.
Ela piscou, como se estivesse voltando à realidade, e sorriu de novo — aquele sorriso ensaiado, sem brilho.
— Só cansada — murmurou, desviando o olhar.
Não era só cansaço. Eu sabia reconhecer quando algo incomodava Violet. Ela tinha esse hábito de se recolher quando algo pesava em sua mente, como se enfrentar sozinha fosse mais seguro do que compartilhar.
— Vi… — Toquei sua mão, fazendo-a me encarar. — O que foi?
— Nada, Damon. De verdade. Só estou com a cabeça cheia.
A forma como ela retirou a mão da minha, delicadamente, mas com firmeza, foi o suficiente para acender o alerta na minha mente. Aquilo não era só um dia ruim.
Meu primeiro instinto foi insistir. Pressionar, porque eu odiava essa sensação de ser mantido à margem, como se não fizesse parte do que quer que estivesse acontecendo com ela. Mas me contive. Violet sempre fora como um livro de capa dura: quanto mais você tentava forçar a abertura, mais as páginas se fechavam.
— Ok — respondi, fingindo indiferença enquanto me recostava no sofá.
Pulga se espreguiçou, alheia à tensão crescente entre nós.
O silêncio voltou, mas dessa vez não era confortável. Era pesado, quase sufocante. Eu a amava, droga. Queria ser o cara com quem ela dividia seus medos, suas dúvidas, suas inseguranças. Mas, ao mesmo tempo, sabia que empurrar só a afastaria mais.
"Respeite o espaço dela", pensei, quase como um mantra. Mas era mais fácil falar do que fazer.
Violet se levantou de repente, espreguiçando-se.
— Acho que vou tomar um banho e deitar. Foi um dia longo.
— Claro — murmurei, forçando um sorriso.
Fiquei ali, no sofá, ouvindo o som do chuveiro ligado e sentindo um aperto no peito. Algo estava mudando, e eu não sabia se isso significava que ela estava se encontrando ou se afastando de mim.
E o pior? Eu não sabia qual das opções me assustava mais.
Eu não entendia.
Desde aquela conversa em Vegas, fiz tudo o que achei certo. Apoiei Violet. Disse que estaríamos juntos nessa busca por quem ela queria ser. Não a pressionei, não a impedi de ter seu espaço. Pelo contrário, encorajei cada pequeno passo.
Então, por que ela parecia estar se afastando cada vez mais?
O som do chuveiro ecoava pelo corredor, mas minha mente estava longe dali. Recostei no sofá, encarando o teto, tentando juntar as peças de um quebra-cabeça que não fazia sentido.
Eu sabia que Violet precisava de tempo para se redescobrir, para entender quem era além do papel de esposa, namorada, filha… Mas, ao fazer isso, parecia que ela estava se afastando de mim, como se eu fosse parte do problema que ela precisava deixar para trás.
E isso doía mais do que eu estava disposto a admitir.
Passei a mão pelo rosto, frustrado. O que eu estava fazendo de errado? Eu sempre achei que amar alguém significava estar presente, apoiar, ser o porto seguro. Mas, talvez, amar também significasse saber a hora de soltar a mão.
Essa ideia me deu um frio no estômago.
Quando Violet saiu do banho, com os cabelos úmidos caindo sobre os ombros e vestindo um dos meus blusões, ela parecia distante. Não fria, mas como se estivesse presa em seus próprios pensamentos.
— Melhor? — perguntei, tentando soar casual.
Ela sorriu, aquele sorriso pequeno e educado que eu já estava começando a odiar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito