O celular de Tereza vibrou duas vezes no bolso.
Ela o tirou sem mudar de expressão, baixando os olhos para dar uma olhada rápida na tela — era uma mensagem de Whatsapp enviada por Beatriz, além de uma barra de progresso de transferência de arquivo. O acordo de divórcio estava pronto e sendo enviado.
Os dedos digitaram rapidamente na tela: — Recebido. Obrigada.
Enviar.
Ela guardou o celular de volta no bolso; quando ergueu os olhos, cruzou direto com o olhar investigativo de Adilson. Ele provavelmente notara o movimento dela ao ver o celular; estava com as sobrancelhas levemente franzidas, parecendo esperar uma explicação.
Tereza não explicou.
Ela se virou para Senhora Zilda, que estava na porta da cozinha: — Senhora Zilda, por favor, prepare um café da manhã e mande para o meu quarto. Torrada, ovo frito e leite, obrigada.
O tom era calmo, de quem trata de negócios.
Senhora Zilda hesitou por um momento, olhando para Adilson por reflexo — naquela casa, a Sra. Tereza sempre esperava o patrão falar antes de se atrever a pedir algo.
O rosto de Adilson fechou: — O café da manhã é para ser comido na sala de jantar.
— Estou cansada e quero descansar no quarto. — Tereza disse com indiferença, sem sequer olhar para ele. — Bom apetite.
Após falar, segurou aquela xícara de café frio e virou-se para ir em direção às escadas.
— Tereza. — A voz de Adilson soou atrás dela, com nítido descontentamento. — Esta casa ainda tem regras.
Os passos de Tereza pararam.
Ela se virou devagar, olhando para as três pessoas perto da mesa — Adilson estava sentado no assento principal, a testa franzida; Berta estava à sua direita, de cabeça baixa, apertando o guardanapo de forma inconsciente; e o menininho de três anos estava na cadeira infantil, segurando uma colher e encarando os adultos com curiosidade.
Eles pareciam mesmo uma família completa.
E ela era a intrusa, que estava sobrando e não entendia as regras.
— Regras? — Tereza repetiu a palavra com suavidade, um sorriso mínimo surgindo no canto da boca. — As regras da família Ferreira, eu aprendi por três anos. O Sr. Ferreira ensinou bem, eu me lembro de todas.
Ela fez uma pausa, o olhar caindo sobre o rosto de Adilson; seus olhos vermelhos e inchados estavam extremamente limpos agora:
— Por exemplo: não se fala durante a refeição, nem na hora de dormir.
— Por exemplo: os mais velhos devem tocar nos talheres antes dos mais novos comerem.
— Por exemplo... — A voz dela baixou, com um tom de deboche quase imperceptível nos lábios: — Se o marido não volta para casa, a esposa tem que dormir sozinha.
Aquela última frase o atingiu em cheio, como se ele tivesse levado um tapa na cara.
A sala de jantar caiu em um silêncio mortal.
Até a criança de três anos percebeu que o clima estava estranho e largou a colher assustada.
Berta levantou a cabeça, os olhos já vermelhos e a voz embargada: — Srta. Tereza, não culpe o Adilson, o erro é todo meu... Eu vou encontrar uma casa e me mudar logo, de verdade...
— Berta. — Adilson a interrompeu, com um tom de impaciência. — Você não precisa se mudar.
Ele olhou para Tereza de novo, o olhar frio: — O café da manhã deve ser feito na sala de jantar, é regra da casa. Já que você é a Sra. Ferreira, deve seguir as regras.
— Sra. Ferreira? — Tereza riu, a risada cheia de uma tristeza inominável. — Adilson, quando é que você me tratou como a Sra. Ferreira?
— Ah, está bem. — Senhor Ramos pausou e diminuiu o tom de voz. — Sra. Tereza, a senhora... não fique muito triste. O patrão...
— Estou bem. — Tereza o interrompeu. — Desculpe pelo incômodo.
Depois de desligar o telefone, ela foi para a janela e olhou para baixo.
No jardim, o jardineiro cortava os galhos secos das roseiras. As flores murchas caiam no chão com os golpes da tesoura e logo se transformavam em adubo para a terra.
Era exatamente como os seus últimos três anos de vida. Ela se entregou por completo, só para acabar se tornando um galho seco e inútil aos olhos dos demais, algo que devia ser cortado para dar espaço a flores novas.
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Na sala de jantar, o clima ainda estava tenso.
Berta já havia parado de chorar, mas os olhos ainda estavam vermelhos. Ela limpou a boca do filho e perguntou baixinho: — Erasmo, já está satisfeito?
O garoto assentiu com a voz infantil: — Satisfeito.
— Então a mamãe te leva para brincar, tá bom?
— Tá!
Berta pegou a criança no colo e olhou para Adilson, o olhar cheio de desculpas: — Adilson, eu vou levar o Erasmo para dar uma volta no jardim. Você... tente conversar com ela.
Ela de propósito deu ênfase na palavra "conversar", insinuando que Adilson deveria tentar consolar Tereza.
Adilson apenas concordou com a cabeça, sem dizer nada.

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