Priscila juntou as mãos, fez um gesto quase teatral para Helena, mordeu o lábio e implorou com um tom choroso:
— Senhora, eu errei, errei feio mesmo, mas eu juro que aprendi! Por favor, não fica brava comigo, tá bom? Você é tão linda, tão generosa, eu sei que você não vai guardar rancor de mim, né?
Ela piscou os olhos enormes e brilhantes para Helena, quase suplicando:
— Eu preciso muito desse emprego, de verdade. Me promete que não vai me mandar embora, por favor… Senhora, você é maravilhosa!
Nesse instante, o elevador exclusivo do presidente fez um “ding” e se abriu.
Gabriel saiu do elevador, com Marco, o assistente, logo atrás.
Marco lançou um olhar fulminante para a prima: “Você é fogo, hein? Aquela que tinha que barrar, você deixa passar, agora quem não era pra barrar, você segura com força?”
Priscila respondeu com um olhar: “Ué, eu nunca vi ela na vida! Como é que eu ia saber que era a esposa do presidente? A culpa é sua que não avisou nada!”
Em questão de segundos, Gabriel já estava parado em frente a Helena.
— Helena, que bom que você veio. — Gabriel se mostrou surpreendentemente gentil, um sorriso suave nos lábios. — Veio me procurar por algum motivo especial?
Priscila ficou boquiaberta.
Aquele era mesmo o presidente? O homem que vivia de cara fechada, sem jamais demonstrar emoção?
Ela já trabalhava ali fazia três meses e nunca tinha visto Gabriel tratar alguém com tanta delicadeza.
Nesse ritmo, quem ia acreditar que Helena não era a esposa do presidente?
Helena entregou a pasta de documentos para Gabriel:
— Precisa da assinatura e do carimbo do representante legal.
— Perfeito — Gabriel pegou a pasta e passou para Marco.
— Já almoçou? — Ele perguntou, ainda todo atencioso.
Helena assentiu:
— Já sim. Pode levar pra assinar e carimbar, porque eu preciso desses papéis de volta ainda hoje.
— Sem pressa. — Gabriel mantinha o olhar fixo nela, com uma ternura que derretia qualquer um. — Quer subir pra tomar um café comigo?
— Melhor não. — Helena olhou o relógio no pulso. — Daqui a pouco eu tenho compromisso.
— Já falei, eu não sou esposa do presidente...
— Mas vai ser. — Gabriel falou baixinho, a voz cheia de carinho. — Esse lugar foi feito pra você.
Helena percebeu que discutir aquilo com Gabriel não ia adiantar nada, então preferiu mudar de assunto e perguntou para Priscila:
— Qual é o seu nome?
Priscila sentiu um frio na barriga.
“Pronto, agora ela vai me demitir!”
Ela mordeu o lábio, olhou para Helena e respondeu quase sussurrando:
— Priscila...
— Você é bem divertida. — Helena sorriu, descontraindo o clima.
Ao ouvir aquilo, Priscila relaxou na hora, até abriu um sorriso enorme:
— Eita, então quer dizer que a senhora não vai me mandar embora?

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