Damon
Violet não estava feliz. Isso era óbvio.
Thompson me avisou assim que ela entrou no elevador, exatamente como eu havia mandado. Pelo menos uma coisa estava sob controle. Stevens tinha sido rápida em pegar suas coisas e sair daqui antes que Violet chegasse. Achei que tinha sido esperto, pensei que tinha evitado mais um problema. Estava convencido de que, quando as portas do elevador se abrissem e ela me visse ali, esperando por ela, eu ganharia um sorriso.
Grande erro.
As portas deslizaram, e o que eu recebi foi um olhar que parecia uma mistura de cansaço, irritação e algo que eu não conseguia decifrar, mas sabia que não era coisa boa.
— Achei que isso fosse um escritório, não uma recepção de hotel de luxo. — Ela disse, cruzando os braços enquanto descia do elevador.
Ok, definitivamente não era o que eu esperava.
— Tive um tempo livre. Pensei em te esperar. — Respondi com um tom casual, tentando não me abalar.
Ela arqueou uma sobrancelha, me olhando de cima a baixo.
— Esperou por mim? Que consideração. É uma pena que não seja tão bom em evitar confusões quanto é em me surpreender, Damon.
Aquilo me atingiu como um soco, mas mantive a postura. Não ia ceder, não agora.
— Confusões? — Inclinei a cabeça, fingindo não entender.
— Não se faça de desentendido. — Ela deu um passo à frente, a força na sua voz era inegável. — Eu não sou idiota, Damon.
E lá estava, o confronto que eu sabia que viria mais cedo ou mais tarde.
Violet olhou ao redor, como se esperasse que alguém estivesse escondido, assistindo à cena. Então, sem aviso, enfiou a ponta do dedo no meu peito, seu olhar carregado de raiva e algo mais — decepção, talvez.
— Como assim a Rosalind é a sua secretária? Está brincando comigo?
Câmera escondida? Sexto sentido? Algum jogo cósmico pra testar minha paciência?
Por isso que eu nunca mudei de ideia sobre casamentos. Não é pra mim.
Respirei fundo, tentando manter a calma. Não era exatamente o tipo de conversa que eu esperava.
Apontei para minha sala, mantendo meu tom o mais neutro possível.
— Vamos entrar, por favor.
Ela cruzou os braços, hesitando por um momento, antes de bufar e passar por mim. O perfume dela preencheu o ar entre nós, doce e familiar, mas o clima estava longe de ser agradável.
Fechei a porta atrás de nós e me virei para encará-la. Ela já estava plantada no meio da sala, me encarando como se esperasse uma explicação milagrosa.
— Antes que você comece a tirar conclusões precipitadas...
— Precipitadas? — Ela me interrompeu, sua voz subindo um tom. — Você achou uma boa ideia esconder de mim que a mulher que ajudou a acabar com meu casamento trabalha com você, e eu é que estou tirando conclusões precipitadas?
Fechei a porta atrás de mim e me virei para encará-la, mas o olhar afiado de Violet me fez reconsiderar qualquer abordagem mais amena.
— Achei que você só fosse mal-humorada de manhã. — Resmunguei, mantendo o tom leve, mesmo sabendo que estava pisando em terreno minado.
— O quê?
— Disse que é pra sentar a bunda na cadeira e me deixar explicar. — Grunhi, apontando para a cadeira em frente à minha mesa.
Ela estreitou os olhos, hesitando por um segundo, mas acabou cedendo. Cruzou os braços e se jogou na cadeira com um suspiro impaciente.
Respirei fundo. Não desconte seu dia de merda na Violet. Ela é o motivo de toda essa frustração? Sim. Mas não desconte, Damon.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Sob Contrato: O Acordo perfeito