Damon
O som da água correndo no banheiro preenchia o quarto, um ruído abafado que normalmente eu ignoraria. Mas agora, tudo parecia diferente. Estava jogado na cama, o notebook de Violet equilibrado nas minhas pernas, enquanto navegava sem muito interesse em busca de um restaurante para jantarmos. Meu plano era simples: sair, conversar, aproveitar a noite sem o peso das últimas semanas.
Então, um pop-up no canto da tela chamou minha atenção. Um novo e-mail. O nome da diretora da escola onde Violet lecionava apareceu em negrito. Não deveria abrir, eu sabia disso, mas antes que pudesse racionalizar, o cursor já estava sobre a notificação. Cliquei.
O e-mail se expandiu diante dos meus olhos, as palavras saltando da tela. “Segue a proposta formal para discutirmos melhor sobre sua possível transferência para Washington…” Meu estômago revirou. A mensagem continuava detalhando o projeto, falando sobre como o trabalho de Violet havia sido reconhecido e o impacto que ela poderia ter em um novo programa para jovens de comunidades carentes. Um convite. Um recomeço. Mas não aqui. Não comigo.
Minhas mãos apertaram as bordas do notebook, os nós dos dedos ficando brancos. Ela não me contou. Não disse uma palavra sobre isso. A cena daquela tarde passou pela minha cabeça — ela desviando o olhar, insistindo que a novidade não era importante. Mas era. Era grande. E ela escondeu de mim.
Engoli em seco, tentando afastar a sensação de traição que subia pela minha garganta. Eu confiava em Violet. Sempre confiei. Mas, naquele momento, não conseguia evitar o aperto sufocante no peito. E se ela não me contou porque já tinha tomado sua decisão? E se essa busca pelo que ela queria a levasse para longe de mim?
Eu fiquei ali, olhando para a tela do notebook, sentindo meu estômago se revirar. O e-mail estava bem ali, como uma prova inegável de que Violet tinha me escondido algo importante. Algo que poderia mudar tudo.
Engoli em seco, lendo novamente as palavras da diretora, como se reler fosse fazer aquilo parecer menos real. "Uma oportunidade incrível", "mudança necessária", "papel essencial no projeto". Palavras que pareciam ecoar dentro da minha cabeça como um aviso de que eu estava prestes a perder a mulher que amo.
O barulho do chuveiro ainda corria no banheiro. Violet estava ali, a poucos metros de mim, e ainda assim, eu nunca me senti tão distante dela.
Fechei o notebook de repente, como se aquele simples gesto pudesse apagar o que eu havia acabado de ler. Meu peito apertou, uma sensação sufocante tomou conta de mim. Eu confiava nela. Sempre confiei. Então por que ela não me contou? Por que esperou? Será que ela estava tentando encontrar um jeito de me deixar sem que eu percebesse?
Tentei me levantar, mas minhas pernas pareciam mais pesadas. Respirei fundo, passando as mãos pelo rosto. Eu precisava me acalmar. Precisava agir racionalmente. Mas como eu podia fingir que estava tudo bem quando a mulher que eu amava estava prestes a ir embora?
O som do chuveiro parou, e alguns segundos depois Violet saiu do banheiro, vestindo um roupão, com os cabelos ainda pingando. Ela me viu ali, sentado na cama, e sorriu de leve.
— Você já escolheu onde vamos jantar? — perguntou, amarrando o cinto do roupão.
Eu forcei um sorriso, tentando empurrar a onda de sentimentos para o fundo da minha mente. Mas não era tão simples. Não depois daquilo.
— Ainda não — minha voz saiu um pouco rouca. Limpei a garganta e tentei soar mais normal. — Estava olhando, mas não decidi.
Ela assentiu e foi até o armário, pegando uma roupa. Eu observava cada movimento seu, cada detalhe, tentando encontrar algum sinal de que ela sabia que eu havia descoberto. Mas ela parecia normal. Tranquila.
— Podemos ir naquele restaurante italiano que você gosta — sugeriu, me lançando um olhar pelo espelho.
Pensei em como, minutos atrás, eu estava animado para jantar fora com minha esposa. Como eu queria celebrar essa nova fase da minha vida ao lado dela. Mas agora tudo parecia um borrão confuso de sentimentos que eu não conseguia controlar.
— Parece uma boa ideia — murmurei.
Violet se vestiu e veio até mim, passando os dedos pelo meu cabelo de leve.
— Você tá bem? — perguntou, com um olhar preocupado.
Queria tanto dizer que não. Que eu estava longe de estar bem. Mas eu apenas assenti, forçando mais um sorriso.
— Só um pouco cansado
A mentira escorregou pelos meus lábios antes que eu pudesse controlá-la. Uma resposta automática, vazia, mas necessária. Meu estômago se revirava, a ansiedade crescendo como uma tempestade prestes a explodir. O silêncio entre nós ecoava no quarto, e, por um momento, tudo o que eu conseguia ouvir era o som do meu coração que parecia prestes à pular do meu peito.
Meus dedos apertaram a lateral do notebook fechado no meu colo. Eu sabia que deveria olhar para outro lado, deveria fingir que não tinha visto nada. Mas era tarde demais. As palavras estavam gravadas em minha mente, queimando como ferro em brasa.
Uma proposta formal para um novo cargo. Um projeto ambicioso, significativo. Uma oportunidade única.
Em Washington.

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