Damon
Violet me olhava, os olhos arregalados, as bochechas coradas e a respiração presa nos pulmões. Eu não podia fazer mais nada para pressionar sua decisão, eu sabia o que queria, e deixei claro para ela, agora restava esperar que Violet me quisesse tanto quanto eu a desejava.
O silêncio entre nós parecia uma eternidade. O calor que emanava da sua pele, o nervosismo estampado no rosto, era tudo o que eu podia perceber enquanto ela digeria minhas palavras. Eu não a conhecia o suficiente, mas sabia que ela estava atenta aos detalhes, analisando cada movimento meu, cada sílaba que eu proferia. Era difícil prever o que ela faria, mas eu tinha o controle da situação.
— Violet — falei, com um tom mais suave, quase um sussurro, tentando quebrar o gelo que se formava entre nós. — Estamos nessa juntos, você sabe disso. O que eu sugeri pode ser... mais vantajoso para ambos.
Ela mordeu o lábio inferior, como se tentasse encontrar palavras para resistir. Sua expressão era uma mistura de incredulidade e hesitação. A atração entre nós, que eu não tinha como negar, estava lá. E, por mais que ela tentasse esconder, eu via o brilho no olhar dela, o pequeno suspiro que escapava de seus lábios.
A verdade é que, no fundo, eu sabia que ela sentia a mesma coisa. Não poderia ser apenas sobre um acordo de casamento. Havia algo mais. Algo que nem ela mesma queria admitir.
Eu me aproximei um pouco mais, sentindo a tensão no ar. A verdade era que, no fundo, eu sabia que ela sentia a mesma coisa. Não poderia ser apenas sobre um acordo de casamento. Havia algo mais. Algo que nem ela mesma queria admitir.
— Às vezes, as melhores coisas vêm quando se menos espera. Você vai ver.
Como se uma força maior estivesse à ajudando, naquele momento, a garçonete voltou com nossos pratos, interrompendo qualquer tentativa de resposta dela. Era como se o destino tivesse decidido que aquele fosse o momento de dar uma pausa, um espaço para reflexão.
Ela colocou à minha frente um prato impecável: filé mignon ao molho de vinho tinto, servido com uma suave purê de batata trufado e aspargos frescos. O aroma da carne perfeitamente selada misturava-se com a fragrância das ervas que compunham o molho, criando uma combinação quase hipnotizante.
À frente de Violet, o prato era igualmente sofisticado, mas mais leve: peito de frango grelhado, envolto em um molho de mostarda Dijon com um toque de mel, acompanhado por legumes salteados e um risoto de cogumelos selvagens. O aroma dos cogumelos frescos se destacava, fazendo até o ambiente parecer mais acolhedor e intimista.
Deixei que o tempo da refeição fosse tranquilo para Violet pensar sobre o que eu tinha proposto. Cada garfada parecia mais uma pausa, mais um momento de reflexão, como se ela estivesse absorvendo as palavras que eu deixara no ar. Eu sabia que ela estava me analisando tanto quanto eu a observava. Não havia pressa, não havia necessidade de forçar nada. O jogo já estava em andamento, e agora era só esperar que ela fizesse sua jogada.
Comi com calma, saboreando cada pedaço da carne macia, enquanto observava Violet comer uma garfada atrás da outra, como se quisesse manter sua boca cheia para não correr o risco de dizer algo sem pensar. Eu a via com uma mistura de paciência e curiosidade, cada movimento dela parecia calculado, como se estivesse preparando sua próxima reação sem sequer perceber que eu a observava tão atentamente.
Ela tentava, de alguma forma, evitar meus olhos, mas eu sabia que ela sentia a pressão do que eu tinha proposto. Era visível em seus gestos, nas pequenas pausas que fazia antes de engolir, como se estivesse tentando processar o que aquilo significava para ela, o que realmente significava estar casada com alguém como eu.
A cada garfada, ela parecia um pouco mais tensa, como se o ato de comer fosse um mecanismo para manter o controle da situação. Eu me permiti sorrir discretamente, apreciando a maneira como ela tentava evitar o confronto direto, quando na verdade, tudo ao nosso redor já estava prestes a mudar. Ela sabia disso, eu sabia disso, mas o que realmente importava era o momento em que ela finalmente falasse, em que decidisse o que fazer com as escolhas que tinham sido colocadas diante dela.
O silêncio entre nós não era desconfortável. Era uma expectativa compartilhada, um espaço onde as palavras ainda não eram necessárias. E assim continuamos, comendo, mas ao mesmo tempo jogando um jogo de olhares e pequenas ações, ambos esperando que o outro tomasse a primeira atitude.
Violet queria aquilo, e eu sabia. Se não quisesse, teria negado de prontidão, mas ela não fez nada disso. Em vez disso, mantinha a postura rígida, como se cada garfada fosse uma maneira de evitar o confronto. O que eu via era uma luta interna, algo mais profundo. Ela estava lutando contra os próprios desejos, contra a atração que eu sabia que sentia, mas não queria admitir. E era quase fascinante observar a batalha se desenrolando dentro dela.
Cada vez que ela olhava para o prato, parecia buscar algo para se distrair. Mas a tensão era palpável. Eu não precisava de palavras para perceber o que estava acontecendo. Se fosse simples, ela teria me confrontado diretamente. Se não estivesse pelo menos atraída pela ideia, teria levantado e ido embora, mas não fez nada disso. Pelo contrário, ela parecia absorver a proposta como um elixir, ao mesmo tempo em que tentava encontrar uma maneira de se distanciar emocionalmente de tudo o que eu estava oferecendo.
Quando terminamos de comer, eu ainda estava imerso em meus próprios pensamentos, tentando encontrar a melhor maneira de fazê-la se sentir confortável, para que finalmente fosse honesta com o que realmente queria. Eu sabia que ela ainda estava se protegendo, guardando as palavras para si mesma, mas queria que ela soubesse que eu estava disposto a ouvir. Eu queria que ela se abrisse, que permitisse que seus desejos falassem mais alto do que o medo ou a dúvida.
Enquanto processava isso, senti um toque suave em meu ombro, interrompendo meu raciocínio. Virei o rosto, encontrando uma mão bronzeada, com longas unhas pintadas de vermelho, repousando sobre mim. Segui o olhar da pessoa até encontrar um par de olhos castanhos, profundos e curiosos, e um sorriso largo, quase provocador.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito