Melina Barbosa curvou levemente os lábios, pensando: “Ainda bem que não é doce, afinal, isto é remédio. Como poderia ser doce?”
— Não, Pedro, eu achei bem doce, será que você não bebeu direito? — disse Melina Barbosa.
Pedro olhou para o copo d’água, ainda desconfiado, sem coragem de provar.
— Da última vez, eu tomei tudo de uma vez só — continuou Melina Barbosa — e estava realmente doce. Quer tentar desse jeito?
— Então me deixa beber, estou morrendo de sede — respondeu Melina Barbosa, com um tom quase suplicante.
Vendo que Melina Barbosa se preparava para tomar a água doce, Pedro ficou aflito.
— Não! Eu quero, eu quero beber — disse ele, quase ansioso.
E, sem mais hesitar, virou o copo de uma só vez, engolindo toda a água.
Melina Barbosa voltou a contar sua história, até que Pedro, aos poucos, foi fechando os olhos, adormecido.
Mesmo já dormindo, Pedro murmurou:
— Amor...
Melina Barbosa levou um susto tão grande que sentiu um arrepio subir pelo corpo, como se uma fileira de formigas subisse por seu braço.
Ela sacudiu a cabeça, levantou-se rapidamente e foi até o quarto de Sara Santos para pegar algumas roupas. Vestiu-se, colocou um chapéu, calçou os sapatos e, com a cabeça baixa, saiu apressada.
Era a primeira vez que Melina Barbosa saía sozinha; ela não fazia ideia de qual caminho deveria seguir para fugir daquele lugar.
Mas, no fundo, ela sabia: aquela era uma oportunidade rara. Se não conseguisse escapar agora, talvez nunca mais tivesse outra chance.
Nesse instante, avistou uma árvore de jujuba não muito longe dali.
Lembrou-se de quando Meida Lima veio ajudá-la com a maquiagem. Naquele dia, a filha de Meida Lima chorou porque queria jujuba, mas Meida Lima a consolou dizendo que já tinham colhido todas, e só no próximo ano teria mais.
Melina Barbosa pensou: “Será que aquela casa com a árvore de jujuba na frente é a da Meida Lima?”
Silenciosa, foi em direção à árvore.
De fato, avistou ao longe os postes de alta tensão.
Ela se lembrou de que aquelas linhas foram instaladas pela prefeitura; mesmo que os moradores da vila patrulhassem os arredores, ninguém teria coragem de enfrentar os funcionários da companhia elétrica.
Sentindo gratidão por Meida Lima, Melina Barbosa correu rapidamente na direção das linhas de alta tensão.
Apesar de normalmente praticar esportes e estar acostumada a subidas, Melina Barbosa ainda se sentia fraca após a febre do dia anterior; cada passo parecia pesado, como se estivesse flutuando.
Mas, ciente de que aquela era sua única chance, não quis desistir.
Foi então que, ao olhar para frente, viu dois homens caminhando em sua direção.
Imediatamente, Melina Barbosa virou-se e procurou um canto para se esconder.
Os dois homens a notaram, mas, pensando se tratar de alguém da vila, não deram muita atenção. Seguiram conversando entre si:
— O chefe avisou que tem um grupo de forasteiros procurando uma mulher nestes dias. Dizem que ela é da família da Sara Santos. Por isso, temos que redobrar a vigilância na serra, nem à noite podemos descansar.

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