A figura de Larissa desapareceu pela porta. O som abafado de seus saltos no tapete foi se distanciando, até ser completamente engolido pela porta pesada.
A sala voltou ao silêncio, mas um silêncio cheio de um constrangimento e uma tensão densos. O ar parecia ter se tornado espesso, pesando no peito de cada um ali presente.
Giovana abaixou lentamente a taça de vinho. O fundo bateu no porta-copos de porcelana, emitindo um "ding" nítido e estridente. Ela levantou a cabeça, e seu olhar foi direto para Berta, como um bisturi afiado.
— Berta — disse ela com voz dura, cada palavra carregada de frieza — o que a sua irmã quis dizer com aquelas palavras?
A mão de Berta tremeu, e o guardanapo caiu em seu colo. Ela forçou os cantos da boca, mas o sorriso era tão pálido quanto uma folha de papel frágil: — Dona Giovana, a Larissa... tem temperamento de criança. Ela fala sem pensar. Por favor, não leve a sério.
— Temperamento de criança? — Giovana deu uma risada irônica, sem nenhum sorriso nos olhos. — Mais de vinte anos e ainda é criança? Além disso, o que ela disse... "espero que você consiga se manter firme na posição de Sra. Ferreira"... isso não soa como algo bom.
O pai de Berta tentou apaziguar a situação apressadamente, com suor escorrendo pela testa: — Dona Giovana, a Larissa realmente foi muito mimada por nós, ela não tem filtro. Quando eu voltar, vou ser rigoroso com ela...
— Sr. Ramos — Roberto o interrompeu. Seu rosto não tinha expressão, mas havia um descontentamento óbvio em seus olhos. — Hoje era uma ocasião importante para as nossas famílias acertarem o casamento. A sua filha invadiu a sala e disse aquelas coisas. Você acha isso adequado?
O pai tirou um lenço para enxugar o suor. Sua voz estava seca: — Não é adequado, realmente não é. A culpa é minha por não saber educar a minha filha. Peço desculpas a todos em nome dela.
Roberto ficou em silêncio por um momento e bateu o copo na mesa com força: — Deixe para lá. Adilson, você cuida do resto. Eu e sua mãe vamos embora. — Ele passou o olhar pesado por todos. — Não deixem mais nada dar errado. Caso contrário, eu não serei tão compreensivo.
Depois de dizer isso, ele puxou Giovana e saiu da mesa. Adilson o seguiu imediatamente.
— Sr. Ferreira, Dona Giovana... — O pai se levantou para acompanhá-los, mas a única resposta que teve foi o som abafado da porta se fechando.
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O Rolls-Royce preto deslizou pela noite. As luzes traseiras deixaram dois rastros vermelhos embaçados no trânsito e logo desapareceram.

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