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Armadilha Doce: O Segredo do Presidente romance Capítulo 688

Depois, Simone Oliva foi visitá-lo na delegacia, chorando e dizendo que faria de tudo para tirá-lo dali. Só então o coração de Roberto Barbosa se comoveu um pouco.

— Então, o que você queria dizer? — perguntou ele.

O rosto de Roberto Barbosa ficou um tanto constrangido, mas por fim, respirou fundo e falou:

— No momento, não tenho onde ficar, só posso…

Simone Oliva respondeu:

— Já sabia que você ia dizer isso. Simone Oliva e Manuela Barbosa continuam morando comigo. Mas a Manuela saiu logo cedo, nem sei pra onde foi. Por enquanto, volte pra casa antiga. Depois a gente vê o que faz.

Eles mal haviam saído da delegacia quando, de repente, viram uma cadeira de rodas vindo em alta velocidade em direção a eles.

A pessoa sentada na cadeira de rodas parecia familiar. Normalmente, alguém em uma situação dessas ficaria apavorado diante de um possível acidente, mas aquele homem não: mostrava um semblante firme e sereno, como se avançasse para um destino heroico.

Dona Amanda, avó de Roberto, gritou para que ele freasse o carro. Roberto já estava pisando no freio, mas era tarde demais, pois, subitamente, outra pessoa surgiu correndo, empurrou a cadeira de rodas para longe e acabou se jogando na frente do carro.

Roberto ficou furioso e começou a buzinar sem parar.

— Droga! Que azar é esse? Mal saí e já vou ter que voltar pra dentro?

Dona Amanda resmungou:

— Será que é porque não trouxe folha de arruda pra afastar o azar?

— Ai, mãe! Liga pra polícia logo! — disse Roberto, aflito.

— Ligar pra quê? — retrucou Dona Amanda.

Roberto olhou para a avó, incrédulo. Ela, que sempre lhe dizia para andar na linha, agora parecia sugerir que fugissem do local?

Dona Amanda, com a maior calma, devolveu o olhar:

— Que cara é essa? A delegacia tá logo atrás, é só ir lá avisar. Pra que gastar ligação? Agora quem sustenta todo mundo sou eu, cada centavo conta…

Roberto sentiu a cabeça latejar. Pensou consigo mesmo: será que o sofrimento do Rei Macaco ouvindo as pregações do mestre era assim?

Os policiais também.

Roberto olhou para a avó como quem dissesse: “Mãe, você tá ouvindo o que acabou de dizer?”

Nem os policiais acreditaram. Ninguém achava possível que algo assim tivesse acontecido.

Dona Amanda jurava que era um manco, mas como alguém assim sairia andando daquele jeito?

No fim, como os envolvidos haviam desaparecido, os policiais apenas registraram o ocorrido e liberaram Roberto e Dona Amanda.

— Ainda bem que fomos avisar a polícia. Vai que eles voltam atrás de nós. Se não avisamos, aí sim seria omissão de socorro — comentou Roberto.

Dona Amanda apenas bufou, contrariada.

Roberto sabia que a avó estava brava.

Mas ninguém conseguia entender o que ela dizia ter visto: um homem manco carregando um ferido e sumindo do nada.

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