Ela atendeu, e a voz desesperada do assistente soou do outro lado: — Doutora, más notícias! O paciente número três da terceira fase dos testes clínicos apresentou uma rejeição grave e os seus sinais vitais caíram drasticamente! A equipe de especialistas está acompanhando remotamente, mas o quadro é muito ruim!
O semblante de Tereza ficou sério imediatamente: — Mande os dados para mim, agora.
— Mas doutora, você já passou a noite toda acordada trabalhando ontem...
— Mande os dados! — O tom dela não dava brechas.
Cinco minutos depois, todos os dados médicos, exames e monitoramentos ao vivo foram transferidos para o computador.
Ela colocou os óculos e os dedos batiam freneticamente no teclado, abrindo o prontuário completo do paciente número três: sessenta e sete anos, câncer de pulmão em estágio avançado, organismo muito debilitado após três sessões de quimioterapia. Após entrar para a bateria de testes do "Solaris Número Um", o quadro inicial tinha sido bom e o tumor estava reduzido consideravelmente.
Mas justo hoje de manhã, ele tivera uma falha respiratória aguda de repente.
Tereza fixava os olhos naquele amontoado de dados na tela, enquanto a cabeça pensava muito rápido.
Não era alergia, não era erro de dosagem, era...
— Doutora, a saturação de oxigênio no sangue do paciente caiu para 75! — O assistente falou, quase chorando.
— Preparem a intubação traqueal. — Tereza ordenou com calma. — Ao mesmo tempo, administrem dexametasona 10 mg e metilprednisolona 40 mg por via intravenosa. Avisem a equipe de anestesia para ficarem de prontidão para a emergência.
— Mas doutora, os hormônios da dexametasona podem...
— Faça o que eu falei! — A voz de Tereza subiu. — O paciente está tendo uma crise de imunidade, não é reação aos remédios! Agora, rápido, executa!
A voz dela era tão forte que os comandos começaram a ser ouvidos pelo telefone imediatamente.
Tereza encarou os números em tempo real e apertou as mãos inconscientemente.
Era o medicamento que ela desenvolvia há três anos, um projeto construído com muito suor e sacrifício. Se os testes fossem interrompidos por causa dessa reação adversa grave, todo o esforço teria sido em vão. E o pior de tudo: o paciente poderia morrer.
Ela não podia deixar que morresse.
Os minutos foram passando um atrás do outro; e ela sofria com os segundos escorrendo.
Dez minutos depois, a voz emocionada do assistente soou: — Doutora! A saturação de sangue subiu de volta para 85! O paciente está estabilizado!
Tereza relaxou os ombros que estavam tensos e despencou na cadeira; as costas estavam cobertas de suor frio.
— Continuem monitorando; me avisem a qualquer momento caso tenha mudanças.
— Sim!
Ela encerrou a chamada, tirou o óculos e coçou os olhos que ardiam.
Ao olharse no espelho, percebeu que o rosto estava terrivelmente pálido e os lábios sem cor. Apenas os olhos estavam fortemente avermelhados, consequência de ter passado a madrugada trabalhando e lidado com aquela situação de emergência extremamente estressante.
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