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Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito romance Capítulo 2

Violet.

Eu sabia que ele estava chateado. Damon nunca foi do tipo que esconde bem o que sente. O jeito como seus ombros estavam um pouco mais tensos, como evitou meu olhar ao abrir o armário para pegar uma caneca assim que voltou de sua corrida matinal… Tudo gritava que algo estava fora do lugar. E eu sabia exatamente o que era.

— Bom dia, querida — ele disse, a voz baixa, quase automática.

Tentei sorrir, mas saiu fraco. Observei enquanto ele enchia a caneca, sem a pressa habitual de quem sempre tomava o primeiro gole antes mesmo de o café parar de escaldar. Ele estava se segurando. Se afastando.

E doía.

Porque eu entendia. Desde aquela conversa em Vegas, algo entre nós mudou. Damon fez exatamente o que prometeu: me deu espaço, não pressionou, respeitou cada silêncio meu. Mas, ao fazer isso, ele também começou a erguer seus próprios muros. E eu não podia culpá-lo.

— Dormiu bem? — perguntei, quebrando o silêncio que se estendia entre nós.

Ele assentiu, virando-se para me encarar finalmente. Os olhos castanhos, sempre tão intensos, pareciam apagados.

— E você?

Dei de ombros. Não tinha dormido direito, a cabeça cheia de pensamentos, listas mentais de coisas que eu queria tentar, mudanças que eu queria fazer. Pequenas, mas significativas. Como se trocar a rotina fosse o primeiro passo para encontrar a mim mesma.

— Mais ou menos — admiti. — Estava pensando em dar uma volta depois do café. Talvez passar naquela livraria nova que abriu no centro.

Damon assentiu novamente, sem comentar.

Era assim agora. Conversas superficiais, trocas cuidadosas, como se estivéssemos ambos pisando em vidro.

Eu sabia que podia conversar com ele. Que precisava. Mas eu não sabia exatamente como expressar o que se passa na minha cabeça.

Damon se sentou à minha frente, tomando um gole do café. Eu sabia que deveria falar algo, puxar o fio dessa tensão antes que se enrolasse mais. Mas as palavras se prendiam na garganta. Como explicar que minha busca por mim mesma não significava que eu queria deixá-lo para trás?

Ele me olhou de soslaio, como se lesse meus pensamentos.

— Quer que eu te leve? — ofereceu, e a gentileza no tom só fez meu peito apertar mais.

Balancei a cabeça.

— Não precisa. Acho que… quero ir sozinha.

Dessa vez, ele não escondeu a mágoa. Foi sutil, um leve cerrar de maxilar, um piscar mais demorado.

— Certo.

Voltei a encarar minha xícara, sentindo o peso do silêncio entre nós. Eu estava machucando Damon sem querer, e ele estava se afastando para não me sufocar. Dois lados opostos de uma mesma corda, esticada até o limite.

— Damon… — comecei, mas ele já estava se levantando.

— Aproveita o passeio, Vi.

E com isso, ele saiu da cozinha, deixando para trás o cheiro de café e meu coração apertado.

Fiquei sentada à mesa por mais alguns minutos depois que Damon saiu, olhando para a xícara de café já morno entre minhas mãos. A dor no peito era quase física. Eu sabia exatamente o que estava passando pela cabeça dele. Ele achava que minha busca por independência era um prenúncio de algo pior — que, no fim das contas, eu descobriria que a vida ao lado dele não fazia parte do que eu queria para mim.

Mas ele estava errado.

Eu não queria um futuro sem Damon. Nunca quis. Ele foi a única coisa constante em meio ao caos que minha vida se tornou depois daquele noivado fracassado. Damon me estendeu a mão quando eu estava no fundo do poço, não para me puxar para o mundo dele, mas para me ajudar a me reerguer. Como ele podia achar que eu simplesmente o deixaria para trás agora?

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