Damon
O ar frio da noite cortava meu rosto enquanto eu corria sem destino certo. Minhas pernas se moviam automaticamente, os passos ritmados contra o asfalto molhado, mas minha mente estava em completo caos.
Eu precisava sair de casa. Precisava respirar. Precisava me afastar antes que dissesse algo que não pudesse ser retirado depois.
As palavras de Violet ecoavam na minha cabeça como um disco arranhado. "Talvez eu precise ir para saber quem eu sou de verdade sem ninguém por perto." Cada vez que repetia aquilo na minha mente, sentia o peito apertar, como se o ar simplesmente não conseguisse alcançar meus pulmões.
Ela precisava ir.
Ela queria ir.
E o que isso significava para nós? O que isso significava para mim?
A cada passada, sentia a adrenalina queimando no meu corpo, tentando substituir a dor sufocante que não dava trégua. A cidade passava por mim em borrões de luzes e sombras, mas eu não via nada de verdade. Meu peito subia e descia com força, não pelo esforço da corrida, mas pela batalha interna que se desenrolava dentro de mim.
Sempre fui honesto com ela. Sempre fiz meus planos para que estivéssemos juntos. E agora, pela primeira vez, sentia que estava lutando sozinho.
Violet era tudo para mim, mas e se eu não fosse o suficiente para ela? E se nada do que fiz, nada do que construí ao nosso redor, fosse suficiente?
Minhas mãos se fecharam em punhos. O suor escorria pela minha nuca, mas eu não diminuí o ritmo. Meu corpo inteiro gritava para continuar correndo, como se pudesse deixar para trás toda a confusão, toda a incerteza. Como se o simples ato de me mover fosse o suficiente para afastar a dor esmagadora que ameaçava me consumir.
Passei por ruas que conhecia de olhos fechados, mas não parei. Eu queria sentir o impacto do chão sob meus pés, queria sentir o calor nos músculos, qualquer coisa que me fizesse esquecer a sensação de estar sendo arrancado para longe da única pessoa que eu jamais quis perder.
Eu abdiquei de tantas coisas por Violet. Fiz tudo sem hesitar porque queria estar com ela. Porque acreditei que estávamos construindo algo juntos.
Mas agora, agora eu não tinha certeza de mais nada.
Eu a amava. Deus, como eu a amava. Mas amar alguém significava deixá-la ir, se fosse isso que ela realmente queria?
Meu coração batia forte, em parte pelo esforço, em parte pela dor que se recusava a ir embora. Diminuí o ritmo aos poucos, até parar completamente no meio de uma calçada qualquer.

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