Damon
Estava terminando de organizar os papeis na minha mesa quando ouvi uma batida na porta. Ao levantar o olhar, vi Tompson parado ali, um sorriso forçado no rosto, mas com um claro desconforto estampado no maxilar tensionado. Bem típico dele.
— O senhor me chamou? — perguntou, mantendo-se rígido, olhos cautelosos como se já previsse o que eu queria.
— Sim. — Indiquei a cadeira em frente com um gesto firme. — Sente-se.
Ele hesitou antes de me obedecer, ajeitando o terno e sentando-se com uma formalidade quase exagerada. Eu o observei, notando a expressão cuidadosa que ele tentava sustentar. Podia sentir que ele sabia que havia algo a ser dito ali, e essa tensão ficava evidente em cada movimento calculado, no franzir leve da testa, no modo como o olhar dele se prendia ao meu por segundos, desviando logo em seguida.
Me recostei na cadeira, cruzando as mãos sobre a mesa. Um silêncio pesado se instalou entre nós. A intenção era clara: deixá-lo desconfortável, e funcionou. A tensão pairava como uma nuvem densa, e eu sabia que ele sentia cada segundo se estender, torcendo para que aquilo acabasse logo.
— Quero acertar umas coisas com você — soltei finalmente com o tom de voz firme e direto. Meus olhos se fixaram nos dele, observando cada nuance da reação. Vi um leve tremor no canto dos lábios, um indício que ele tentava esconder a qualquer custo.
Ele suspirou, tentando manter a compostura, mas eu percebi a rigidez nos ombros, a maneira como evitava me encarar por muito tempo. Estava acuado, mesmo tentando disfarçar. Era óbvio que ele sabia que estava pisando em terreno perigoso — e, para ser sincero, era exatamente onde eu queria que ele estivesse.
Violet havia insistido em dar a notícia por conta própria. Queria se encarar com ele, cara a cara, como se cada palavra pudesse ser uma vitória pessoal sobre o homem que a subestimara tantas vezes.
Mas… eu tinha uma ideia melhor melhor.
O mundo dos homens não era um terreno onde gestos de justiça pessoal tinham o mesmo efeito. Era um jogo mais calculado, feito de pequenas provocações e intenções sutis, e poucas coisas ferem mais do que uma notícia que vem das mãos de outro homem — alguém que ele sabia ser agora o novo “dono” da narrativa.
A verdade é que Tompson reagiria muito mais intensamente ouvindo de mim. Sentiria o golpe de uma forma que talvez nem mesmo Violet pudesse prever, mas eu conhecia esse tipo de reação. O orgulho dele, ferido de uma forma quase cirúrgica, se contorceria ao saber que a decisão já fora tomada, que ele não tinha mais o controle, e que agora o "rival" era quem ditava as regras.
Eu olhei para ele, esperando o momento exato. Já não era apenas a entrega de uma notícia. Era dar a Violet exatamente o que ela queria, mesmo que ela não soubesse disso ainda: aquele olhar de frustração cravado no rosto de Tompson, aquele instante em que ele se desse conta de que, dessa vez, ele estava fora do jogo.
— Tompson — comecei, cruzando os braços e inclinando-me ligeiramente para frente —, vou ser direto com você. Não era eu quem deveria te contar isso. Na verdade, essa notícia deveria vir da própria Violet. Ela preferia que fosse assim, e eu entendo os motivos. Mas, entre nós dois, sinto que é meu dever, como homem, esclarecer algumas coisas.
Ele respirou fundo, como quem já pressentia o golpe.
— Violet e eu… estamos juntos. Sei que a história de vocês ainda é recente, que houve promessas e planos. — Fiz uma pausa, medindo cada palavra. — Mas isso é coisa do passado. Um passado que, francamente, não me incomoda em nada.
Tompson engoliu em seco, seu olhar tentando permanecer indiferente, mas sua tensão transparecendo. Eu continuei, aproveitando cada fração de segundo em que ele não sabia ao certo como reagir.

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