Damon
Edgar entrou na sala com passos despreocupados, as mãos nos bolsos do jeans e um sorriso debochado no rosto. Ele olhou ao redor da sala comercial, analisando o espaço vazio, as paredes brancas e o chão de cimento polido, sem móveis, sem quadros, sem vida. Então, soltou uma risada curta.
— Gostei da decoração minimalista. Bem moderno.
Revirei os olhos, cruzando os braços.
— Engraçado. Eu te chamei aqui para falar de negócios, não para criticar meu gosto decorativo.
— Que gosto? — ele rebateu, jogando-se em uma das cadeiras dobráveis que eu havia trazido apenas para não parecer que estávamos conversando no meio de um galpão abandonado.
Ignorei. Não porque ele não tinha razão, mas porque eu sabia que se deixasse, ele me enrolaria até o final do dia sem que eu dissesse o que realmente queria.
Respirei fundo, apoiando as mãos no tampo da mesa improvisada entre nós.
— Eu quero abrir um negócio com você.
Edgar arqueou uma sobrancelha, finalmente prestando atenção de verdade.
— Você quer... o quê?
— Nós dois. Só nós dois. Um negócio próprio. Algo que seja realmente nosso.
Ele me estudou por um momento, tentando entender se eu estava falando sério. Eu sabia que parecia loucura. Mas eu também sabia que, se havia alguém no mundo que entenderia o que eu queria dizer, esse alguém era Edgar.
— A gente passou a faculdade inteira juntos — continuei, minha voz mais grave, carregada de algo que eu não sabia nomear. — Depois, mantivemos a empresa do meu pai funcionando quando ele não estava mais lá. Demos o nosso sangue para aquilo, mesmo sabendo que nunca seria nosso de verdade.
Edgar suspirou, apoiando os cotovelos nos joelhos e entrelaçando os dedos. Eu sabia que ele entendia exatamente o que eu queria dizer.
— E agora? O que você quer fazer?
Engoli em seco. Essa era a parte difícil.
— Eu ainda não sei.
Ele riu, descrente.
— Você me chama aqui, faz um discurso emotivo, fala sobre começarmos algo juntos e não tem a mínima ideia do que esse ‘algo’ seria?
— Ainda. — Cruzei os braços. — Mas sei que quero que seja nosso. Algo que construímos do zero. Algo que não carregue o peso da minha família, que não tenha herança, obrigações ou expectativas sufocantes.
Por um momento, Edgar ficou em silêncio. Então, ele sorriu, balançando a cabeça.
— Isso é uma péssima ideia.
Sorri de volta.
— Eu sei.
— Mas e daí? As melhores ideias que tivemos na vida também pareciam péssimas no começo.
Soltei um suspiro pesado, sentindo o peso daquele momento.
— Então, você está dentro?
Edgar se recostou na cadeira, um brilho familiar no olhar.
— Claro que estou. Agora só precisamos descobrir no que diabos vamos meter a cara.
Me joguei na cadeira ao lado de Edgar, soltando um suspiro pesado enquanto olhava ao redor. O espaço ainda estava vazio, mas agora parecia diferente. Como se tivesse potencial.
— Eu comprei essa sala. — Minha voz soou mais firme do que eu esperava. — Esse é o primeiro passo.
Edgar sorriu, assentindo devagar.
— Bom, agora está oficial. Você realmente enlouqueceu.
Ri pelo nariz, passando as mãos pelo rosto.
— Você ainda pode pular fora.
— Não agora. Quero ver onde isso vai dar.
Ficamos alguns segundos em silêncio, apenas absorvendo o momento. Então, Edgar me lançou um olhar curioso, cruzando os braços.
— Mas e aí? O que te deu essa vontade de mudar tudo?
Suspirei, sentindo o peso da pergunta. Eu sabia que ele não estava falando só da empresa.
— Violet.
Ele não pareceu surpreso. Apenas esperou que eu continuasse.
— Ela quer encontrar a si mesma. Entender quem ela realmente é sem todas as influências que sempre teve.
Edgar franziu a testa.
— Isso quer dizer que ela quer mudar?
Balancei a cabeça.
— Acho que não é bem sobre mudar. É sobre descobrir. Mas, ao mesmo tempo, eu... — Passei a mão pelos cabelos, buscando as palavras certas. — Eu não sei onde me encaixo nisso.

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