Durante quase duas horas, o jipe balançava pela estrada de terra cheia de buracos. A vista pela janela passou de cidades esparsas perto do aeroporto para a savana aberta, entrando finalmente em uma área cercada por muros altos e arame farpado.
Era quase pôr do sol. O pôr do sol africano tingiu o horizonte de um vermelho ardente, enquanto a majestosa montanha do Kilimanjaro exibia seu pico nevado na linha distante, refletindo uma luz sagrada sob o sol.
— Dra. Rose, estamos quase chegando. — David olhou para trás do assento do motorista com seu sorriso amigável, mas com um pouco mais de respeito natural nos olhos. O carro diminuiu a velocidade enquanto se aproximava do primeiro posto de controle.
Dois soldados uniformizados e segurando fuzis AK-47 estavam de pé atrás da barreira simples, com peles negras e olhos afiados como águias. David abaixou o vidro, disse algumas palavras rápidas em suaíli e entregou os documentos. O soldado pegou, examinou com uma lanterna e checou num dispositivo portátil, olhando por cima do motorista para observar Tereza no banco de trás.
— Documentos, senhora. — Um dos soldados disse em um inglês com sotaque.
Tereza calmamente tirou do passaporte e uma carta com um distintivo especial da bolsa. O distintivo era simples e solene: uma rosa ao redor do cajado médico de Asclépio, com uma linha pequena embaixo: "Aliança Internacional de Pesquisa Médica — Membro Honorário Vitalício, Pesquisadora Chefe do Projeto 'Rosa'".
Quando o soldado viu o distintivo, seus olhos focaram intensamente e ele se encheu de uma agitação que não conseguia esconder. Ele checou cuidadosamente a foto com ela, e ao ver o rosto calmo de Tereza, o jovem soldado prendeu a respiração, entregou os documentos de volta com as mãos trêmulas e tentou ao máximo manter a postura reta, usando um português quebrado, mas extremamente solene, e disse: — É a senhora... Dra. Rose! Bem-vinda de volta! Que a senhora tenha paz aqui!


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