— Parece que... foi ver a grande migração de animais na África. — Beatriz deu uma direção aproximada, lembrando a si mesma de ficar alerta.
— A grande migração africana? — Vitor entendeu, e o tom ficou mais leve: — Esta temporada é realmente uma boa época para observar. Minha prima e alguns amigos dela que fazem documentários também voaram para lá há alguns dias; os jovens simplesmente adoram buscar esses fenômenos naturais. — Ele sorriu, e perguntou como se batesse um papo qualquer: — A sua amiga está em um grupo de expedição científica ou tem um itinerário personalizado? Você sabe em qual reserva ou acampamento ela está hospedada? Se ela estiver perto da minha prima e do pessoal, talvez eles possam cuidar uns dos outros; aqueles garotos que filmam documentários conhecem bem a região.
A pergunta parecia casual, mas tocava no ponto principal. Um sinal de alarme soou silenciosamente na cabeça de Beatriz. As perguntas de Vitor eram lógicas e cheias de preocupação, mas ela realmente não sabia os arranjos específicos de Tereza na África e, mais importante, Tereza havia instruído especificamente para não revelar seu paradeiro.
— Sobre isso... Eu realmente não perguntei em detalhes. — Beatriz sorriu, tentando fazer a expressão parecer natural e carregando um pouco de resignação pela "teimosia" da amiga. — Ela só disse que ia ver os animais e relaxar; não me relatou o itinerário específico. Você também a conhece, às vezes ela toma as próprias decisões de forma muito firme. Que tal... depois eu mandar uma mensagem para ela perguntando? — Ela deu uma resposta que parecia cooperativa, mas na verdade estava ganhando tempo.
Vitor, com sua aguçada sensibilidade, percebeu imediatamente a reserva e a recusa polida nas palavras dela. Um traço de emoção difícil de capturar passou rapidamente pelo fundo dos seus olhos, e ele logo recuperou aquela aparência suave e compreensiva, até mesmo com um pouco de desculpa.
— Não precisa, não precisa; só mencionei de passagem, não precisa perguntar de propósito. Sua amiga viajou para relaxar, o objetivo é evitar essas coisas irritantes; não a perturbe. — Ele disse de forma atenciosa, e então mudou naturalmente de assunto, conversando sobre algumas fofocas recentes do mundo jurídico.
O carro entrou de forma estável na rua tranquila onde ficava o Residencial Ginkgo. Vitor agradeceu e desceu do carro, parou na entrada do apartamento de luxo, acenou para Beatriz dentro do carro, com postura reta, e o sorriso ainda quente e apropriado na noite:
— Cuidado na estrada; mande uma mensagem quando chegar em casa. Sobre a cooperação, nos falamos a qualquer momento.
— Certo, Sênior, volte logo e descanse! Boa noite! — Beatriz também sorriu e acenou, vendo-o passar o cartão e entrar pelo portão; só então ela lentamente afastou o carro.
Não foi até a luz traseira do carro de Beatriz virar a esquina e desaparecer completamente que aquele sorriso educado e impecável no rosto de Vitor se recolheu no mesmo instante, sendo retirado como uma máscara. Ele não entrou no prédio. Ao invés disso, virouse e caminhou direto para as sombras atrás de um grupo denso de plantas ornamentais altas, ali perto.
Uma figura surgiu balançando, com um palito de dente fino pendurado na boca; era exatamente Dominic Rossi, o homem misterioso que já havia entrado em contato com Berta Ramos no Restaurante Horizon Zenith. Ele se encostou na parede de forma relaxada, deu um assobio curto na direção de Vitor, com o tom carregado da zombaria de sempre:

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