— Dizem que o marido daquela mulher tem muita influência, gastou uma fortuna para contratar muita gente. Ontem à noite ele foi até a casa da Sara Santos, mas felizmente não encontrou ninguém, senão a vila inteira estaria em apuros. Esse sujeito não é de se brincar.
— Mas ele não foi embora?
— Foi, mas quem garante que não volta?
Melina Barbosa apanhou fragmentos da conversa entre os dois e sentiu uma tristeza profunda, as lágrimas escorrendo pelo rosto sem que percebesse.
Ela finalmente entendeu que, na noite anterior, não tinha imaginado o chamado de Gustavo Ferreira; era real!
Infelizmente, ela e Gustavo Ferreira acabaram se desencontrando.
Quando os dois se afastaram, Melina Barbosa continuou correndo em direção à fiação de alta tensão.
— Pedro, Pedro, cadê sua mulher? Manda ela preparar o almoço, não é porque tá doente que vai ficar de pernas pro ar! — Sara Santos havia voltado depois de levar o gado para pastar.
Ela ainda estava inquieta, sentindo o olho esquerdo pulsar o dia inteiro.
Os mais velhos da vila diziam que quando o olho esquerdo pulsa, é mau agouro; o direito traz sorte. Sara Santos se preocupava que Melina Barbosa pudesse fugir.
— Pedro?
Ao entrar em casa, Sara Santos encontrou Pedro dormindo, e ao lado dele, na cama, um volume sob o cobertor aparentava o corpo de alguém.
Aliviada, pensou que Melina Barbosa ainda estava ali.
Achou que estava exagerando.
Preparou-se para acender o fogão e começar o almoço.
De repente, algo lhe ocorreu.
Girou nos calcanhares e voltou ao quarto, pondo as mãos na cintura e gritando:
— Franca, levanta agora e vai cozinhar para mim! Não pense que por estar doente vai escapar do serviço!
Mas ninguém respondeu.
Um brilho desconfiado passou por seus olhos. Ela havia gritado alto, como Melina Barbosa não ouvira?
O coração de Sara Santos disparou, tomada por um mau pressentimento.
Sara Santos concordou, dizendo:
— Isso mesmo, tragam de volta aquela desgraçada! Quero quebrar as pernas dela! Como ousa me passar a perna, fingindo ser vítima!
Sara Santos arfava de raiva, sentindo o peito quase explodir.
Melina Barbosa já se aproximava do poste de alta tensão. Quando achava que a liberdade estava próxima, ouviu, vinda do vale, o som de batuques e tambores.
O coração de Melina Barbosa disparou: “Droga, descobriram que eu fugi!”
A trilha pelo morro era quase intocada, cheia de pedras e buracos. Melina Barbosa lutou para chegar ao poste, ofegante, quase sem forças.
Ao chegar, percebeu que não havia nenhum funcionário por ali.
Seus olhos escureceram de decepção. Sem ninguém por perto, sabia que não podia esperar, era preciso seguir em frente.
Decidiu então caminhar ao longo da linha de alta tensão, pensando: “De jeito nenhum posso descer a montanha!”
Os homens de Gustavo Ferreira estavam por perto e, ao ouvir os batuques, imediatamente repassaram a notícia a Gustavo Ferreira.

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