Amor Sombrio romance Capítulo 32

O longo vestido branco drapeado com pedrarias em seu busto fez com que Lis olhasse para seu reflexo no espelho indagando-se o que fazia de sua vida. Seus cabelos eram mantidos presos em um penteado formal, enquanto a maquiagem a deixava com a face mais rosada e sem qualquer imperfeição. Ela sabia que estava perfeita. Ela sabia que estava deslumbrante, mas nada daquilo a fazia se sentir feliz.

A cada segundo sentia-se ainda mais angustiada. Aprisionada ao se recordar da fotografia de Susana em cima da mesa de Michael, e se viu tentando imaginar como seria se Susana aparecesse em frente ao segundo príncipe.

Ele iria atrás dela sem hesitar.

Se viu pensando ao fechar os olhos por alguns segundos. Por mais que a insanidade de Michael a fizesse se sentir desconfortável, ela visto algo por baixo de seus olhos assustadores. Lis sabia que Michael sentia medo.

Lis conhecia o olhar aterrorizado na face do príncipe assim como o receio dele em se aproximar das pessoas, e talvez por isso, se via angustiada com o futuro. Angustiada com o que faria se Susana aparecesse.

— Estou realmente louca ao ponto de me sentir triste se ele fugisse com ela? – Suspirou tentando negar o que começara a sentir. – Somente se eu for louca para sentir algo por ele – Decretou séria antes de escutar batidas na porta. Caminhou a passos lentos, abrindo a porta do quarto no palácio se deparando com Michael com o mesmo uniforme de outrora. Ele ainda continuava tão belo quanto enigmático naquele uniforme.

— Está linda – Elogiou com um ligeiro sorriso estendendo a sua mão. Lis sabia que deveria negar, falar algo para tirar a atenção das palavras dele de sua mente, mas nada conseguiu. Ela apenas segurou a mão de Michael com delicadeza. A mão grossa do príncipe sempre a fazia se sentir confortável e protegida mesmo após as tentativas dele em destruí-la. – Muito silenciosa para um poodle – Murmurou próximo ao seu ouvido ao caminharem pelo corredor vazio. O som de passos ecoavam pelo extenso corredor.

— Depois dessa festa, eu irei embora – Lis falou cansada sem se atrever a encará-lo assim que ele estancou, fazendo-a parar.

— Do que está falando?

— Concordei em vir para essa festa, mas depois irei sumir.

— Vai desistir de sua bolsa e da universidade de seus sonhos? – A pergunta repleta de escarnio a fez suspirar. Michael sabia o quanto aquilo era importante para Lis. – Não imaginei que fosse um poodle tão medroso.

— Mesmo os poodles sabem quando correr de um cachorro maior – Deu de ombros ao tentar soltar-se de Michael, mas ele apertou a sua mão, puxando-a de encontro ao seu corpo – Vai tentar me estrangular novamente? – A pergunta feita friamente fez o príncipe negar com um aceno de cabeça. – Imagino que vá me beijar então – Michael negou novamente antes de olhar para frente, verificando se alguém se aproximava, e diante da negativa, a girou fazendo com seu vestido rodopiasse levemente. Acompanhado de um sorriso, Michael, deu dois passos para frente à fazendo andar para trás, e como se dançassem em sincronia continuaram até chegarem próximo ao quarto de Lis. A jovem não conseguiu pronunciar nenhuma palavra ao sentir a fragrância entorpecente e segurar na mão do príncipe. Ela sentiu como se aquilo fosse a última vez em que estariam daquela forma. Reprimindo um sorriso ao ver o olhar de Michael, Lis abaixou a cabeça. Ela não queria que ele percebesse que ela estava feliz.

— Realmente vai me abandonar? – Michael indagou ao parar em frente ao seu quarto, grudando as costas dela na porta. – Vai realmente fazer isso depois que eu a salvei? Depois que finalmente conseguiu entender como eu me sentia?

Lis suspirou virando o rosto.

