Helena não conteve o riso:
— Por que eu iria te demitir? Você nem trabalha na minha empresa!
Priscila olhou de imediato para Gabriel, buscando por algum sinal.
Gabriel disse, com um tom tranquilo:
— Helena, se você quiser, eu mando ela embora agora. Ela acabou de te barrar na entrada.
Priscila ficou ainda mais apreensiva. No fim das contas, será que ela não ia escapar da demissão?
— Quando foi que eu disse que quero que ela seja demitida? — Helena lançou um olhar rápido para Gabriel. — Eu realmente não marquei horário, ela só estava fazendo o trabalho dela. Funcionários dedicados assim não se acha todo dia, não precisa sair demitindo por qualquer coisa.
Gabriel, com um sorriso nos olhos, respondeu suavemente:
— Tudo bem.
Priscila finalmente respirou aliviada; o coração, que estava na boca, voltou ao peito.
Gabriel sentou-se ao lado de Helena, sempre puxando um assunto novo para manter a conversa.
— Abriu um restaurante japonês novo na Zona Oeste, topa ir comigo qualquer dia desses?
— Não, obrigada. Tenho estado muito ocupada ultimamente.
— Mas por mais ocupada que esteja, precisa comer, né?
— A Zona Oeste é longe demais. Só de ir e voltar já toma muito tempo.
— Tá certo. — Gabriel pensou um pouco e tentou de novo. — Que tal um fim de semana no campo, num resort de águas termais? Um amigo meu acabou de inaugurar um.
Helena manteve o tom distante:
— Nesse fim de semana eu vou pra Cidade H, tenho reunião com cliente.
— Tudo bem.
...
Vinte minutos se passaram e Marco ainda não tinha descido.
Helena conferiu o relógio, um pouco impaciente:
— Ele tá demorando, né?
Gabriel não teve escolha e pegou o celular para ligar e apressar Marco.
Logo depois, Marco apareceu, entregando os documentos assinados e carimbados para Helena:
— Perdão pela demora, Helena, acabei me enrolando lá em cima porque o Cláudio teve um imprevisto.
Na realidade, Cláudio tinha assinado e carimbado tudo rapidinho; Marco só ficou enrolando no andar de cima, tomando café e mexendo no celular, tranquilo.
...
Enquanto isso, lá no vigésimo sétimo andar, Raquel já esperava na sala de reuniões havia quase quarenta minutos.
Ela tinha ligado duas vezes para Gabriel, mas ele não atendeu nenhuma.
Raquel começou a perder a paciência. Ela se levantou e saiu da sala, indo direto para a sala dos secretários do presidente.
A sala tinha quatro estações de trabalho, todos secretários homens, todos impecáveis de terno cinza. Um digitava frenético no computador, outro estava ao telefone, todos bem concentrados.
Raquel escolheu um deles e bateu de leve na mesa:
— O presidente ainda está em reunião?
O secretário parou o que estava fazendo, olhou para ela e respondeu:
— Não, a reunião do presidente Gabriel terminou faz meia hora.
Raquel franziu a testa:
— E onde ele foi parar? Estou esperando há mais de quarenta minutos e nada dele aparecer.
O secretário respondeu, seco:
— Não sei te dizer, senhora.

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