Mateus estava com a expressão fechada, o maxilar tão travado que parecia que iria quebrar os dentes de tanto apertar.
— Estou fora de mim! Essa Inês teve a audácia de chamar modelos masculinos!
Gabriel, que estava observando Helena, viu quando ela, com um copo de drinque em uma mão, passou a outra pelo peitoral definido de um dos modelos.
O gosto ácido da tequila com limão que ele havia tomado mais cedo parecia voltar à boca, misturado com o amargor de uma raiva crescente. Até o ar ao redor parecia ter ficado mais pesado.
De repente, Gabriel não conseguiu mais suportar. Ele levantou-se de forma abrupta, a cadeira arrastando no chão com um barulho seco.
— Gabriel, o que você tá fazendo? — Mateus perguntou, assustado.
— Vou levar ela pra casa.
Mateus segurou o braço dele imediatamente.
— Para com isso, cara! Você não pode aparecer. E se tiver algum dos capangas do Zuriel aqui? Tudo o que você fez pra terminar com ela vai por água abaixo!
Gabriel sabia que Mateus tinha razão. Ele não podia arriscar.
Mais adiante, Helena estava cercada por modelos que disputavam sua atenção, enquanto ela sorria, visivelmente bêbada. Inês, ao lado, incentivava a situação com risadas e provocações.
Gabriel, com o rosto sombrio e a respiração pesada, estava prestes a dizer algo, mas foi interrompido quando Mateus, de repente, largou seu braço e saiu em direção a Inês, deixando um rastro de vento frio.
Gabriel o seguiu com o olhar e percebeu que Inês, completamente fora de si por causa do álcool, havia se encostado no peito de um dos modelos, com uma expressão de puro encantamento.
Preocupado em não ser visto, Gabriel se moveu para um canto mais escuro, onde pudesse observar Helena sem ser notado.
Enquanto isso, do outro lado, Inês estava apoiada no modelo, rindo sozinha, até que foi subitamente puxada para um abraço quente. Antes que entendesse o que estava acontecendo, Mateus deu um soco direto no modelo.
— Cai fora! — Ele rosnou.
O modelo cambaleou para trás, com a expressão tomada pela raiva. Ele estava prestes a reagir, mas foi segurado por um de seus colegas, que tentou acalmá-lo.
— Não faz isso. Não vale a pena.
O impacto do soco foi suficiente para trazer Inês de volta à realidade. Ela olhou para a cena, atordoada, e exclamou:
— Meu Deus, você tá maluco?
Ainda tonta pelo álcool, ela se aproximou do modelo, preocupada.
— Amorzinho, você tá bem?
O modelo, com o rosto vermelho de raiva, encarava Mateus, claramente ofendido.
— Desculpa, deixa eu te compensar. — Inês começou a vasculhar a bolsa e puxou algumas notas de dinheiro. Ela empurrou o dinheiro contra o peito do modelo. — Só tenho isso em espécie agora, mas vou deixar mais cinco mil de gorjeta pra você.
Mateus, com o rosto mais escuro que uma tempestade, puxou Inês para longe com força.
— Conversar? Como, Inês? Com você praticamente no colo dele? Sua mãe te ensinou isso?
— Vai se meter com outra pessoa! Você não é meu irmão, então não manda em mim! — Inês tentou se soltar, mas Mateus não deixou. Ele segurava firme, sem dar espaço para ela escapar.
— Você tá vindo comigo, agora!
Enquanto os dois discutiam, o gerente do bar chegou apressado, seguido por dois seguranças.
Ele havia sido informado que havia confusão no bar e já estava pronto para expulsar os responsáveis. Mas, ao reconhecer Mateus, mudou imediatamente de postura.
— Sr. Mateus, o que aconteceu?
Mateus lançou um olhar frio na direção do gerente, os olhos brilhando com uma raiva contida. Ele sorriu de forma ameaçadora antes de perguntar:
— Desde quando esse lugar virou ponto de prostituição disfarçada?
O gerente ficou pálido, apavorado.
— Senhor, isso não é verdade! O senhor deve estar enganado. Somos um bar respeitável.
Mateus apontou para os modelos.
— E eles? Como você explica isso?

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