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Armadilha Doce: Casei com o Irmão do Meu Ex romance Capítulo 531

A raiva ardia nos olhos de Beatriz, mas a urgência já lhe desfigurava a habitual compostura. Arthur, ao contrário, nem se abalou. Alto, de postura irrepreensível, observava a mãe com a tranquilidade quase insolente de quem recebia uma visita inconveniente. Quanto mais sereno ele parecia, mais evidente ficava o descontrole dela.

— Arthur, estou falando com você! Está me ouvindo? Quero Eduardo de volta. Agora!

Ele deixou o silêncio se prolongar, sem a menor pressa de responder. Só então um sorriso de escárnio lhe tocou os lábios.

— A senhora veio até meu escritório fazer esse escândalo por causa de um estranho? — Arthur inclinou ligeiramente a cabeça. — E o que faz pensar que eu sei onde ele está?

Beatriz ficou lívida.

Ora, por favor. Não pisaria ali sem antes descobrir quem levou Eduardo.

Nos últimos tempos, o filho agiu tantas vezes contra seus interesses que ela já não conseguia atribuir tudo a coincidências. A princípio, acreditou que ele só queria agradar Larissa e, de quebra, abrir caminho para pôr as mãos no patrimônio do Grupo Moretti.

Agora começava a enxergar o alvo por trás de tantas manobras.

Ela própria.

Nos últimos cinco anos, Arthur se tornou cada vez mais distante. Beatriz preferiu culpar o temperamento reservado dele, aquela frieza que parecia não poupar nem a própria mãe. Mas, diante da indiferença com que era recebida, essa explicação já não se sustentava. Arthur não apenas deixou de tratá-la com afeto. Parecia sequer reconhecer nela a autoridade de uma mãe.

— Poupe essa encenação, Arthur! Acha que eu viria aqui sem saber de nada? — A indignação fez sua voz subir. — O Grupo Vasconcelos já está metido em escândalos demais. Tem gente só esperando um deslize nosso, e você ainda pretende arrumar mais problemas?

O rosto de Beatriz ardia de tanta raiva.

Melissa já estava abandonada à própria sorte, sem que ninguém soubesse sequer se continuava viva. Mas a alta sociedade de Aurimare não precisava de certezas para alimentar um escândalo.

Nos salões onde antes se cochichava sobre Pamela, agora só se falava da fuga de Melissa e de sua suposta morte. Corria a versão de que os próprios Vasconcelos contrataram gente para resgatá-la e encenar aquela fuga, uma história que ganhava novos detalhes a cada vez que passava de boca em boca.

Até o escândalo de Pamela perdeu espaço.

O sobrenome Vasconcelos estava exposto, e bastava mais uma revelação para que os adversários da família avançassem sobre ele como tubarões atraídos por sangue fresco.

Arthur sempre soube quanto custava preservar o poder de uma família como a deles. Beatriz se recusava a acreditar que agora fosse capaz de colocar tudo a perder.

— A senhora fala tanto em proteger o nome dos Vasconcelos... — Arthur finalmente respondeu.

A tranquilidade continuava em sua voz, mas seus olhos perderam qualquer vestígio de indulgência.

— Se a reputação desta família realmente importasse tanto, a senhora não faria questão de arrastá-la pela lama uma vez atrás da outra.

Ele não elevou o tom. A fúria permaneceu represada naquele rosto impassível, à espera de uma única fissura por onde pudesse romper.

A serenidade de Arthur nunca foi sinônimo de brandura.

Aos dezoito anos, já circulava pelos corredores do Grupo Vasconcelos. Aos vinte e dois, assumiu o comando. Depois, partiu para o exterior, fundou sua própria empresa financeira e, sem soltar as rédeas dos negócios da família, conquistou em poucos anos um lugar entre os grandes nomes do mercado internacional.

Na alta sociedade de Aurimare, chamavam Arthur de diabo de terno. Seu talento para farejar oportunidades era tão extraordinário quanto a precisão com que destruía adversários. Quando os concorrentes percebiam o perigo, ele já atingiu o ponto mais vulnerável.

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