Erasmo levantou o rostinho, a voz infantil: — A mamãe disse que é para tratar o tio Adilson bem.
— Isso mesmo. — Berta sorriu, uma emoção complexa passando pelos olhos: — O tio Adilson gosta de você, então fique perto dele, entendeu?
— Entendi! — Erasmo assentiu com força, e logo franziu as pequenas sobrancelhas: — Mas... aquela tia não ficou feliz.
A "tia" de quem ele falava era Tereza.
Os movimentos das mãos de Berta pararam.
Ela dobrou o lenço e o guardou de volta na bolsa, estendendo a mão para beliscar de leve a bochecha do filho: — Aquela tia é a esposa do tio Adilson, ela mora na casa dele. Mas...
Ela fez uma pausa, abaixando ainda mais a voz: — Mas o tio Adilson não gosta dela, o tio Adilson gosta da mamãe e de você. Então, não importa se ela está feliz ou não, o que importa é que o tio Adilson fique feliz, entendeu?
O menino de três anos pareceu não entender direito, mas ainda assim concordou com a cabeça.
Berta olhou para o rosto inocente do filho, e seu olhar foi escurecendo aos poucos.
Aquela criança se parecia demais com ela — os olhos, o nariz, e até os cantos da boca levemente curvados para cima eram idênticos. Mas às vezes, ao olhar para aquele rosto infantil, ela tinha a perturbadora ilusão de enxergar a sombra de outra pessoa.
Ela fechou os olhos, reprimindo aquelas memórias desagradáveis.
— Erasmo, a mamãe vai te ensinar algumas coisas. — Ela se inclinou para perto da orelha da criança, a voz suave como se contasse uma história de ninar: — Se aquela tia perguntar quem é o seu pai, você diz...
Ela hesitou um momento, um lampejo de conflito passando por seus olhos, mas rapidamente foi substituído por determinação.
— Você diz que não sabe. Se ela insistir, você chora e diz que quer o tio Adilson.
Erasmo inclinou a cabeça: — Mas o papai...
— Não tem papai. — Berta o interrompeu, a voz ficando rígida de repente: — Lembre-se, você não tem pai. Você só tem a mamãe, e... o tio Adilson.
A criança se assustou com o tom de voz, o lábio inferior tremeu e os olhos ficaram vermelhos no mesmo instante.
Berta logo percebeu que havia perdido a compostura. Respirou fundo, colocando novamente o sorriso gentil no rosto, e puxou a criança para um abraço: — Desculpe, a mamãe não devia ter brigado com você. Mas Erasmo, você precisa lembrar que tem coisas que não podemos sair falando por aí, entendeu? Se você falar, a mamãe vai ficar muito triste, e o tio Adilson também vai ficar muito triste.
— A mamãe não chora. — Erasmo estendeu a mãozinha, secando o canto dos olhos dela sem jeito — não havia lágrimas ali, mas a criança achou que a mãe fosse chorar.
Berta segurou a mãozinha, encostando-a no próprio rosto, sentindo aquele calor terno e inocente.
— A mamãe não vai chorar. — Ela disse baixinho: — Com o Erasmo aqui, a mamãe não tem medo de nada.
Ou... apenas um blefe.
Berta acalmou a mente, retomando aquela postura gentil e segura.
— Erasmo, a mamãe vai te ensinar mais uma coisa. — Ela abaixou a cabeça para olhar o filho, a voz suave mas com um tom inquestionável: — Se aquela tia quiser brincar com você, ou te der alguma coisa para comer, você tem que perguntar primeiro para a mamãe, ouviu?
— Por quê?
— Porque... — Berta pausou: — Porque aquela tia não gosta da mamãe, e pode querer te machucar.
Erasmo arregalou os olhos, o rostinho cheio de pavor.
Berta percebeu que tinha ido longe demais e logo tratou de confortá-lo: — Não precisa ter medo, a mamãe só disse que "pode". Contanto que você seja um bom menino e fique longe daquela tia, não vai acontecer nada, entendeu?
— Entendi. — Erasmo encolheu-se no abraço dela, a voz abafada.
Berta segurou-o, embalando-o levemente, como se colocasse um bebê para dormir.
O sol brilhava através das frestas das rosas, lançando sombras manchadas sobre seu rosto. Aquele rosto sempre sorridente e gentil, agora não tinha um traço de sorriso; apenas uma calma absoluta e obscura.

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