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Após a volta da ex-namorada, a herdeira parou de fingir romance Capítulo 197

O silêncio dentro do carro se estendeu, pesado e desconfortável. A calefação fazia o ar parecer abafado.

Gabriel puxou a gravata, afrouxando-a, e abaixou parcialmente o vidro da janela. O vento frio entrou no veículo, trazendo um alívio imediato.

Helena, hesitante, finalmente quebrou o silêncio:

— Você ouviu o que meu pai disse agora há pouco, e eu...

Antes que pudesse terminar a frase, Gabriel pisou fundo no acelerador. O movimento brusco fez o corpo de Helena ser jogado para frente inesperadamente. As palavras que estavam na ponta da língua ficaram presas em sua garganta.

Ela respirou fundo, mordeu os lábios e silenciosamente colocou o cinto de segurança.

Gabriel dirigia rápido, deixando claro que estava com os ânimos exaltados.

Helena, sentada no banco do carona, estava apreensiva, com o coração acelerado.

...

Os seguranças que seguiam o carro em outro veículo levaram um susto quando perceberam que o Bugatti desaparecera de vista.

— Que droga! Cadê o carro do senhor Gabriel? Sumiu num piscar de olhos! — Exclamou um deles, surpreso.

O homem no banco do passageiro, suando frio, respondeu desesperado:

— Não é possível! A gente perdeu ele?

O motorista, visivelmente irritado, deu um soco no volante.

— Droga! O Bugatti dele é o La Voiture Noire! Como é que essa lata-velha aqui ia acompanhar? E agora, o que a gente faz?

O segurança no banco do carona pegou o celular às pressas.

— Vou ligar pra ele e perguntar onde ele foi!

Enquanto isso, o Bugatti preto cortava as ruas em alta velocidade. Os prédios e postes passavam como borrões pelas janelas. O rugido do motor ecoava alto, abafando a vibração fraca do celular de Gabriel.

Helena estava pálida, segurando o cinto de segurança com força. Seu coração parecia preso na garganta.

— Gabriel, por favor, diminua a velocidade! — Pediu ela, em um tom quase suplicante.

Gabriel mantinha os olhos fixos na estrada, o maxilar tenso, as linhas do rosto endurecidas. Era evidente que ele não estava bem.

Ele não respondeu, mas, gradualmente, foi reduzindo a velocidade do carro.

Helena, ainda tensa, relaxou o corpo aos poucos e desviou o olhar para a janela.

Os arredores não lhe eram familiares. As construções e paisagens indicavam que não estavam indo para o Solar dos Nobres nem para a Mansão Costa.

— Para onde você está me levando? — Perguntou ela, desconfiada.

Gabriel respondeu com a voz fria:

— O Solar dos Nobres foi comprometido. Não é seguro para você voltar lá. Vou te levar para uma propriedade nossa no campo. Você fica lá até eu resolver tudo.

Com o carro já em velocidade reduzida, ele pegou o celular e atendeu.

Do outro lado da linha, a voz de um segurança soou tensa e urgente:

— Senhor, onde o senhor e a senhora estão? Perdemos vocês de vista!

— Estou...

Antes que Gabriel pudesse terminar a frase, um som estridente ecoou: pá! Uma bala atingiu o carro.

Imediatamente, Gabriel olhou pelo retrovisor e viu um Aston Martin preto se aproximando rapidamente.

Ele girou o volante com habilidade, desviando de outro tiro que mirava nos pneus. A bala ricocheteou na lataria do carro, mas, por sorte, os pneus permaneceram intactos.

Helena gritou instintivamente, assustada.

O Bugatti derrapou, os pneus chiando alto contra o asfalto.

Gabriel estendeu o braço e empurrou Helena para baixo.

— Helena, abaixe-se!

Ela mal teve tempo de reagir. Assim que se abaixou, uma bala atravessou o vidro lateral do banco do passageiro. Se Gabriel não tivesse agido rápido, Helena teria sido atingida na cabeça.

A bala seguiu uma trajetória diagonal, atravessando o banco do passageiro e atingindo o para-brisa frontal. O vidro estilhaçou, criando rachaduras em forma de teia, enquanto o ar frio entrava pelo buraco, cortante e impiedoso.

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