— Era isso? — perguntei, cortando o silêncio que se seguiu ao final da reunião com Edgar e minha secretária.
Stevens trocou as pernas cruzadas pela décima vez durante a última hora, ajeitando os óculos.
— No momento, sim.
— Conseguiu meu motorista? — perguntei, já cansado do assunto.
— Agendei quatro entrevistas para amanhã. Posso dar uma sugestão, senhor?
Fiz um gesto com a mão para que ela continuasse, sem sequer olhar para ela enquanto afrouxava a gravata.
— Sei que foi difícil encontrar alguém que atendesse todos os seus requisitos. Por que não chama Eathan de volta e arruma um novo para a Violet?
O nome dela fez meu corpo reagir antes que eu processasse. Meus olhos ergueram-se para Stevens, e a tensão na sala pareceu crescer.
— Não tivemos essa conversa antes? — falei, com a voz baixa, mas carregada de irritação.
— Violet? — Edgar perguntou, levantando uma sobrancelha enquanto lançava um olhar curioso para Stevens. — Falou como se a conhecesse.
Minha secretária manteve a postura, mas deu de ombros de maneira despreocupada.
— De vista — respondeu, sem emoção, enquanto voltava a digitar algo no tablet.
Edgar franziu o cenho, claramente não satisfeito. E, sinceramente, eu também não estava.
— Qual é exatamente a sua relação com o Eathan, Stevens? — perguntei, deixando transparecer a ponta de desconfiança que agora se formava na minha mente.
Ela parou por um instante, mas logo recuperou o controle.
— Somos amigos.
— Hum. — Deixei o som escapar, analisando cada movimento dela.
Algo não me parecia certo. A resposta foi direta, talvez até demais, e não combinava com o estilo meticuloso de Stevens.
Edgar, do outro lado, parecia compartilhar da mesma impressão. Sua expressão era um misto de curiosidade e suspeita enquanto me olhava de canto de olho. Ele estava pensando exatamente o que eu estava.
— Amigos, hein? — Edgar provocou, inclinando-se na cadeira com um sorriso malicioso. — Que tipo de amigos?
Stevens finalmente levantou os olhos, fixando-os em Edgar. — Os que sabem manter as coisas profissionais, senhor Poe.
A resposta foi certeira, mas a tensão na sala só aumentou.
Havia algo nessa história que não batia. E, pela expressão de Edgar, ele estava tão determinado quanto eu a descobrir o que era.
— Pode nos dar licença? — pedi a Edgar, minha voz carregada.
— Nem pensar. — Ele sorriu, cruzando as pernas e se acomodando ainda mais na cadeira, claramente se divertindo com a situação.
Respirei fundo, tentando não perder a paciência. Fixei meu olhar nele, sério e direto, deixando claro que aquele não era o momento para brincadeiras.
— Tudo bem... Credo, que mau humor — resmungou, levantando-se de má vontade enquanto ajeitava o paletó. — Conversamos depois.
Ele deu um tapinha no meu ombro antes de sair da sala, como se dissesse “boa sorte”, e fechou a porta atrás de si.
Voltei minha atenção para Stevens, que permaneceu imóvel em sua postura profissional, mas seus olhos evitavam os meus.
— Agora que estamos a sós, pode ser um pouco mais honesta? — perguntei, entrelaçando os dedos sobre a mesa e inclinando-me ligeiramente para frente. — Qual é exatamente o seu envolvimento com Eathan?
Stevens hesitou por um momento, algo raro para ela. Isso apenas confirmava que havia mais nessa história do que ela queria admitir.
— Você sabe o que penso sobre relacionamentos entre funcionários... temos políticas dentro da empresa. — Minha voz saiu firme, mas mantive o tom controlado, tentando avaliar a reação dela.
— Por que acha que tenho um relacionamento com ele? — Stevens rebateu na defensiva, o tom levemente mais alto do que o habitual.
Inclinei a cabeça, observando-a como quem desmonta uma máquina para entender como funciona.
— Estar fazendo o possível para deixá-lo longe da minha mulher é uma boa dica.
Joguei meu peso para trás na cadeira, cruzando os braços. Minha postura deixava claro que estava aguardando uma explicação convincente.

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