— Estou fazendo uma pergunta – Gritou repleto de frustração ao olhar para o seu rosto. E antes que ela pudesse responder, a afastou levemente da porta para abri-la, colocando-a para dentro. – Eu quero que converse comigo.

— Essa deve ser a primeira vez então – Respondeu ao olhar em volta. O quarto do segundo príncipe era diferente do que ela imaginara. A cama parecia intocável com a arrumação impecável, não havia tapete no chão, as janelas estavam com uma cortina pesada que deixava o quarto escuro, em cima da mesinha de canto ela conseguiu ver uma faca usada por soldados do exército, e o único espelho estava coberto. – Seu quarto representa bem a sua personalidade – Murmurou ligeiramente deslumbrada. – Escuro, solitário e ao mesmo tempo perfeito. Não precisava ter me mostrado a mesma face que mostra para todos. Eu poderia ter compreendido a sua dor.

— Do que está falando? – Murmurou ao encarar os lábios de Lis.

— Você tem transtorno pós traumático. O seu quarto confirmou. Poderia ter falado desde o ínicio, e talvez isso tudo não acabasse assim.

Michael a olhou silencioso, soltando-a. Ele se afastou ao se colocar suas costas encostadas na porta, enquanto cruzou os braços em frente ao seu corpo.

— E novamente está na defensiva. Eu não estou pedindo para que me diga o que houve com você, estou apenas falando que entendo um pouco.

— Ninguém entenderia – Revelou com a voz amargurada.

— Deveria tentar. – Deu de ombros – Vamos para a festa.

— Não sairemos daqui – Revelou ao encará-la com um sorriso na face – Eu não me importo que grite, mas não a deixarei sair daqui.

— E por que faria isso? Se esforçar tanto para que eu não saia desse quarto.

— Se fizer isso, destruirá tudo – Revelou ao manter os olhos fixos nela, mas desta vez, Lis engoliu em seco. O olhar de Michael beirava a insanidade. – Ninguém ficará em meu caminho.

— Sobre o que está falando?

— Se eu contar, sabe que nunca a deixarei ir, não é? – Sorriu cruelmente – E é isso que deseja? Sei que quanto mais sou perverso, mas a estimulo a tentar me compreender. Pessoas boas como você querem encontrar a bondade nas outras pessoas, e isso é a sua ruina. Não sou bom Lis. Nunca fui.

—O que está falando?

— Sempre fui doente. Sempre coloquei meus desejos na frente de tudo, e isso me transformou no que sou hoje. E por isso continuarei seguindo em frente até tudo ruir, e a usarei para isso. – Diante da expressão dela, gargalhou – Realmente não sabe o motivo do meu pai a ter escolhido, não é? – Ela negou. – Meu pai jamais faria algo assim, escolher uma plebeia para ser a noiva de um dos príncipes, mas eu entendi tudo quando a investiguei. Como ficará quando souber a verdade?

— Apenas fale de uma vez – Disse tentando manter a calma. Lis pretendia fugir de Michael assim que tivesse a chance de sair daquele quarto e não iria olhar para trás. – Esse suspense é apenas para ganhar tempo, certo? – O provocou.

— Você é apenas uma ferramenta do meu pai para me destruir – Disse ao observar cada reação dela. O modo como os lábios se comprimiam um contra o outro, as mãos pressionando o vestido, os olhos o encarando friamente. – Meu pai sempre soube quem é seu primo. Ele sempre soube tudo, e usou isso para me destruir. Não deve demorar para a noticia sair, e ele deve fazer em nosso casamento. Um escândalo, repercussão negativa da mídia e tudo vai acabar. A sua vida e a minha. É isso que deseja?

— Sobre o que merda está falando?

— Não seja hipócrita agora. Afinal, poderá se tornar uma Duquesa se cair nas graças do rei da Inglaterra.

Lis empalideceu, mantendo a sua cabeça erguida.

— E pretende me usar contra o seu próprio pai?

— Imaginei que fosse divertido. O que achar de destruí-lo?

Ela riu incrédula.

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